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por
Valéria Dias - valdias@usp.br
Essa bactéria, de caráter
patogênico, consegue sobreviver em situações adversas e está
associada a listeriose. A doença pode causar várias
síndromes como infecções, gastroenterites, sendo bastante
prejudicial em pacientes imunodeprimidos, e em crianças,
idosos e gestantes (podendo causar abortos). A transmissão
ocorre, principalmente, por alimentos contaminados.
“A Anvisa [Agência
Nacional de Vigilância Sanitária] estabelece limites
para a ocorrência de alguns microrganismos em alimentos; mas
no caso de Listeria monocytogenes não há consenso
sobre o limite máximo confiável. Nossa legislação estabelece
ausência desta bactéria apenas para queijos de alta umidade,
mas outros alimentos também apresentam potencial de
contaminação, como, por exemplo, os pescados minimamente
processados. Uma vez detectada a L. monocytogenes,
mesmo em populações mínimas, o alimento deve ser
descartado”, destaca a pesquisadora Fernanda Barbosa dos
Reis, que estudou o uso de extratos de alecrim pimenta para
controle da bactéria.
Os testes foram realizados
com pescado, especificamente filé de surubim defumado (surubim
Pseudoplatystoma sp), um produto pronto para consumo,
disponível no comércio varejista. Além do alecrim pimenta,
Fernanda também testou, para o controle da Listeria,
a bactéria lática bacteriocinogênica (Carnobacterium
maltaromaticum C2). Os resultados estão em sua
dissertação de mestrado, apresentada na Faculdade de
Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP.
O alecrim pimenta é
encontrado no sertão nordestino. “Vários trabalhos
científicos apontam a planta como um antimicrobiano. Mas não
encontramos na literatura nada referente a sua atuação em
bactérias em alimentos”, diz a pesquisadora. Já a bactéria
lática Carnobacterium maltaromaticum C2 é
encontrada em surubins e em outros pescados, sendo conhecida
da ciência por suas atividades antimicrobianas, graças à
produção de uma substância da classe das bacteriocinas.
Entre suas características,
estão a resistência ao baixo pH, a enzimas, a altas e baixas
temperaturas. “A bacteriocina atua sobre a membrana
citoplasmática da célula bacteriana, mas não é nem ativa nem
tóxica sobre as células eucarióticas (humanas)”, explica.
Além da cepa C2 da Carnobacterium maltaromaticum, a
pesquisadora também utilizou, para comparação, duas cepas
extraídas de salmão, doadas por uma pesquisadora da
Dinamarca: A9B+ (que produz bacteriocina) e A9B- (que não a
produz).
Os testes foram realizados
com amostras de filés de surubim defumado cortados
(homogeneizados) e também em dois tipos de caldos de peixe:
de laboratório (a partir de uma mistura de sal, extrato de
levedura e peptona de peixe) e caldo feito com os filés de
surubim. Todas as amostras foram inoculadas com a
Listeria monocytogenes, e os antimicrobianos, sendo que
a pesquisadora testou 14 diferentes combinações entre o
extrato de alecrim pimenta e a bactéria lática. As análises
foram realizadas no momento da inoculação, após 24 horas, e
uma vez por semana, durante 5 semanas, num total de 35 dias.
Resultados
- “De modo geral, os resultados indicaram que as amostras em
que foi adicionado o alecrim pimenta sozinho apresentaram um
efeito inibitório maior do crescimento de Listeria,
mostrando que há potencial para o extrato da planta ser
usada como um antimicrobiano frente a esta bactéria”, aponta
a pesquisadora. Ela ressalta, no entanto, que ainda são
necessários outros estudos envolvendo o alecrim pimenta,
lembrando que o trabalho realizado para sua dissertação de
mestrado é o primeiro que abordou o uso da planta
para o combate a essa bactéria.
Fernanda comenta que as
amostras que continham apenas as bactérias láticas também
apresentaram um crescimento mais reduzido de Listeria.
Aquelas em que houve adição tanto de bactérias láticas como
de alecrim pimenta apresentaram o mesmo efeito inibitório
das amostras com adição apenas da planta.
Segundo a pesquisadora, os
antimicrobianos apresentam mecanismos de ação diferenciados
e é mais interessante aplicá-los juntos e não isoladamente.
“Se pensarmos em um alimento, é mais interessante um
antimicrobiano aplicado em baixa concentração, mas que tenha
um efeito maior. Uma concentração alta poderá, por exemplo,
interferir no sabor”, explica.
A pesquisa de Fernanda
contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de São Paulo (Fapesp). A orientação do trabalho foi da
professora Elaine Cristina Pereira De Martinis, da FCFRP e
os extratos de alecrim pimenta foram cedidos pelo professor
Wanderley Pereira de Oliveira, também da FCFRP. A defesa
aconteceu no último dia 26 de fevereiro.
Mais informações: (16)
3602-4313 -
fbarbosadosreis@yahoo.com.br,
com a pesquisadora Fernanda Barbosa dos Reis
(*) Eliézer Zac é médico e atende no
Pronval
-
ezacmd@gmail.com |