Embora aconselhado por grandes jornalistas em quem sempre me louvo para procurar não errar, me vejo obrigado a comentar dois assuntos e vamos separá-los por tópicos para não criar confusão na ilustre cabeça daquele que tem a gentileza de nos ler.
1. Não consigo entender os critérios que levaram o senhor Governador do Estado de São Paulo, Dr. Geraldo José Alckimin Filho, bem como seu Secretário de Segurança Pública, Dr. Antonio Ferreira Pinto, a demitirem um policial antes do trâmite em julgado de uma sentença penal condenatória.
Salientando-se que no caso especifico dos Delegados de Policia é mais fácil e mais rapido demitir-se um Delegado de classe especial que um segundo Tenente PM.
Senão vejamos: Por vezes as acusações e imputações são absurdas. Já está se tornando corriqueiro e cito novamente como exemplo o Delegado de Policia, Conde Guerra, demitido sem amparo legal por haver repercutido matéria do Jornal Nacional.
Não faço aqui a defesa do Delegado Conde Guerra mas, talvez, egoisticamente e prevendo o futuro, a defesa de todos nós jornalistas.
Pois, admita-se que eu no Vejo São José publique uma nota que tenha sido noticiada em primeira mão pelo ilustre jornalista, um dos grandes do Brasil, Cláudio Humberto, que tem sua base em Brasilia. Poderia ser eu processado e ele não? É óbvio que ou seriamos os dois ou nenhum de nós.
Foi o que aconteceu com o Conde Guerra? Não. Portanto é necessário que todos os jornalistas, radialistas e blogueiros atentem para essa situação surreal.
A defesa não se resume ao Delegado Conde Guerra mas à liberdade de imprensa, em ultima instância a nossa.
Admitamos que esse fato houvesse ocorrido em um blog de um tenente da Policia Militar, o mesmo teria sido demitido com tanta facilidade? Com uma simples penada do Governador? Claro que não.
Para se demitir um Oficial da Policia Militar é necessário que o Tribunal de Justiça Militar se reúna e cinco Juízes, três militares e dois togados cassem sua carta patente. Ora, porque então não se esperar uma decisão judicial com trânsito em julgado para demitir-se um Policial Civil? Não consigo entender. O Policial Civil é menos importante?
O que ocorre na maioria das vezes é que o policial é demitido porque alguém não gosta dele. Portanto, é fácil, não requer pratica ou sequer habilidade, demita-o e depois aguarde-se a decisão judicial que na maioria das vezes vem fundada no artigo 386, VII do Código de Processo Penal.
Dessa maneira não conseguirá retornar antes do inferno congelar, dificilmente os nossos Tribunais tem a coragem suficiente de absolver um Policial Civil de qualquer carreira nos parágrafos 1 ou 2 e o infeliz terá que brigar até que algum ministro de nossos Tribunais Superiores entenda sua situação e mande reintegrá-lo, algo tão difícil quanto entender de fisica quântica.
2. Agora mudando de assunto, vejo nos jornais o senhor Secretário se vangloriando da queda dos homicídios no Estado de São Paulo, ha anos venho sustentando em meus programas de radio que homicídio não é problema da Policia e explico o porquê, estamos em cinco dentro de um estúdio de radio, dou como exemplo meu colega e amigo Flavio Askar,companheiro de 30 anos de radio, fica louco, pega uma arma e atira em todo mundo, como a Policia irá impedir isso?
Esquece o senhor Secretário ou talvez não queira que a população se lembre que os latrocinios estão subindo assustadoramente.
Para os desavisados latrocinio é o roubo seguido de morte e esse tipo de crime está crescendo. E os furtos a caixa eletrônicos e o furto e roubo de veículos?
Ora, até o ex Secretário Saulo de Castro teve sua residência roubada com violência, mas parece que alguns dos marginais já teriam sido identificados inclusive com a apreensão de um Fiat Stilo amarelo. Gostaria de saber qual será o desfecho dessa historia pois com certeza teremos algumas surpresas que talvez desagradem ao Secretário.
Causa-me espanto alguns grandes jornais defenderem a atuação da Guarda Municipal como se Policia fosse e não é. Foi criada e sua função é a proteção dos próprios municipais, não foi contemplada na Constituição com o poder de policia. E aquilo que a Constituição não permite não cabe a ninguém liberar.
Agora uma história com sabor de charada para alguns:
O Papa aniversariou, seus Cardeais foram em peso visita-lo, na alegria de estar com sua Santidade alguns se excederam no vinho, na hora de ir embora um dos Cardeais adentrou ao carro papal e de lá não queria sair, um Cardeal superior de lá o tirou depois de muito esforço. Resultado, no dia subsequente reuniu-se o Concibulo dos Cardeais e esse quase Cardeal perdeu sua paróquia. Essa história é real. Quem tiver olhos para ver, que veja. Quem tiver olhos para ler, que leia.
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com
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