Afirmação é de
especialista da USP, baseado em estudos
realizados entre 1983 e 2008 por
pesquisadores italianos
“Em análise geral, aqueles que vivem perto
de uma termelétrica têm maiores chances de
contrair problemas de saúde”, afirma o
professor de Medicina da USP (Universidade
de São Paulo), Paulo Saldiva.
A afirmação do especialista em Saúde Pública
é baseada numa grande compilação de estudos,
realizados entre 1983 e 2008, por cinco
pesquisadores italianos.
Os resultados apontam que o manuseio de
resíduos sólidos em aterros sanitários e
incineradores de lixo produz gases poluentes
que podem vir a ter efeitos prejudiciais à
saúde humana.
Apesar de não afirmar com 100% de certeza
suas teses, os pesquisadores destacam que há
riscos altos de má formação congênita
àqueles que vivem em um raio de até 10
quilômetros de aterros e também de câncer no
caso das usinas de queima de lixo.
“A termelétrica é ainda pior que um aterro.
O aterro, quando bem conduzido, tem seus
impactos minimizados”, afirma Saldiva.
Em São José, uma rápida andada no entorno do
aterro sanitário, que fica Torrão de Ouro,
zona sul da cidade, mostra que dezenas de
pessoas moram nas proximidades. Coladas ao
‘lixão’, como chamam, são pelo menos quatro
famílias. Não muito longe dali, toda uma
comunidade do bairro Interlagos.
É ali no aterro, que tem vida útil estimada
em mais dez anos, segundo o governo do
prefeito Eduardo Cury (PSDB), que a
prefeitura pretende instalar uma a Usina de
Recuperação Energética, ou seja, uma
termelétrica.
A instalação de uma geradora de energia é
defendida pelo governo como alternativa para
ampliar a vida útil do aterro. Com ela,
parte do lixo seria transformada em energia.
A proposta, que hoje se encontra em fase de
consulta pública, é polêmica e enfrenta
resistências de ambientalistas da cidade. O
governo, inclusive, solicitou à Cetesb
(Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental) na última semana informações
sobre o que precisa ser feito para a
aprovação do licenciamento ambiental.
Estudo. Saldiva disponibilizou a O VALE os
resultados levantados pelos pesquisadores
italianos.
Nele, aponta-se que a incineração de lixo
podem causar doenças congênitas àqueles que
estão num raio de até dez quilômetros. As
chances de ter um desenvolvimento anormal de
órgãos, segundo o estudo, é classificada
como média.
Num raio de três quilômetros, os problemas
se multiplicam: as chances de desenvolver
cânceres no fígado, sangue (glóbulos
vermelhos) e tecidos são consideradas altas.
“O manejo de lixo é difícil, não é um
problema restrito a São José. O ideal é
produzirmos menos lixo, concentrar esforços
na reciclagem”, afirma Saldiva.
A discussão de Saldiva, com base no estudo,
questiona especialmente a instalação de uma
termelétrica em área próxima à população. O
ideal seria que empreendimentos desse tipo
ficassem afastados dos centros urbanos.
“Um agravante é que São José, região de
vales, tem dificuldade na dispersão da
poluição”, completou o professor.
A Cetesb classifica o ar da cidade como
“saturado”.
Prefeitura inicia processo junto à Cetesb
São José dos Campos
A Prefeitura de São José dos Campos
solicitou na última quarta-feira à Cetesb
informações sobre os critérios e trabalhos
necessários para emissão de licença
ambiental que autorize a instalação de uma
termelétrica no aterro sanitário do Torrão
de Ouro.
Conforme explicação do governo, trata-se da
primeira etapa do processo de licenciamento.
Entretanto, a prefeitura nega que esse passo
seja um indicativo que a termelétrica já é
uma certeza na cidade.
“O processo pode sim ser modificado e
adequado de acordo com o retorno da
população. A intenção é trabalhar o projeto
da forma mais correta possível”, afirmou o
assessor de Planejamento em Comunicação,
Felício Ramuth.
“A etapa agora é de consulta. Caso exista
uma termelétrica, qual é a melhor maneira de
fazê-la. Depois vamos discutir isso com os
vereadores. E haverá uma terceira fase de
audiências públicas”, emendou.
Felício explicou que o governo já procurou a
Cetesb porque os critérios do licenciamento
são parte integrante de um futuro edital.
O VALE tentou repercutir o tema com o
secretário de Meio Ambiente, André Miragaia,
mas o governo afirmou que não se
manifestaria por não ter conhecimento dos
estudos.
A TERMELÉTRICA
Dezembro 2009
-
Início do
Projeto - A Estruturadora Brasileira de
Projetos, empresa de investimentos de risco
que tem como acionistas oito dos principais
bancos do país, foi selecionada para
elaborar o projeto da implantação de uma
usina termelétrica no aterro sanitário
O projeto
-
Termelétrica -
São José produz 600 toneladas de lixo por
dia. Com a termelétrica, o lixo orgânico é
destinado para a bio-digestão,
transformando-o em compostagem após a
remoção de água e gás metano e o
remanescente e o lixo seco são destinados à
incineração. A partir da queima, a meta é
gerar energia elétrica para atender até 200
mil habitantes
Polêmica
-
Outras saídas
- Para ambientalistas da cidade, a
termelétrica não é prioridade. Coleta
seletiva, reciclagem e campanhas
educacionais para consumo sustentável seriam
medidas mais eficazes, tanto na questão
educacional como para o Meio Ambiente
Saúde
-
Riscos
Estudos apontam que usinas podem causar
cânceres e má formação congênita àqueles que
vivem em seus arredores
OVALE
COMENTÁRIOS - É muita irresponsabilidade insistir no projeto de uma termelétrica em São José dos Campos. Já basta a enorme poluição atmosférica da Revap que adoece e mata sem que nenhuma autoridade exija o exame toxicológico dos moradores do entorno. Se o prefeito Eduardo Cury tivesse comparecido ao último Seminário sobre Mudanças Climáticas e a Implantação de Termelétricas realizado na cidade poderia ter escutado o cientista Paulo Saldiva falar sobre o destino do lixo e como abominou as termelétricas. Seria bom Cury conhecer mais sobre o problema do lixo e como resolvê-lo. Para isso, basta manter contato com o prefeito de Ibiporã, no Paraná. Com certeza, o excelente prefeito José Maria o atenderá muito bem. Aqui o site da prefeitura: http://www.ibipora.pr.gov.br/ - Se houver insistência no projeto da termelétrica, só nos restará ir à Justiça e, alem disso, trabalhar contra o candidato de Cury nas próximas eleições. Comentado por Ricardo Faria, 14/06/2011 11:55
Olho Vivo, seu comentário sobre a Lei de Zoneamento é improprio, foi a coisa mais séria e de bem que esta cidade já teve, voces irão dar valor a isto daqui a 10 anos, isto foi feito olhando a cidade e não interesses de vereadores, empreiteiros, corretores, especuladores e oportunistas(leia-se partidos politicos), procure saber o que contem a Lei de Zoneamento, um avanço sem precedentes na questão urbana e ambiental (pergunte o quantos estes ambientalistas contribuiram para esta lei), nada, só criticam, mas não trabalham. Quantos foram nas audiencias publicas entender o que estava sendo discutido? Não é a toa que outras cidades estão debatendo o assunto.Veja o numero de espigões que estavam sendo construidos e que infelizmente ainda existem muitos para serem construidos que foram aprovados na lei anterior. Mas a longo prazo isto já acabou. Voces sabiam que os poliesportivos da prefeitura possuem piscina aquecida? eu não, só descobri quando fui na casa de um amigo na frente do poliesportivo na zona norte, tudo isto não é para os ricos e sim para os pobres daquela região. Comentado por imparcial, 14/06/2011 10:50
HORA BOA PARA O PT SE ELEGER. BASTA LEVANTAR A BANDEIRA DE QUE JAMAIS INSTALARÁ UMA USINA TERMELETRICA NA CIDADE E QUE CORRABORA COM A IDEIA DOS AMBIENTALISTAS e DA MACIÇA MAIORIA DOS JOSEENSES. Comentado por João Grego, 14/06/2011 10:39
Gabi, infelizmente não adianta o povo se mobilizar quando os políticos (vereadores) são comprados. Já vimos isso na Lei de Zoneamento. A mobilização do povo deve ser no sentido de não reeleger nenhum vereador, aí sim eles vão trabalhar com consciencia e pelo bem do povo. Mas como isso não acontece ( sempre são reeleitos) eles pouco se importam com a nossa opinião. A maioria do povo é burra em matéria de política. Comentado por olho vivo, 14/06/2011 09:31
Como estão as termoeletricas que estão no Recife/NE, algum historico de cancer, dor de cabeça, dor na unha, má formação congenita, leptosperose, dengue em excesso? Poderíamos pesquisar lá e ver quais foram ou são os problemas. SJC recicla quase 100% do lixo, foi a primeira cidade a coletar lixo reciclavel, viram o que alguns paises da Europa fazem com o lixo? Geram Energia. Comentado por doutor, 14/06/2011 09:28
O próprio Paulo Saldiva dá a solução: "O ideal é produzirmos menos lixo, concentrar esforços na reciclagem." Nossos governantes precisam aprender que menos é mais. Só que esforços para educar a população, leis que obriguem a reduzir a geração de lixo e mais reaproveitamento e reciclagem não dão tanto Ibope - ou "retorno financeiro" - quanto uma megaobra como uma termelétrica. A saúde da população e da natureza não é tão importante. Afinal, uma termelétrica e muitas idas ao médico aumentam o PIB, mostrando o quanto somos "desenvolvidos". Espero viver para ver o desenvolvimento sustentável vencer essa batalha. Comentado por Silvia, 14/06/2011 09:16



