|
Poucos
países se empenham em desenvolver projetos espaciais, pois
são caros, demandam tempo e exigem excelentes cabeças
pensantes. A tecnologia, disputada a unhas e dentes, gera
enormes dividendos e boa parte do controle político do
planeta.
Resta
saber porque os projetos brasileiros são tão torpedeados. A
Plataforma de Alcântara explodiu matando os 22 cientistas do
projeto, até hoje pairam dúvidas quanto as causas do
“acidente”.
Que
motivos levaram a atual gestão da Universidade do Vale do
Paraíba a abortar um magnífico projeto que já possuía muitas
citações científicas internacionais favoráveis?
Quem
está dificultando o desenvolvimento dos projetos
aeroespaciais brasileiros? Cabe ao pessoal civil e militar
que cuida da Segurança Nacional responder.
Para o
engenheiro do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), José
Bezerra Pessoa Filho, uma das mais belas conquistas desse
meio século de tecnologia pode ser conferido a duas sondas
Voyage lançadas há 30 anos: "Na minha opinião, as
Voyager são a maior conquista da Era Espacial", diz
Bezerra que fez várias declarações a respeito da sua
permanência na Universidade do Vale do Paraíba, em São José
dos Campos:
"Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial - CTA
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)
Divisão de Sistemas Espaciais (ASE)
Praça Marechal Eduardo Gomes, 50
São José dos Campos, SP - 12.228-904
D E C L A R A Ç Ã 0 (*)
Ingressei na Univap em março de 2000, como professor com
dedicação parcial. Além de ministrar disciplinas na
Faculdade de Engenharia Arquitetura e Urbanismo (FEAU),
participei da criação do Curso Superior Seqüencial em
Tecnologia Aeroespacial (CSSTA) e do Curso de Especialização
em Engenharia Aeroespacial (CEEA), dos quais me tornei
coordenador. Participei também da criação do Curso de
Engenharia Aeroespacial. Ingressei na Univap não somente em
busca de um emprego, mas em busca de realizações
profissionais.
No
contexto da implantação dos cursos supracitados, colaborei
com o esforço do então diretor da FEAU, Prof. Dr. Élcio
Nogueira, no sentido de implantar alguns laboratórios, com
destaque para a instrumentação do Túnel de Vento Subsônico,
a cargo do Dr. Olympio Achilles de Faria Mello, hoje diretor
do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e da construção
do Túnel de Vento Supersônico, a cargo do Dr. Paulo Gilberto
de Paula Toro, hoje coordenador de uma das principais
instalações desse tipo em todo o mundo, no Instituto de
Estudos Avançados (IEAv), localizado em São José dos Campos.
Corpo
docente
Em
função do apoio da Embraer (formalizado por meio de um
convênio Embraer-Univap, assinado em 08 de março de 2000) e
do suporte do Prof. Dr. Élcio Nogueira, o CSSTA contava com
um corpo docente formado pelo que havia de melhor no País na
área aeroespacial. Eram profissionais da Embraer, Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto de
Aeronáutica e Espaço (IAE) e Instituto de Estudos Avançados
(IEAv). Este quadro era complementado por algumas
competências existentes na própria Univap.
Por
meio de avaliações semestrais, os alunos reconheciam a
qualidade e seriedade do trabalho desenvolvido, até porque
ele contrastava com aquele desenvolvido em outros setores da
universidade. Em abril de 2002, uma Comissão do MEC avaliou,
in loco, o Curso Superior Seqüencial em Tecnologia
Aeroespacial (CSSTA) recomendando sua aprovação, sem
restrições.
Visita
a Moscou
Em
maio de 2002, eu e o Prof. Dr. Élcio Nogueira, então
Pró-Reitor de Graduação da Univap, visitamos o Instituto de
Aviação de Moscou (MAl), a Cidade das Estrelas (centro de
treinamento de cosmonautas) e o não menos famoso centro de
desenvolvimento de motores-foguete Niichimash. No MAl fomos
recebidos pelo reitor, Prof. Alexander Matveenko, na Cidade
das Estrelas pelo cosmonauta Lazutkin e no Laboratório
Niichimash pelo seu diretor, Dr. Makarov.
Em dez
dias, foi assinado um protocolo de intenção com o MAl e
outro com o Niichimash. Esses protocolos previam o apoio dos
russos na implantação de laboratórios na Univap, bem como na
realização de trabalhos conjuntos, merecendo destaque o
desenvolvimento de uma turbina aeronáutica e de um veículo
aéreo não tripulado, projetos estes de interesse nacional,
sendo hoje desenvolvidos em outras instituições com apoio da
FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).
Cientistas russos humilhados
Atendendo a convite do reitor da Univap, uma comitiva do MAl
veio ao Brasil no final de 2002. Apesar de ter convidado e
pago todas as despesas da comitiva, o reitor sequer a
recebeu. Esta atitude representou uma nova postura da Univap
em relação ao excelente trabalho que vinha sendo conduzido
por um grupo de profissionais altamente qualificados e
idealistas, no sentido de tornar a Univap uma referência
nacional na área aeroespaciaI.
O
desmonte do projeto
Não
tardou e outras medidas vieram, incluindo a sistemática e
deliberada recusa em liberar os recursos previamente
aprovados para a instrumentação do Túnel de Vento Subsônico
e para a construção do Túnel de Vento Hipersônico. Houve
também uma decisão de diminuir a remuneração paga por
hora-aula aos professores do CSSTA de R$ 50,00 para R$
15,00.
Aparentemente, o lucro oferecido pelo CSSTA, superior a 60%,
não era suficiente. O reitor pretendia ampliá-lo para 80%,
mesmo que isso representasse a saída dos melhores
profissionais que dele participavam. Curiosamente, essas
ações ocorreram após a aprovação do CSSTA pelo MEC.
Em que
pese uma instituição filantrópica e sem fins lucrativos, o
dia-a-dia na Univap revelava algo bastante distinto. No
período em que lá permaneci, assisti à sistemática redução
da carga-horária dos cursos de graduação. Concomitantemente,
houve uma redução no número de professores contratados em
regime parcial que, aliado à demissão de professores do
quadro integral, fazia com que os professores remanescentes
tivessem que lecionar um grande número de disciplinas
diferentes a cada semestre.
Ambiente desfavorável
A
lógica adotada é bastante reveladora da filosofia reinante.
Os professores em tempo integral percebiam salário fixo,
independentemente da carga-horária. Dessa forma, ao reduzir
a carga horária dos cursos de graduação, demitir professores
em regime parcial e integral e aumentar o valor da
mensalidade, a instituição "filantrópica e sem fins
lucrativos" elevava, ainda mais, o lucro do seu "negócio".
Como professor nos cursos de engenharia, percebia um
ambiente bastante desfavorável dos alunos em relação à
Univap, uma vez que eles percebiam que as mudanças visavam,
tão-somente, favorecer à universidade, em detrimento da
qualidade do ensino. Não foi à toa que o número de alunos da
Univap decresceu de modo significativo. Os professores
viviam um conflito contínuo: de um lado alunos insatisfeitos
e de outro um empregador nada preocupado com a qualidade do
ensino. Se isso não bastasse, havia o iminente risco de
demissão, que não era baseado em nenhum critério técnico ou
de competência, mas, tão-somente, no desejo do reitor de
punir àqueles que não concordavam com suas decisões.
Religião e psiquiatria
Apesar
dos propalados princípios religiosos da instituição, o
desprezo pelos valores éticos e morais era absoluto. Não era
à toa que vários dos professores, a maioria com doutorado e
no início das suas carreiras profissionais, recorriam à
ajuda de psicólogos e psiquiatras. Não tenho dúvidas em
afirmar que todos estes fatos podem ser facilmente
comprovados.
Desligamento
Com o
tempo percebi que o sucesso das nossas ações não interessava
ao projeto do reitor, uma vez que isso significava a criação
de vínculos com a instituição que, em longo prazo, poderia
representar uma ameaça ao seu despotismo. Portanto, mesmo
incoerentes sob os pontos de vista institucional e
financeiro, as suas ações obedeciam a essa lógica macabra.
Diante dessas constatações solicitei o meu desligamento da
Univap em março de 2003. Desde então, acompanhei vários dos
meus colegas seguirem o mesmo caminho. Como não lhes faltava
competência, hoje eles estão trabalhando na Embraer, no
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade do Vale do
São Francisco (UNIVASF), dentre outras instituições. As
ações por nós iniciadas foram interrompidas, resultando em
enormes prejuízos para a instituição e para a sociedade, à
qual, aliás, a Univap pertence."
(*)
José Bezerra Pessoa Filho é engenheiro mecânico com mestrado
e doutorado. Chefia a Divisão de Sistemas Espaciais do
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). É representante do
Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) junto ao
Conselho Técnico-Científico do Programa Uniespaço, da
Agência Espacial Brasileira (AEB). É membro da Associação
Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), do
American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA),
da Associação Brasileira de Cultura Aeroespacial (ABCAer) e
diretor da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB). É
membro da Comissão Organizadora da Olimpíada Brasileira de
Astronomia e Astronáutica que em 2006 alcançou 306 mil
estudantes em todo o Brasil. É recipiente da honraria Phi
Kappa Phi por excelência acadêmica durante o seu
doutorado,nos EUA -
bezerra iae cta.br

O direito de resposta ao
reitor Baptista Gargione Filho ou qualquer membro da atual
gestão da Univap está garantido.
Saiba mais:
Túnel Hipersônico -
Boicote na Univap -
Humilhação na Univap -
Aviões não tripulados -
Americano denuncia Gargione -
Canizza acusa Gargione -
Fisioterapeuta quer diploma -
Gargione de novo -
Darwin Bassi denuncia Garione -
Univap para inglês ver -
Pro reitor aciona Univap -
Doutora é demitida da UNIVAP -
Mec Avalia Univap -
Perseguição na UNIVAP
(*) Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br |