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Embalos de sábado à noite?
Mais ou menos. Para a maioria, resume-se às idas aos
restaurantes, a uma pizza, a uma lasanha. Tomar uma
bebidinha para abrir o apetite.
Nas rodinhas de solteiros, o
álcool expande o assunto, dá asas à imaginação, solta a
língua. A mãe, pais de família refrescam a garganta com a
cerveja, vinho, antes ou durante o prato ser servido e,
forrado o estômago, se levantam e seguem carregando as crias
para casa. O lazer garantido, fortalecido as relações, é
hora de recolher-se.
Pena que para o bêbado a
situação seja o utra. O álcool figura não como complemento,
mas como única forma de se achar no mundo tortuoso em que o
vício lhe prende.
Lá vai ele para o bar. A
determinação inicial: rir com os amigos. Mas chega a hora
que a risada desagrada, e os amigos vão se embora, para suas
casas, seus amores. Ainda tenta prender um remanescente a
seu lado. "Então, sabe daquela vez que nós..." ou "Já?
Espera mais uma... agora é a saideira" tipos de frases que
visam manter viva a chama da prosa o maior tempo possível.
De repente, o companheiro tira
a grana da carteira e fala: "é a parte que me cabe". Às
vezes o bêbado pede a conta e encerra; noutras, limita-se a
dizer tudo bem,
deixa aí. E se volta para si. O bar, restaurante, boteco
fica diferente. Ele está sozinho. As pessoas desconhecidas
circulam, chegando ou saindo. Ele ali, plantado.
Chora e ri com as eventuais
músicas que tocam num alto-falante distante, que não havia
notado quando em companhia dos camaradas, mas que neste
momento parece martelar seus ouvidos. Daquele instante, não
lembraria no dia seguinte, nem sob tortura, o que ele disse,
pensara, com quem ele proseou, os perigos e prazeres que
atravessara.
Inconsciente, seguirá ele por
ruas, avenidas. Por pouco não será atropelado por carros,
bicicletas. Um quê de sorte e asco o livrará de assalto e de
possível perversidade de bandidos de plantão. O corpo
chegará a casa, mas a consciência estará em outro plano.
Ainda na rua, veremos um corpo
magro, ziguezagueando, por vezes tombando no asfalto,
erguendo-se com dificuldade. Raramente haverá tombo, quando
ainda jovem, mas depois dos quarenta serão freqüentes. Pior,
os machucados, os hematomas serão dolorosamente mais
intensos.
Se no início era por alegria
que bebia, agora é para fugir da nulidade que o vício leva a
alma sem eira nem beira.

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(*)
Ronaldo Duran -
ronaldo@ronaldoduran.com
- é
escritor, autor de romances, entre eles ANDO DE ÔNIBUS,LOGO
EXISTO! -
Disponível nos sites:
www.ronaldoduran.com - www.livrariacultura.com.br e
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