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jornal Valeparaibano - São
José dos Campos - 27.04.09 A FVE
(Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da Univap
(Universidade do Vale do Paraíba), de São José dos Campos,
terceirizou parte dos serviços do contrato que firmou com a
SPTrans (São Paulo Transportes), responsável pelo transporte
público da capital, para o desenvolvimento de um frota de 15
ônibus "inteligentes".
A instituição buscou tecnologias disponíveis no mercado para
formatar o denominado SGM (Sistema de Guiagem Magnética),
serviço para a qual foi contratada pela SPTrans por R$ 19,2
milhões, em 2003, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy.
Os veículos deveriam ser operados automaticamente por um
sofisticado sistema eletrônico e seriam utilizados no atual
Expresso Tiradentes, o antigo "Fura-Fila" da gestão do
ex-prefeito Celso Pitta e "Paulistão", da gestão petista.
Entretanto, passados seis anos do convênio, nenhum ônibus
'inteligente' foi colocado em circulação.
O projeto foi desenvolvido no IP&D (Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento) e a Univap não teria condições de
desenvolvê-lo sozinha.
"Sozinha a Univap não faria esse projeto. Ninguém faria",
disse ontem o vice-reitor da instituição, Antonio Teixeira
Pinto.
Segundo ele, a universidade constatou que seria necessário
formar um equipe de pelo menos 18 profissionais
especializados para trabalhar no programa. "Era um grande
desafio e não tínhamos esse pessoal todo. Formamos parcerias
com empresas e instituições", afirmou o vice-reitor.
PARCERIA- Teixeira Júnior citou que a Compsis,
empresa do setor aeroespacial de São José, foi uma das
parceiras fundamentais para a formatação do sistema.
No entanto, a funcionalidade do SGM é alvo de questionamento
pela SPTrans. A empresa rompeu o contrato com a FVE em junho
do ano passado e estuda pedir na Justiça o ressarcimento dos
valores pagos à instituição, porque até agora a Univap não
teria apresentado 'justificativa satisfatória' comprovado a
funcionalidade do sistema.
SOFISTICAÇÃO - O gestor de programas da Compsis,
Renato Duarte, confirmou que a empresa forneceu tecnologia
para a Univap empregar nos ônibus 'inteligentes'.
"Fornecemos equipamentos e tecnologia para um veículo, mas a
integração de todo o sistema foi feito pela Univap. Não
temos e nem tivemos acesso a essa parte", declarou Duarte.
A empresa forneceu serviços especializados de engenharia
para a implementação de computadores embarcados, módulos de
aquisição de dados, módulos de software de tempo-real e
integração de sistemas, segundo a Univap.
FOCO - Para Marcos Tadeu Pacheco, ex-diretor do IP&D,
o instituto não tem 'competência para desenvolver o projeto
dos ônibus inteligentes'.
"O IP&D nunca teve competência para desenvolver um projeto
como esse, porque o foco das pesquisas do instituto é outro.
A especialdiade dele são áreas de biomédicas e planejamento
urbano", afirmou Pacheco.
Ele dirigiu o instituto desde a sua criação, em 96, até ser
demitido no final do ano passado pelo reitor da Univap,
Baptista Gargione Filho.
Mais
Editorial do jornal
Valeparaibano
Inabalável Prestígio
A bancada do PT, que sempre
criticou a falta de concursos públicos e as parcerias entre
a prefeitura e a Univap para o gerenciamento de creches
construídas com recursos públicos, abriu mão do prazo de
emenda e não pestanejou em votar a favor do novo convênio
milionário. Diante das críticas à atuação contraditória no
episódio da votação do convênio, os petistas atiraram para
todos lados. O vereador Tonhão Dutra (PT) disse ter sido
voto vencido na reunião da bancada. Outras lideranças da
legenda argumentaram que a proposta seria aprovada de
qualquer maneira e, votando contra, o PT ficaria em maus
lençóis com os moradores que precisam de atendimento nos
centros esportivos. O que poderia ser pior?
Com relação à postura do Executivo, o governo Cury
demonstrou mais uma vez que o que lhe importa, acima de
quaisquer questionamentos éticos, é viabilizar mecanismos
administrativos que agilizem o atendimento à população. O
convênio com a Univap evita a abertura de concurso público e
pode acabar com a polêmica prática de suspender todas as
atividades nos centros esportivos ao final do ano, com o
vencimento dos contratos temporários até então firmados pela
administração.
O argumento "ético" do governo para justificar a contratação
da Univap é que pode-se questionar a direção da FVE, mas a
"entidade" seria inquestionável. É como se fosse possível
abstrair a figura de Baptista Gargione da Fundação
ValeParaibana de Ensino ou como se a FVE fosse alguma
espécie de entidade "sobrenatural", conduzida por mãos
divinas.
Na certeza de que o convênio seria aprovado pela Câmara, o
governo antecipou a contratação de 110 monitores como
"prestadores de serviço". Agora, devem ser "absorvidos" pela
Univap.
Assim, com a benção do governo tucano, da maioria governista
na Câmara e do PT, a Univap vai receber a bagatela de R$ 4,8
milhões da prefeitura nos próximos dois anos. Espera-se que,
minimamente, os vereadores se dignem a fiscalizar o convênio
--o que não vem sendo observado em relação os "crechões"
terceirizados para a mesma instituição.
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