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  28.04.2009 00h.10  
  Univap terceirizou desenvolvimento de ônibus                                          Univap terceirizou desenvolvimento de ônibus. Instituição de São José firmou parcerias com empresas em projeto para o antigo 'Fura-Fila' na capital; gestão Kassab quer restituição de verba
  jornal Valeparaibano - São José dos Campos - 27.04.09

A FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), de São José dos Campos, terceirizou parte dos serviços do contrato que firmou com a SPTrans (São Paulo Transportes), responsável pelo transporte público da capital, para o desenvolvimento de um frota de 15 ônibus "inteligentes".

A instituição buscou tecnologias disponíveis no mercado para formatar o denominado SGM (Sistema de Guiagem Magnética), serviço para a qual foi contratada pela SPTrans por R$ 19,2 milhões, em 2003, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy.

Os veículos deveriam ser operados automaticamente por um sofisticado sistema eletrônico e seriam utilizados no atual Expresso Tiradentes, o antigo "Fura-Fila" da gestão do ex-prefeito Celso Pitta e "Paulistão", da gestão petista.

Entretanto, passados seis anos do convênio, nenhum ônibus 'inteligente' foi colocado em circulação.

O projeto foi desenvolvido no IP&D (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) e a Univap não teria condições de desenvolvê-lo sozinha.

"Sozinha a Univap não faria esse projeto. Ninguém faria", disse ontem o vice-reitor da instituição, Antonio Teixeira Pinto.

Segundo ele, a universidade constatou que seria necessário formar um equipe de pelo menos 18 profissionais especializados para trabalhar no programa. "Era um grande desafio e não tínhamos esse pessoal todo. Formamos parcerias com empresas e instituições", afirmou o vice-reitor.

PARCERIA- Teixeira Júnior citou que a Compsis, empresa do setor aeroespacial de São José, foi uma das parceiras fundamentais para a formatação do sistema.

No entanto, a funcionalidade do SGM é alvo de questionamento pela SPTrans. A empresa rompeu o contrato com a FVE em junho do ano passado e estuda pedir na Justiça o ressarcimento dos valores pagos à instituição, porque até agora a Univap não teria apresentado 'justificativa satisfatória' comprovado a funcionalidade do sistema.

SOFISTICAÇÃO - O gestor de programas da Compsis, Renato Duarte, confirmou que a empresa forneceu tecnologia para a Univap empregar nos ônibus 'inteligentes'.

"Fornecemos equipamentos e tecnologia para um veículo, mas a integração de todo o sistema foi feito pela Univap. Não temos e nem tivemos acesso a essa parte", declarou Duarte.

A empresa forneceu serviços especializados de engenharia para a implementação de computadores embarcados, módulos de aquisição de dados, módulos de software de tempo-real e integração de sistemas, segundo a Univap.

FOCO - Para Marcos Tadeu Pacheco, ex-diretor do IP&D, o instituto não tem 'competência para desenvolver o projeto dos ônibus inteligentes'.

"O IP&D nunca teve competência para desenvolver um projeto como esse, porque o foco das pesquisas do instituto é outro. A especialdiade dele são áreas de biomédicas e planejamento urbano", afirmou Pacheco.

Ele dirigiu o instituto desde a sua criação, em 96, até ser demitido no final do ano passado pelo reitor da Univap, Baptista Gargione Filho. Mais

Editorial do jornal Valeparaibano

Inabalável Prestígio

A bancada do PT, que sempre criticou a falta de concursos públicos e as parcerias entre a prefeitura e a Univap para o gerenciamento de creches construídas com recursos públicos, abriu mão do prazo de emenda e não pestanejou em votar a favor do novo convênio milionário. Diante das críticas à atuação contraditória no episódio da votação do convênio, os petistas atiraram para todos lados. O vereador Tonhão Dutra (PT) disse ter sido voto vencido na reunião da bancada. Outras lideranças da legenda argumentaram que a proposta seria aprovada de qualquer maneira e, votando contra, o PT ficaria em maus lençóis com os moradores que precisam de atendimento nos centros esportivos. O que poderia ser pior?

Com relação à postura do Executivo, o governo Cury demonstrou mais uma vez que o que lhe importa, acima de quaisquer questionamentos éticos, é viabilizar mecanismos administrativos que agilizem o atendimento à população. O convênio com a Univap evita a abertura de concurso público e pode acabar com a polêmica prática de suspender todas as atividades nos centros esportivos ao final do ano, com o vencimento dos contratos temporários até então firmados pela administração.

O argumento "ético" do governo para justificar a contratação da Univap é que pode-se questionar a direção da FVE, mas a "entidade" seria inquestionável. É como se fosse possível abstrair a figura de Baptista Gargione da Fundação ValeParaibana de Ensino ou como se a FVE fosse alguma espécie de entidade "sobrenatural", conduzida por mãos divinas.

Na certeza de que o convênio seria aprovado pela Câmara, o governo antecipou a contratação de 110 monitores como "prestadores de serviço". Agora, devem ser "absorvidos" pela Univap.

Assim, com a benção do governo tucano, da maioria governista na Câmara e do PT, a Univap vai receber a bagatela de R$ 4,8 milhões da prefeitura nos próximos dois anos. Espera-se que, minimamente, os vereadores se dignem a fiscalizar o convênio --o que não vem sendo observado em relação os "crechões" terceirizados para a mesma instituição.
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