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A Câmara Municipal de São
José dos Campos se encheu de políticos e ambientalistas do
Vale do Paraíba, Litoral Norte, Serra da Mantiqueira e Sul
Fluminense, na noite do dia 30 de novembro.
As discussões giraram em
torno da transposição das águas do rio Paraíba do Sul
pretendida pelo governo José Serra. Entretanto, o que se viu
foi muita conversa mole e imagens projetadas no data show.
O prefeito de São José dos
Campos afirmou ignorar os estudos do Governo Estadual.
Segundo Cury, o desvio das águas vai prejudicar o Vale do
Paraíba e não resolverá o problema da super metrópole
paulista.
Na mesma linha do prefeito
joseense, se pronunciaram Hamilton Ribeiro (PT) prefeito de
Jacareí, os deputados Emanuel Fernandes (PSDB) e Marcelo
Ortiz (PV) e os deputados estaduais Carlinhos Almeida (PT),
Padre Afonso Lobato (PV) e a deputada Inês Pandelo (PT/RJ).
Uma comitiva de 14 pessoas
com políticos, religiosos e representantes da sociedade
civil de Volta Redonda (RJ), esteve presente no Fórum de São
José.
O bispo de Volta Redonda e Barra do Piraí, Dom João Maria
Messi, defendeu o engajamento da sociedade civil em defesa
das águas do Paraíba. "Escolas, igrejas, cada pessoa
presente deve protestar contra o abuso de se discutir uma
transposição sem transparência, sem envolver as comunidades.
Não sou totalmente contrário à transposição, mas sim ao
jeito como vêm sendo feita."
O Forum foi organizado
pelo movimento suprapartidário dos vereadores Renata Paiva (DEM)
de São José, Rose Gaspar (PT) de Jacareí e Jeferson Campos
do (PV) de Taubaté.
O evento serviu de cortina
de fumaça para encobrir, mais uma vez, a irresponsabilidade
das autoridades para com as águas do Paraíba, repletas de
metais pesados, produtos químicos, fármacos, hormônios
sexuais e desreguladores endócrinos, componentes que não são
separados nos tais “tratamentos” feitos pela Sabesp e outras
empresas responsáveis pela distribuição de água à população.
Nenhuma “autoridade”
presente comentou os criminosos lançamentos de esgotos in
natura feitos pela Sabesp que assalta o consumidor, cobrando
caro pelo tratamento dos esgotos que não realiza, um
atentado à saúde pública. Quem sabe, quando uma vereadora
tiver um câncer na tireóide, os políticos se mexam.
Depois de duas horas de
muito trololó, a mesa diretora resolveu dar dois minutos
para os pronunciamentos dos presentes. Se ouviu rapidamente
as reclamações dos ambientalistas, Fabrício, Vicente Cioffi,
José Moraes, João Thomaz da Costa e outros.
O Defensor Público Wagner
Giron De La Torre esclareceu:
“Todo debate qualificado e objetivo que traga informações à
população como um todo é bem vindo.”
Como
vê a questão das águas do rio Paraíba do Sul?
– Wagner Giron - A questão do rio Paraíba, infelizmente,
está vindo à baila somente agora com esse aceno de um
projeto de transposição, ainda obscuro, por falta de
espírito democrático do Governo Estadual em detalhá-lo
melhor com a sociedade. A situação do rio quanto a sua
degradação tem sido aprofundada há décadas. Só agora se
alerta para essa situação deletéria.
O que
aconteceu com o Paraíba?
– Trata-se de um imenso processo de mais de cinco décadas
com intensa poluição industrial, por dejetos orgânicos, por
lançamentos de esgotos in natura; - Agora com avanço
descontrolado e total omissão do Estado de São Paulo,
através da Secretaria Estadual do Meio ambiente, das
secretarias e órgãos municipais.
E
quanto as plantações de eucaliptos?
– São cerca de
duzentos milhões de árvores de eucalipto plantadas no Vale,
cada uma delas sugando trinta litros de água por dia dessa
bacia hidrográfica. Esses questionamentos são anteriores,
mas, esse projeto de transposição é bem vindo, porque ajuda
a tornar público uma questão relevante.
Essas
autoridades presentes não são responsáveis pela preservação
do Paraíba? - Não só
elas, mas como toda uma geração é responsável,
principalmente os administradores que aqui estão. De uma
forma ou de outra, possibilitam o modelo econômico que
objetiva o lucro acima de tudo, ignorando as formas de
proteção e preservação ambiental, normas que democratizam o
acesso e a gestão dos recursos hídricos.
Como
assim? – Fazem leis
que privilegiam o desenvolvimento econômico, colocando em
plano secundário a questão ambiental, pauta prioritária para
a sobrevivência humana.
O
pessoal de Jacareí não falou nada sobre a poluição do
Paraíba pela Votorantim, pela Cognis, pela Monsanto e outras
empresas, como vê isso?
– Exatamente, uma
das maiores poluidoras do mundo é a produção de celulose e a
de petróleo. Oitenta por cento dos municípios do Estado de
São Paulo não tem esgoto tratado. A Sabesp não consegue
recolher e tratar os esgotos, devolvendo água limpa aos rios
a exemplo do Paraíba.
Em São
José são sessenta por cento do coletado, em Taubaté, cem por
cento. Como vê a Sabesp recolhendo, não tratando, e lançando
os esgotos no rio Paraíba?
Acho alarmante, é no mínimo prevaricação no sentido da
omissão de uma obrigação primacial do Governo do Estado e
dos administradores municipais em garantir o saneamento
básico à população. Existem recursos para isso.
Em São
José a contratante é a prefeitura, o responsável é o
prefeito que assinou um novo contrato com a Sabesp que está
roubando a população. Como é que fica?
– Eu desconheço o aspecto da contratação, mas acho que
deveria haver investimento maciço em saneamento, já que a
população paga pela coleta e tratamento dos esgotos. Vem de
encontro ao que falamos antes, existem outros fatores que
degradam há décadas muito mais o rio do que o projeto de
transposição que precisa ser questionado.
Tem conhecimento que as águas
do rio Paraíba contem metais pesados, produtos químicos,
fármacos, hormônios sexuais e desreguladores endócrinos?
– Se isso for constatado, é alarmante. Não conheço detalhes
através de laudos técnicos.
O pior
é que o “tratamento” da Sabesp não separa e deixa os agentes
citados na água fornecida à população, o que isso
representa? – É mais
um crime. A nossa função é pegar as provas, documentar esse
drama sócio ambiental e entrar com as medidas judiciais
competentes para obrigar, não só o Estado, mas os municípios
a cumprir suas obrigações de monitorar, fiscalizar, coibir e
reprimir esse tipo de poluição.
Então esse evento, na Câmara
Municipal, chamou a atenção?
– Chamar a atenção,
chamou. Tomara que não fique somente no pavoneamento
político de algumas autoridades com retóricas vazias e sem
ações concretas. Espero que surjam ações concretas de
proteção ao rio Paraíba que não se limitem à questão da
transposição e sim ao combate à poluição industrial e
sanitária, principalmente ao controle das monoculturas de
eucalipto que exaurem os recursos hídricos da região.
Tem muito eucalipto plantado
em São José? –
Segundo nossos dados, a maior área de plantação contínua
está na região de São José dos Campos. Ao que parece,
nenhuma prefeitura tem capacitação técnica para monitorar e
fiscalizar os efeitos sócio ambientais no Vale do Paraíba e
em todo o Estado de São Paulo. Para, inclusive, cobrar a
carga tributária devida pelas empresas que fomentam o
cultivo industrial. Infelizmente.
Quais são os principais
malefícios da monocultura do eucalipto? –
Principalmente na área de serra e mar, de morros, que
compõem a maior parte do território, as empresas não
respeitam as normas ambientais, violam APPs, plantam em
escala oceânica sobre topos de morro destruindo matas
ciliares, invadindo áreas de mananciais sem respeito ao
distanciamento das fontes de água, usando toneladas e
toneladas de agro tóxicos a base de glifosato que, junto com
os metais pesados, esgotos domésticos, e dejetos
industriais, é mais um componente gravíssimo de poluição do
lençol freático e das águas da bacia do Paraíba.
Em Taubaté -
Toda a bacia do rio Uma,
um dos principais afluentes do Paraíba, está tomada pelo
eucalipto com total omissão das autoridades municipais e
estaduais. Alem disso, temos o êxodo rural pela falta de
geração de empregos.
Autoridades nem aí
- Enfim, é a violação e a
supressão da cultura tradicional do povo valeparaibano, à
revelia das autoridades. As prefeituras não estão nem aí no
sentido de criar mecanismos de controle e fiscalização das
Áreas de Proteção Permanente. Uma omissão constatada em
todas as prefeituras do Vale do Paraíba.
Picaretagem
- Muitas ongs que
se dizem ambientalistas são cooptadas, recebem subsídios das
grandes produtoras de celulose para fazer com que o sistema
de proteção ambiental não funcione.
Fale com Wagner Giron De La Torre –
wtorre@dpesp.sp.gov.br –
tel: 12 - 3624.3702






Água
do rio Paraíba é cancerígena -
4Veja
a entrevista
(*)
Ricardo Faria –
ricardo@vejosaojose.com.br |