Segundo estudos sérios, as doenças respiratórias têm comprovadamente relação direta com a poluição atmosférica.
De acordo com estatísticas da Secretaria de Saúde de São José dos Campos, a população da cidade saltou de 599.794 para 627.747 habitantes entre 2007 e 2010.
No mesmo período, o número de internações hospitalares por problemas respiratórios via SUS (Sistema Único de Saúde) passou de 3.343 para 3.531 por ano.
Tais ocorrências são classificadas tecnicamente como CID10 Capítulo X (J00 - J998).
Se parássemos por aí, poderíamos dizer que houve uma leve variação a maior no aumento de doenças respiratórias no município.
Aí é que está o grande engano.
A Saviver (Sociedade Amigos do bairro Vista Verde) solicitou recentemente à Secretaria de Saúde que a mesma compilasse e consolidasse estes registros existentes, mas, para a nossa trágica surpresa, verificamos que algumas regiões da cidade --sempre na comparação do ano de 2010 com 2007-- registraram aumentos entre 19%e 25% nas internações hospitalares por esse tipo de problema, frente a um crescimento populacional de apenas 4,7%.
Este quadro estatístico também mostra outros números muito preocupantes,como taxa de morbidade por doenças respiratórias e a quantidade de casos de asma, entre outros.
A situação é extremamente séria se levarmos em conta a evolução das fontes geradoras de poluição doar em nosso município. Estudos recentes de um dos maiores especialistas no assunto, o professor Paulo Saldiva, da USP(Universidade de São Paulo), citam a Revap (Refinaria Henrique Lage) e a via Dutra como as principais fontes de poluição doar na região.
Face a essas estatísticas da Secretaria Municipal de Saúde, constatamos que das duas regiões da cidade que estão junto a rodovias, a região Oeste, ao lado da Dutra, teve redução no numero de internações, e a região Sudeste (Putim, São Judas Tadeu, Capuava, entre outros), que também está ao lado de uma importante rodovia, a Tamoios, foi a que evoluiu menos nas estatísticas.
Sobra então a tese já debatida e defendida por nós: a maior influenciadora da qualidade do ar em São José dos Campos é a Revap.
A Saviver está pleiteando junto à Petrobras, via Ministério Público, a colocação de estações medidoras dos vários tipos de poluição doar na zona leste, mas, diante destas tristes estatísticas, constatamos que é urgente que as forças vivas da cidade se mobilizem urgentemente para que estes equipamentos sejam colocadas em todas as regiões, sendo mais de uma estação em algumas regiões.
É urgente que se tome essa medida porque a quantidade de provas e evidências –inclusive estas objetivas e entristecedoras estatísticas da Secretaria de Saúde-- talvez ainda não sejam suficientes para provar e comprovar, à Petrobras e às autoridades competentes, que a Revap precisa urgentemente adicionar ao seu mega plano de ampliação os investimentos necessários em tecnologia e melhoria de gestão para eliminar esta terrível agressão silenciosa ao nosso ar.
Haverá um custo para isto. Talvez seja este o problema, porque a empresa parece mais preocupada no volume de produção e nível de lucro do que na qualidade de proteção humana no seu processo enquanto produz e nos gases que lança ao ar.
Mas será um custo que, por mais alto que seja, não cobrirá um milionésimo do valor da saúde das centenas de trabalhadores da refinaria e das milhares de pessoas que moram na cidade.
Nelson Borges é Diretor de Meio Ambiente da Sociedade de Amigos do bairro Vista Verde - Saviver
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