Longe dos holofotes (e
das algemas) Serra e Arruda em Copenhague
É visível o esforço que o governador de Minas Aécio
Pirlimpimpim Neves está fazendo para dissimular o ódio
(ódio sim) ao governador de São Paulo José Jânio Serra.
As notícias de
explosões de raiva em ambientes palacianos ultrapassaram
esses ambientes. Aécio foi posto, literalmente, na
parede por Serra. Ou desistia de disputar a indicação
presidencial com Serra, ou notas “jornalísticas” dos
muitos Juca Kfoury que existem por aí iriam mostrar a
dependência do governador mineiro em relação à cocaína.
Minas inteira sabe disso e o Mineirão cantou isso em
coro num jogo Brasil e Argentina em meados do ano que
passado. O que menos importa neste momento é se Aécio
como disse o Mineirão “cheira mais que Maradona”.
O que mais importa,
neste momento, é o caráter chantagista de um dos
políticos mais perversos e perigosos de toda a história
recente do País, José Jânio Serra.
Corrupto, autoritário, paga o preço que for preciso,
qualquer preço, para ser o próximo presidente da
República. Não tem um pingo de escrúpulos, ou respeito
por qualquer coisa que seja, por quem quer seja, que não
ele próprio.
Do jeito dos grandes chefes mafiosos, José Serra
embarcou para Copenhague com a senadora do DEM Kátia
Abreu e um único objetivo real. O de enquadrar o
governador de Brasília José Roberto Arruda, uma espécie
de pulga que havia se atrevido a chantageá-lo, como fez
ele Serra com Aécio. Arruda mandou avisar a Serra que se
continuasse a sistemática campanha para o seu
impedimento, principalmente no JORNAL NACIONAL, cairia,
mas levaria todo mundo com ele.
Copenhague foi o centro das atenções do mundo nessa
semana que termina. Serra não tinha, nem tem o que dizer
a Copenhague, ao mundo ou ao Brasil e aos brasileiros. É
um FHC que não dissimula raiva e atira pelas costas sem
a menor preocupação de remorso, nem sabe o que é isso.
Foi lá para exibir-se e liquidar a fatura Arruda. Kátia
Abreu, senadora que responde a processos por corrupção,
é do DEM, partido de Arruda, foi como pistoleira para o
acerto de contas, devida e antecipadamente paga.
Sem saída, pelo menos até que se descubra o que de fato
aconteceu em Copenhague e deve ter acontecido um acerto,
Arruda é ladrão de galinhas perto de Serra, o governador
de São Paulo adicionou um “extra” ao JORNAL NACIONAL (já
está comprado desde que começou, há quarenta anos) e
acertou pequenos extras com outras empresas, pequenas
empresas, para deixar o assunto Arruda morrer. Não
interessa a ele nem que se fale tanto no caso e nem que
o governador caia atirando.
O acerto com Arruda em Copenhague é para que ele caia e
não atire. Leve uma compensação qualquer, para ficar
quieto. Dinheiro não falta. Essa gente representa o que
há de pior no País (a elites paulista FIESP/DASLU), o
latifúndio, os banqueiros, os interesses dos Estados
Unidos na Amazônia, no pré-sal e em instalar bases
militares no nosso País.
Não se trata de mala
propriamente dita, mas de imensos baús repletos de
dólares para comprar o que for preciso e eliminar
obstáculos à chegada do mafioso tucano à presidência da
República.
Se Arruda resolver ou resolveu dar uma de herói, azar
dele. Vai ser jogado às feras, devorado em seu próprio
partido e sair de mãos abanando, quer dizer, só com o
que já levou.
O próximo passo de Serra é tentar mostrar a Aécio,
através de terceiros, que é um bom negócio ser senador e
pode até, quem sabe, virar vice do algoz e esperar um
pouco mais. Vice e nada nesse caso é a mesma coisa. Se
Aécio vai engolir isso ou não é outra história.
Aécio é do tipo também
que não tem nem princípios e muito menos condições de
decidir assuntos dessa relevância já que vive em Alfa.
Quem escolhe a gravata dele é a irmã, não há necessidade
de perguntar no twitter como faz o venal William Bonner
se alguém quer bom dia.
O risco de Serra é Aécio fazer corpo mole em Minas,
deixar a coisa rolar livre e Minas é o segundo colégio
eleitoral do Brasil, decisivo para as pretensões
criminosas de José Jânio Serra. Mas como há muitos
interesses cruzados, muito dinheiro em jogo e tucano
vive disso, trapaça, corrupção, chantagem, Aécio é só um
cadáver político insepulto.
Virou um Eduardo Azeredo da vida.
De quebra ainda carrega um mala sem alça, Itamar Franco.
Pode vir a ser a saída do governador para enfrentar o
ministro Hélio Costa, uma espécie de vingança contra
Serra e contra a GLOBO, já que o Costa (que ganhou a
convenção do PMDB em Minas) é ministro da GLOBO.
É o que chamam de jogo político, de manobras. É só um
monte de fatos repugnantes que mostram o estado pútrido
do chamado institucional. Gilmar Mendes presidindo o que
chamam de Corte Suprema (há ministros dignos). Temer
(doublé de tucano/PMDB com laivos petistas e o resultado
disso é quero o meu) que já foi encurralado por Serra em
pequenas denúncias que podem virar grandes manchetes
escandalosas de jornais e redes de tevê compradas pelo
tucano (GLOBO, BANDEIRANTES, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO,
etc).
Por pior que possa parecer e por mais ofensivo que isso
possa soar, ou baixo, Serra, como FHC, ou qualquer
tucano, repito qualquer tucano, privatiza mãe ou
terceiriza, se por trás do negócio estiver uma
gratificação de pelo menos 20%.
Não é um partido, o PSDB, é uma quadrilha que traz a
reboque o que há de mais atrasado na política
brasileira, o DEM, antigo PFL, antigo PDS, antiga ARENA
dos tempos da ditadura militar.
O golpe em Aécio, o acerto de contas com Arruda em
Copenhague, as manchetes obtidas em noticiários de tevê,
JORNAL NACIONAL principalmente, foi como se tivéssemos
com métodos diversos, mas efeitos semelhantes (você pode
achar que está morto e está vivo, e pode estar vivo, mas
estar morto, caso de Aécio), foi como se tivéssemos o
episódio da Noite de São Valentin, onde numa garagem, Al
Capone eliminou seus concorrentes de uma só feita.
Resta saber se os brasileiros vão cair no conto do
governador “eficiente” de São Paulo alagada, de obras
superfaturadas, de uma elite fantasmagórica e fétida que
pretende numa simples assinatura de “escritura” mudar a
grafia da palavra BRASIL para BRAZIL.
Foi o que FHC começou a fazer é o que Serra quer
terminar…
E foi fazer o acerto final longe dos holofotes (e das
algemas), numa conferência onde se buscava uma solução,
ou um caminho para salvar o planeta da devastação do
“progresso” capitalista.
É o jeito deles, passam um filme bonitinho, mas são
ordinários. Cínicos à perfeição.