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Lá fez
o curso primário, o secundário e um curso técnico em
mecânica. Graduou-se em Mecânica pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) onde fez o mestrado na área de
Ciências Térmicas e o doutorado, em 1998. Ficou por um ano
como aluno pesquisador no Instituto Politécnico de Zurique,
na Suíça, considerado a terceira melhor escola de Engenharia
do Mundo. O pós doutorado foi na Universidade Federal de
Uberlândia que é também referência em Mecânica.
Porque
veio para São José dos Campos?
Humberto Machado – Em 1999, quando estava terminando o pós
doutorado, entrei em contato com o Professor Élcio Nogueira,
que era o diretor da Faculdade de Engenharia da UNIVAP, e
propus a ele um projeto apoiado pela Agência de
Financiamento de Pesquisas, a Fapesp, onde eu trabalharia
como pesquisador visitante.
Como
assim?
– O projeto incluía dinheiro para a compra de equipamentos e
uma bolsa com um valor mensal. O projeto foi aprovado, eu
fui contratado como professor pela UNIVAP, e pude até
dispensar a bolsa, isso no ano de 2000. Ingressei com a
referência 11.
Entrou
pelas mãos do Professor Élcio Nogueira?
– Isso,- ele contratou a mim, e por meu intermédio, mais
dois colegas da pós graduação, Professor Luiz Mariano e a
Professora Lucília Batista ,para fortalecer o grupo de
Ciências Térmicas. Já estavam lá a Professora Heidi
Korzenowski e o Professor Pedras, também entraram o Doutor
Carlos Pimentel e o Doutor Manolo, nenhum deles está mais na
UNIVAP.
Como
foi o começo?
– Inicialmente, montamos um grupo de pesquisas em Ciências
Térmicas, para trabalhar na área de Transferência de Calor e
Mecânica dos Fluidos, um grupo extremamente forte e muito
bem montado pelo Professor Élcio.Tanto foi que, em menos de
um ano, após termos cadastrado o grupo de pesquisa, o CNPq
nos considerou um grupo de pesquisas consolidado, coisa que
pouca gente consegue até num tempo bem maior.
Foi um
grupo especial?
– Foi um grupo muito forte, com uma das maiores taxas de
produção científica da Universidade. A intenção era montar
um programa de pós graduação, um mestrado Stricto Senso
em Engenharia Mecânica. Nos unimos a um outro grupo, o de
Engenharia de Materiais, também formado pelo Professor
Élcio, e conseguimos aprovar, logo na primeira tentativa, um
Curso de Mestrado em Engenharia Mecânica Stricto Senso.
A Comissão do Mec veio, avaliou o corpo docente, a
proposta do curso, a estrutura que estava sendo montada e
considerou o curso viável, algo difícil de acontecer.
Nessas
alturas, já podiam oferecer o curso de mestrado?
– Isso mesmo, chegamos a oferecer o curso de mestrado,
tivemos alunos e demos aulas, mas eu fui demitido antes que
o curso se consolidasse.
E
sobre o Túnel Hipersônico?
– Eu não estava envolvido diretamente, era algo ligado ao
Grupo de Ciências Térmicas, chefiado pelo Dr. Paulo Toro, um
pesquisador do IAV, que havia aprovado um projeto na Fapesp
de um milhão de dólares para a montagem do Túnel, a parte
física chegou a ser praticamente construída pelo Dr. Manolo
e o Engenheiro Garcia.
Mas,
de repente, houve uma interrupção do projeto. Certamente
pela rivalidade surgida entre o Professor Élcio, já pro
reitor de Engenharia e o Professor Marcos Tadeu, diretor do
IP&D que chegou a pressionar no sentido de transferir o
Túnel Hipersônico para o prédio do Instituto. Ele não
conseguiu tirar, mas o projeto parou. Nunca foi usado e
virou ferro velho.
Então
na realidade, houve um desmonte do projeto?
– Tudo que foi criado parou. O laboratório de Fenômenos de
Transporte, o de Hidráulica era exemplar e eu só consegui
ver os restos dele. Era um laboratório que poucas
universidades brasileiras têm. Eu dei pouquíssimas aulas de
laboratório, algo muito aquém do que era possível.
Então
era uma enganação?
– O laboratório era muito mais uma vitrine do que
efetivamente um laboratório, tanto o de ensino como o de
pesquisa. Acho que a maior utilidade dele era a de aprovar o
curso junto ao MEC, o uso foi mínimo e não havia condições
de preparar o laboratório pra receber uma turma de 40
alunos.
Chegou
a ser pressionado pela direção da UNIVAP?
– A minha situação era confortável. Sou solteiro e moro
sozinho e a minha despesa não é grande. Além disso, se fosse
demitido poderia trabalhar em qualquer lugar, e não era o
que acontecia com a maioria dos professores, casados e com
família, que não podiam se dar ao luxo de arriscar uma
demissão. Era visível que eles sofriam pressão,
principalmente quando éramos obrigados a dar aulas que nada
tinham a ver com o nosso currículo.
Uma
vez fui obrigado a dar aula de Administração para a
Engenharia, sendo eu engenheiro mecânico e doutor em
ciências térmicas. Não tenho experiência administrativa e
nem formação. O horário chegava pronto e se aceitava ou caia
fora. Haviam professores de engenharia, de química e física
que tinham que dar aulas de comunicação e expressão,
simplesmente para tampar buracos.
E você
agüentou até quando?
– A partir do momento que senti que não íamos ter apoio da
reitoria para o curso de mestrado,- não havia bolsas para os
alunos, nem se tinha nada do que era pedido, isso por volta
de 2003, quando o grupo começou a se dispersar. O Professor
Marcos Pedras saiu e foi trabalhar na Embraer, como
engenheiro. O Professor Luiz Mariano foi para a Universidade
Federal do Vale do São Francisco onde é pro reitor. A
Lucília é professora na Universidade Estadual de Pernambuco,
O Carlos Pimentel é professor da Universidade Federal do
Tocantins, os demais estão bem colocados.
Quando
saiu da UNIVAP?
– Eu havia prestado um concurso no CTA e passado em primeiro
lugar. Trabalho como pesquisador assistente na área de
Termodinâmica, no IAE, em área de foguetes e também sou
professor adjunto na Universidade Estadual do Rio de
Janeiro, no campus de Rezende. Fui demitido da UNIVAP no
início de 2005. Lá existe um bom corpo docente que não tem
liberdade pra trabalhar. São pessoas de altíssimo nível, na
área de materiais, principalmente.
Deixei
bons amigos, só não gostei da excessiva carga de trabalho,
cheguei a ter uma carga de 20 horas aula durante a semana, o
que significa dar aulas todas as noites e ainda aprovar
projetos e orientar alunos etc. Tudo isso com referência 12.
Era comum ver alguns colegas tomando anti depressivos, com
doenças psicossomáticas e até brigando entre si. Cheguei a
ser ameaçado por um aluno que não gostou da reprovação, -
meu carro sofreu depredações. Vi professores serem
humilhados por alunos sem providências da direção, num total
desrespeito aos docentes.
Tem
esperança que haja mudança na UNIVAP?
– Olha, eu estive em Uberlândia que é uma cidade do porte de
São José dos Campos e que tinha uma rivalidade com Uberaba
que durou 40 anos. A partir do momento que a Universidade
Federal de Uberlândia foi instalada, a cidade decolou.
Precisamos de uma UNIVAP que funcione como universidade com
ensino, pesquisa, interação com a comunidade. Eu torço para
que isso aconteça com São José dos Campos.
Fale com Humberto Machado:
humbertoam@iae.cta.br
Mais uma vez tentamos
ouvir o reitor da Univap, professores e conselheiros, mas
não obtivemos resposta até o fechamento dessa edição. O
espaço está aberto.
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(*) Acassio Costa é advogado
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acassio@vejosaojose.com.br |