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  08.02.2008 00h.20  
  Univap suspende pesquisas                                       As máquinas anteciparam a chegada do homem a vários lugares do Universo. Em apenas cinqüenta anos, a era espacial conseguiu feitos notáveis, como a ida à Lua e a presença constante dos astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS).

Acassio Costa (*)

 

Poucos países se empenham em desenvolver projetos espaciais, pois são caros, demandam tempo e exigem excelentes cabeças pensantes. A tecnologia, disputada a unhas e dentes, gera enormes dividendos e boa parte do controle político do planeta.

Resta saber porque os projetos brasileiros são tão torpedeados. A Plataforma de Alcântara explodiu matando os 22 cientistas do projeto, até hoje pairam dúvidas quanto as causas do “acidente”.

Que motivos levaram a atual gestão da Universidade do Vale do Paraíba a abortar um magnífico projeto que já possuía muitas citações científicas internacionais favoráveis?

Quem está dificultando o desenvolvimento dos projetos aeroespaciais brasileiros? Cabe ao pessoal civil e militar que cuida da Segurança Nacional responder.

Para o engenheiro do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), José Bezerra Pessoa Filho, uma das mais belas conquistas desse meio século de tecnologia pode ser conferido a duas sondas Voyage lançadas há 30 anos: "Na minha opinião, as Voyager são a maior conquista da Era Espacial", diz Bezerra que fez várias declarações a respeito da sua permanência na Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos:

"Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial - CTA                       Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)                                      Divisão de Sistemas Espaciais (ASE)                                             Praça Marechal Eduardo Gomes, 50                                                 São José dos Campos, SP - 12.228-904 

D E C L A R A Ç Ã 0 (*)

Ingressei na Univap em março de 2000, como professor com dedicação parcial. Além de ministrar disciplinas na Faculdade de Engenharia Arquitetura e Urbanismo (FEAU), participei da criação do Curso Superior Seqüencial em Tecnologia Aeroespacial (CSSTA) e do Curso de Especialização em Engenharia Aeroespacial (CEEA), dos quais me tornei coordenador. Participei também da criação do Curso de Engenharia Aeroespacial. Ingressei na Univap não somente em busca de um emprego, mas em busca de realizações profissionais.

No contexto da implantação dos cursos supracitados, colaborei com o esforço do então diretor da FEAU, Prof. Dr. Élcio Nogueira, no sentido de implantar alguns laboratórios, com destaque para a instrumentação do Túnel de Vento Subsônico, a cargo do Dr. Olympio Achilles de Faria Mello, hoje diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e da construção do Túnel de Vento Supersônico, a cargo do Dr. Paulo Gilberto de Paula Toro, hoje coordenador de uma das principais instalações desse tipo em todo o mundo, no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), localizado em São José dos Campos.

Corpo docente

Em função do apoio da Embraer (formalizado por meio de um convênio Embraer-Univap, assinado em 08 de março de 2000) e do suporte do Prof. Dr. Élcio Nogueira, o CSSTA contava com um corpo docente formado pelo que havia de melhor no País na área aeroespacial. Eram profissionais da Embraer, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e Instituto de Estudos Avançados (IEAv). Este quadro era complementado por algumas competências existentes na própria Univap.

Por meio de avaliações semestrais, os alunos reconheciam a qualidade e seriedade do trabalho desenvolvido, até porque ele contrastava com aquele desenvolvido em outros setores da universidade. Em abril de 2002, uma Comissão do MEC avaliou, in loco, o Curso Superior Seqüencial em Tecnologia Aeroespacial (CSSTA) recomendando sua aprovação, sem restrições.

Visita a Moscou

Em maio de 2002, eu e o Prof. Dr. Élcio Nogueira, então Pró-Reitor de Graduação da Univap, visitamos o Instituto de Aviação de Moscou (MAl), a Cidade das Estrelas (centro de treinamento de cosmonautas) e o não menos famoso centro de desenvolvimento de motores-foguete Niichimash. No MAl fomos recebidos pelo reitor, Prof. Alexander Matveenko, na Cidade das Estrelas pelo cosmonauta Lazutkin e no Laboratório Niichimash pelo seu diretor, Dr. Makarov.

Em dez dias, foi assinado um protocolo de intenção com o MAl e outro com o Niichimash. Esses protocolos previam o apoio dos russos na implantação de laboratórios na Univap, bem como na realização de trabalhos conjuntos, merecendo destaque o desenvolvimento de uma turbina aeronáutica e de um veículo aéreo não tripulado, projetos estes de interesse nacional, sendo hoje desenvolvidos em outras instituições com apoio da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).

Cientistas russos humilhados

Atendendo a convite do reitor da Univap, uma comitiva do MAl veio ao Brasil no final de 2002. Apesar de ter convidado e pago todas as despesas da comitiva, o reitor sequer a recebeu. Esta atitude representou uma nova postura da Univap em relação ao excelente trabalho que vinha sendo conduzido por um grupo de profissionais altamente qualificados e idealistas, no sentido de tornar a Univap uma referência nacional na área aeroespaciaI.

O desmonte do projeto

Não tardou e outras medidas vieram, incluindo a sistemática e deliberada recusa em liberar os recursos previamente aprovados para a instrumentação do Túnel de Vento Subsônico e para a construção do Túnel de Vento Hipersônico. Houve também uma decisão de diminuir a remuneração paga por hora-aula aos professores do CSSTA de R$ 50,00 para R$ 15,00.

Aparentemente, o lucro oferecido pelo CSSTA, superior a 60%, não era suficiente. O reitor pretendia ampliá-lo para 80%, mesmo que isso representasse a saída dos melhores profissionais que dele participavam. Curiosamente, essas ações ocorreram após a aprovação do CSSTA pelo MEC.

Em que pese uma instituição filantrópica e sem fins lucrativos, o dia-a-dia na Univap revelava algo bastante distinto. No período em que lá permaneci, assisti à sistemática redução da carga-horária dos cursos de graduação. Concomitantemente, houve uma redução no número de professores contratados em regime parcial que, aliado à demissão de professores do quadro integral, fazia com que os professores remanescentes tivessem que lecionar um grande número de disciplinas diferentes a cada semestre.

Ambiente desfavorável

A lógica adotada é bastante reveladora da filosofia reinante. Os professores em tempo integral percebiam salário fixo, independentemente da carga-horária. Dessa forma, ao reduzir a carga horária dos cursos de graduação, demitir professores em regime parcial e integral e aumentar o valor da mensalidade, a instituição "filantrópica e sem fins lucrativos" elevava, ainda mais, o lucro do seu "negócio". Como professor nos cursos de engenharia, percebia um ambiente bastante desfavorável dos alunos em relação à Univap, uma vez que eles percebiam que as mudanças visavam, tão-somente, favorecer à universidade, em detrimento da qualidade do ensino. Não foi à toa que o número de alunos da Univap decresceu de modo significativo. Os professores viviam um conflito contínuo: de um lado alunos insatisfeitos e de outro um empregador nada preocupado com a qualidade do ensino. Se isso não bastasse, havia o iminente risco de demissão, que não era baseado em nenhum critério técnico ou de competência, mas, tão-somente, no desejo do reitor de punir àqueles que não concordavam com suas decisões.

Religião e psiquiatria

Apesar dos propalados princípios religiosos da instituição, o desprezo pelos valores éticos e morais era absoluto. Não era à toa que vários dos professores, a maioria com doutorado e no início das suas carreiras profissionais, recorriam à ajuda de psicólogos e psiquiatras. Não tenho dúvidas em afirmar que todos estes fatos podem ser facilmente comprovados.

Desligamento

Com o tempo percebi que o sucesso das nossas ações não interessava ao projeto do reitor, uma vez que isso significava a criação de vínculos com a instituição que, em longo prazo, poderia representar uma ameaça ao seu despotismo. Portanto, mesmo incoerentes sob os pontos de vista institucional e financeiro, as suas ações obedeciam a essa lógica macabra. Diante dessas constatações solicitei o meu desligamento da Univap em março de 2003. Desde então, acompanhei vários dos meus colegas seguirem o mesmo caminho. Como não lhes faltava competência, hoje eles estão trabalhando na Embraer, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), dentre outras instituições. As ações por nós iniciadas foram interrompidas, resultando em enormes prejuízos para a instituição e para a sociedade, à qual, aliás, a Univap pertence."

(*) José Bezerra Pessoa Filho é engenheiro mecânico com mestrado e doutorado. Chefia a Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). É representante do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) junto ao Conselho Técnico-Científico do Programa Uniespaço, da Agência Espacial Brasileira (AEB). É membro da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), do American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA), da Associação Brasileira de Cultura Aeroespacial (ABCAer) e diretor da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB). É membro da Comissão Organizadora da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica que em 2006 alcançou 306 mil estudantes em todo o Brasil. É recipiente da honraria Phi Kappa Phi por excelência acadêmica durante o seu doutorado,nos EUA - bezerra@iae.cta.br

José Pessoa Bezerra Filho - Um idealista apaixonado pelas viagens siderais

O direito de resposta ao reitor Baptista Gargione Filho ou qualquer membro da atual gestão da Univap está garantido.

Saiba mais: Túnel Hipersônico - Boicote na Univap - Humilhação na Univap - Aviões não tripulados - Americano denuncia Gargione - Canizza acusa Gargione - Fisioterapeuta quer diploma - Gargione de novo - Darwin Bassi denuncia Garione - Univap para inglês ver - Pro reitor aciona Univap - Doutora é demitida da UNIVAP - Mec Avalia Univap - Perseguição na UNIVAP

(*) Acassio Costa é advogado - acassio@vejosaojose.com.br


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