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  21.02.2011  22h.05  
 

Terror na Polícia Civil de São Paulo

 
por Ricardo Faria com Acassio Costa  

Doutor, doutor, doutor... Socorro! Socorro! -  Não, não, não... Não vou ficar pelada aqui! Não tira a minha roupa... Vitor, Vitor, por favor chama o meu delegado...  Aiiiiiiiiii, Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Vai quebrar o meu braço. Que absurdo, estão me deixando pelada...

 

Os gritos desesperados de Vanessa, ex escrivã da Polícia Civil, estão num vídeo de mais de 40 minutos feito pela Corregedoria, em 2009, na 25ª Delegacia de Parelheiros, na zona sul de São Paulo.

De acordo com a Corregedora Geral da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio Valente, “a gravação foi feita para a garantia de todos, como é comumente feito em ações da corregedoria.”

Fabio Guedes Garcia da Silveira, um dos advogados da ex-policial, disse ao G1 que Vanessa não descarta processar o estado por causa da divulgação das imagens.

Ao tomar conhecimento dos fatos, o radialista João Alckmim se posicionou: Na minha maneira de ver trata-se de uma violação de direitos, um abuso, uma ilegalidade.

Como assim? – João Alckimim – Ao tentar apurar o suposto crime de suborno, que teria sido cometido pela escrivã, os policiais a desnudaram alegando uma revista pessoal.

Eles afirmam tratar-se de uma revista – Não se pode confundir revista pessoal com revista íntima e foi o que aconteceu. A escrivã foi violentamente algemada pelos “bravos e corajosos delegados cana dura”, atirada ao chão, teve suas vestes arrancadas por vários homens.

Então foi algo terrível? – Exatamente, e o que causa espanto foi a inércia e a covardia do delegado titular do distrito que assistiu ao delito e simplesmente se omitiu.

E o delegado corregedor? – Não consigo entender o porque desse delegado pedir assistência a policiais militares e guardas civis metropolitanos. É a falência da Polícia Civil. Faço uma indagação: se a situação fosse inversa, a Polícia Militar permitiria que policiais civis desnudassem uma policial militar? Obvio que não. Assim, a Polícia Civil do Estado de São Paulo vai chegando ao barrento fundo do poço de onde duvido que consiga sair!

O uso de algemas nesse caso é permitido? – Acho que o delegado corregedor esqueceu que o uso de algemas é regulamentado. Basta assistir ao vídeo e ver que a escrivã não ofereceu resistência, requereu apenas o seu direito de ser revistada por uma mulher.

Os fatos ocorreram em 2009, por que somente agora vieram a publico? - É muito estranho. Onde estava a fita com as gravações? Ela foi anexada ao processo administrativo? Foi enviada ao promotor? E o juiz tomou conhecimento? Em caso positivo, tenho pavor do delegado que presidiu o processo administrativo, do promotor e do juiz que tomaram conhecimento dos fatos.

E se o delegado e omitiu os fatos? – Nesse caso, simplesmente prevaricou ao acobertar ato ilícito.

E quanto à Corregedoria? – É estarrecedor que a Corregedora Geral, Maria Inês Trefiglio, tenha defendido seus subordinados em várias entrevistas. Trata-se de uma delegada respeitada, professora da PUC. Depois disso tudo, como irá encarar seus alunos?

E o Secretário da Segurança? – Não vi nenhuma declaração do Antonio Ferreira Pinto que também é procurador de justiça.

E daí? - Quem cala consente; - O vistoso prédio da Corregedoria, na avenida da Consolação, pode, a partir de agora, até mudar o nome para Lubianka, seus agentes, como os da KGB, usam de métodos tenebrosos que lembram os do antigo DOI-Codi.

E os policias honestos, o que ocorre com eles? – Me lembro bem do caso do Newton Cesar de Azevedo, um investigador que respondia a um processo administrativo. Ele foi pressionado de tal maneira que no último dia 24 de dezembro foi à Santos, e lá, ao lado do túmulo do pai, suicidou-se com um tiro na cabeça. O delegado Eduardo Peretti Guimarães teve um edema cerebral também em face das pressões.

Até quando esses fatos se repetirão? – Causa espanto que policiais sejam demitidos a toque de caixa por terem supostamente cometido pequenos delitos.

Talvez por fofocas, denuncias infundadas é isso? – O delegado conhecido como Conde Guerra, responsável pelo blog Flit Paralisante, por exemplo, faz pesados ataques contra membros da Polícia Civil e da Polícia Militar, gerando muita discórdia. Ele agora defende a Corregedora Geral a quem, até pouco tempo, atacava violentamente.

Não é muito estranho isso? – Tem algo no ar. Sei por boas fontes que ele recebe informações privilegiadas. Conde Guerra hoje faz a defesa do Secretário Ferreira Pinto.

Afinal, o dinheiro da propina estava ou não com a ex-escrivã? – Após assistir o vídeo por diversas vezes, em nenhum momento vi encontrarem o dinheiro com ela. No momento exato em que o delegado disse ter encontrado, um policial militar passa na frente da câmera. E mais, o delegado afirma: “aqui está o dinheiro, tenho cópias dessas notas.” Demonstração clara houve um fragrante preparado e não esperado, conforme reza a Lei.

Fragrante preparado, como assim? – Segundo as informações, a escrivã teria liberado um homem acusado de porte de arma e munições em troca de propina e eu pergunto: a liberação de algum acusado é função da escrivã ou da autoridade policial, no caso o delegado?

E quanto a tão propalada moralização da Polícia civil? – Não será dessa maneira. As máquinas caça-níqueis funcionam aos montes. Basta ver o escândalo que explodiu recentemente em Osasco. Que providências tomou o Secretário da Segurança?

Como foi e escândalo dos caça-níqueis em Osasco? – Os crimes acontecem há mais de dois anos e quem era o delegado seccional? O Dr. Fernão – Quem era o diretor do Demacro? O Dr. Carneiro, hoje nomeado diretor geral da Polícia Civil. Quem é o seccional de Osasco? Um parente da Delegada Geral Adjunta. Quem é o diretor do DEIC? O Dr. Nelson Silveira que tem como policiais de confiança o Chumbinho, Miranda, Carlão e Diogo.

Então a coisa vai mal? – Quem quiser que escute e veja: o Secretário da Segurança é também procurador de justiça. Tem obrigação de tomar providências, sob risco de ser taxado de conivência com a ilegalidade e de transformar a Corregedoria da Polícia Civil numa KGB, SS ou Gestapo?

O que o Secretário deve fazer? – Ele não pode permitir a continuação desse tipo de coisa, do uso de métodos que lembram o famigerado DOI-Codi. Se não tomar providências urgentes poderá ser lembrado como o Dr. Pedro de Campos, responsável pelo “Massacre da Detenção”, como o Dr. Saulo de Castro, lembrado pelo Massacre do Castelinho ou o Professor Hely Lopes Meirelles, patrono do “Esquadrão da Morte”.

E o Governador Geraldo Alckmim qual é o papel dele nisso tudo? – Chegou a hora dele retirar o sorriso plastificado da cara e dizer a que veio. Lembrando que, quando vice governador, intermediou a rendição do seqüestrador do empresário Silvio Santos, oferecendo garantia de vida. Entretanto, após dois meses na prisão, veio a morrer sem maiores explicações. Ao assumir o governo, Geraldo manteve Ferreira Pinto como secretário que tantos males causa à Policia e a população.

Qual é a solução? – É preciso conseguir irremovibilidade dos policiais. Os delegados seccionais devem ser concursados e não por indicação política, é o que causa o caos na Policia Civil.

O caso da violência contra a escrivã ganhou a mídia nacional – Isso mesmo, e até pronunciamento da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que acompanhou as imagens divulgadas pela TV Band. Ela defende o afastamento imediato dos policiais que aparecem no vídeo com punição exemplar para eles. Espero que a Ministra estenda esse tratamento para o Secretário da Segurança de São Paulo, os promotores e o próprio juiz do caso.

E o seu programa semanal na Rádio Piratininga AM, de São José dos Campos? -  Informo aos ouvintes que estaremos na Rádio Trianon de São Paulo, agora também com a presença do jornalista Ricardo Faria do site vejosaojose.com.br.

Veja na mídia nacional: Vídeo em que ex-escrivã de polícia é despida em delegacia cai na internet


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