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Já que
Dostoievski afirmou que a beleza salvará o mundo, estou
convicta de que a imprensa livre salvará o Brasil.
Não é
mais possível conviver diuturnamente com o noticiário de
encomenda, com os muitos processos contra jornalistas que
publicam a verdade.
Chega de
amordaçar os servidores públicos com leis obsoletas, para
que entrem mudos e saiam calados das repartições, ameaçados
de demissão por falar a verdade.
É público
o alto preço que paguei por denunciar o nepotismo no
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, onde fui servidora
concursada por dez anos.
Para me
afastar daqueles prédios, aparentemente impecáveis e
sólidos, como deveriam ser as leis do País, a Constituição
foi ignorada.
No que
deveria ser o santuário da Justiça, meus colegas, como
escravos levados a assistir ao açoite de um companheiro no
tronco, tiveram que abaixar as cabeças, tangidos por
feitores togados, à moderna senzala.
Fiquei só
no meio da praça como mais um exemplo dos que ousam desafiar
Suas Excelências. Porem, não pensem que o Judiciário é o
único a fazer isso com os seus servidores.
Há leis
famigeradas amordaçando os militares, os professores e
outras categorias. Leis que inserem o politicamente correto;
-“O servidor que tiver ciência de irregularidades fica
obrigado a denunciá-las, sob pena de prevaricação” - Por
outro lado, a mesma lei proíbe que o servidor se refira ao
seu local de trabalho de modo depreciativo, ou teça suas
considerações pessoais... Mordaça! Comprometendo a cidadania
do servidor.
Como
denunciar se os altos escalões não aceitam críticas, se os
ditos achincalhes são determinados pelas figuras que detém a
autoridade?
São
tempos difíceis, não mais que de repente, o acusador vira
acusado e é logo sentenciado à morte. Tudo à nossa volta é
tão banal, tão corrupto, que não mais surpreende.
A
Constituição Federal de 1988 que baniu o chamado crime de
opinião é pisoteada, graças às leis produzidas sob encomenda
para calar os servidores públicos.
Quanto
aos jornalistas, a ameaça de processos judiciais, os gastos
com advogados, o desgaste e o precioso tempo perdido para
explicar o óbvio, com certeza, contribui para que muitos se
aquietem.
Uma ação
contra um jornalista pode comprometer as suas economias ou o
dinheiro que, por ventura, ganhe no futuro para pagar
advogados em cada ação; - Configurando, via de regra, um
claro abuso do poder econômico por parte daqueles que movem
os processos. O sucesso nas sucessivas instâncias não passa
de vitória de Pirro.
Ao final
do último round, digo, da última instância, o jornalista
estará exausto, quebrado e, não raro, indisposto com sua
família.
Acredito
piamente que somente a imprensa livre poderá salvar este
País. Assim sendo, me disponho como advogada que sou, agora
não mais como servidora pública, mas como prestadora de
serviço público, a defender os jornalistas engajados em
denunciar as malversações, os abusos de poder econômico e o
cerceamento da liberdade nesse país.
Meu
compromisso público de lutar para assegurar a liberdade de
expressão e o cumprimento das leis neste Brasil está
assumido.
Contem
comigo para isso!
Simone Nejar é advogada em
Porto Alegre, RS - simonenejar@gmail.com -
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