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E não
é para menos, foram informados que não mais
terão direito ao desconto de 40% (quarenta por cento) no
pagamento das mensalidades, algo em torno de R$ 200,00, uma
quantia considerável, tratando-se de pessoas que
sacrificam-se para poder estudar.
Na
manhã do dia 26, algumas alunas do Serviço Social relataram
os fatos aos professores Darwin Bassi e Francisco Gorgônio
Nóbrega, diretores da Associação Nacional dos Amigos da
Educação, ANAE.
Letícia
Silveira Pereira Veras (a dir. na foto), aluna do curso de
Serviço Social, detalhou a situação: “Eles divulgaram
que as turmas do período da manhã dos cursos de Serviço Social, Química
e Pedagogia teriam um desconto de 40%. Fiz o vestibular e me
matriculei em 2007 justamente por isso.
Como
ficou sabendo do desconto?
– Eles anunciaram no jornal Valeparaibano e na Revista da
Univap, todo mundo ficou sabendo.
Como
vê retirada do desconto pela Univap?
– Em 2007 houve o desconto de 40% nas mensalidades, mesmo
assim, eles nos cobraram uma rematrícula absurda no valor de
R$ 530,00. A partir de janeiro de 2008, as mensalidades
tiveram o desconto prometido, mas, agora, no final do ano, o
pessoal da Univap vem com essa conversa de que o desconto
acabou. Afirmam" haverá somente uma redução de 12%
para os alunos que pagarem em dia as mensalidades".
Então
prometeram uma coisa e estão fazendo outra?
– Isso mesmo, na semana passada, a secretária Ione nos
comunicou que não temos mais o desconto de 40%, -quem quiser
continuar a estudar e pagar em dia terá apenas um desconto
de 12% - se
pagar em dia.
E o
diretor do Campus Villa Branca, Frederico Lencioni Neto, o
que ele fala?
– Numa reunião que tivemos no ano passado, o Lencioni
afirmou que enquanto ele fosse diretor do Campus Villa
Branca,- os alunos teriam o desconto de 40%.
Muitos
alunos estão envolvidos?– O pior de tudo é que não houve
um comunicado oficial, a notícia é dada pela secretaria. Na nossa
sala temos 16 colegas, na Química são uns 15 e na Pedagogia
perto de 25, dando um total de 50 alunos envolvidos nessa
situação. É terrível, estamos nos sentindo enganados.
E essa
de bolsa de estudo, como funciona?
– É o que eles chamam de projeto Vale a Pena Viver,- os
alunos são selecionados através de avisos nos murais. No meu
caso, fui colocada para trabalhar diariamente no bloco A, secretaria da Faculdade de Engenharia, no período noturno,
das 17:30 às 22:00 horas, por quatro horas e meia, de
segunda a sexta feira.Minha obrigação é auxiliar os professores.
Alem de
mim só tem um segurança e a moça da limpeza. Cuido do Data
Show, do Retro Projetor, sou responsável pela secretaria,
pelos computadores, chaves dos laboratórios e do auditório,
em troca eles descontam R$ 300,00 na minha mensalidade e
dizem que sou bolsista!
E
teve a Carteira de Trabalho assinada? -
Não,
apenas fiz uma entrevista com o diretor, o Lencioni, depois
assinei um contrato na secretaria com a Ione, que não me
forneceu uma cópia.
E quem
são esses “bolsistas”?
– São alunos de todos os cursos, eles recebem essas “bolsas”
de R$ 300,00 e, em troca disso, têm que trabalhar quatro
horas e meia/dia para a Univap. Na minha classe, três
colegas trabalham em creches; uma está no Campo dos Alemães,
outras nas creches do Alto de Santana. A Gabriela trabalha
na creche que fica na estrada, que vai de Jacareí para Santa
Branca. Não sei o que acontece com o boleto, pois ela recebe
os R$ 300,00 em dinheiro.
O que
os professores falam?
– Quem dá aula pra gente são: a Ana Maria do Espírito Santo
(Estatística); a Maria Enilse, que é esposa do professor
Ronaldo, (Fundamentos Metodológicos); o Valdevino; a
Vera Molina e a Margarete, que dá Legislação Social. Eles
parecem estar comovidos com a nossa situação, mas, não se
manifestam,- acho que por medo de perder os empregos. O próprio Lencioni ainda não
veio falar conosco.
Como vê essa situação?
– Me sinto enganada. Estou muito triste, jamais imaginei que
uma instituição como a Univap pudesse proceder assim. Sem o desconto, não teremos condições de pagar e continuar
o curso que começamos. Agora, na metade do curso,
querem mudar as regras, nos apunhalaram pelas costas.
Que
providências vocês irão tomar?
– Vamos procurar os nossos direitos na Justiça. Estamos com
a razão, se não fosse assim não estaríamos nos movimentando."
A
aluna do Serviço Social,
Silvia Aparecida Patrocínio,- diz que ao se matricular na
sede da Univap, da Praça Cândido Dias Castejon, em São José
dos Campos, foi informada que poderia fazer o curso de
Serviço Social no Campus de Jacareí, no período da manhã, com
40% de desconto nas mensalidades, afirma que, "aceitei e fiz
a matrícula em Jacareí.
Bolsa
de estudo
– “Eu sou bolsista da Univap e recebo na minha conta
bancária perto de R$ 300,00 para trabalhar das 12:30 às
17:00 horas, como educadora na creche do Jardim Telespark,
em São José dos Campos. Eles dizem que é uma ajuda para
pagar a mensalidade da Univap.
A Fátima e a
Patrícia são as responsáveis pela creche.” Afirmou Silvia.
A
joseense Carmem Silvia Landim
fez sua inscrição para o curso de Serviço Social na sede da
Praça Cândido Dias Castejon, em dezembro de 2006. “Paguei a
matrícula e também a parcela de janeiro. Depois, vi a
reportagem no jornal Valeparaibano sobre o desconto para
quem fosse estudar em Jacareí e me interessei. A secretaria
da Praça Castejon me informou que o desconto de 40% nas
mensalidades seria para todo o curso, isso me atraiu e fui
para Jacareí.
Bolsa
– Eu trabalho, das 13:00 as 17:30 no Campus da Univap, em
Jacareí, e recebo uma bolsa de R$ 300,00 através do programa
Vale a Pena Viver, - a quantia já vem descontada na
minha mensalidade. Não há registro em carteira, só assinei
um contrato de estágio, - não me deram uma cópia. Eles disseram
que a tal cópia nos seria enviada, mas isso nunca aconteceu.”
Entrando direto no segundo semestre
- Com a aluna do Serviço Social, Crisley Santana Ibrahim,
aconteceu algo diferente: “Fiz minha inscrição em Jacareí em
junho de 2007, mas, ninguém me avisou que eu estava entrando
direto no segundo semestre. Uma das professoras, a Denise,
disse que era preciso haver benemerência comigo, porque
tinha entrado no segundo semestre sem saber nada, já que não
tinha cursado o primeiro. Ela ainda pediu para as colegas me
ajudarem. Em resumo, entrei no segundo semestre sem ter
feito o primeiro”, afirma Crisley - que não sabe como deve
proceder.
Trabalho sem registro
– "Eu trabalho na Univap, faço monitoria na biblioteca,
através do projeto Vale a Pena Viver, -dizem que recebo R$
300,00, essa quantia já vem descontada no boleto da minha
mensalidade.” Diz Crisley.
Desconto para todo o curso
- Márcia Maria Campos é aluna do Serviço Social do Campus
Villa Branca, em Jacareí e mora no bairro do Galo Branco, em
São José dos Campos. Ela diz que fez a inscrição no
Campus da Cândido Castejon, onde foi informada que se
estudasse no período da manhã, em Jacareí, teria um desconto
de 40% nas mensalidades durante todo o curso. Ela aceitou
e foi para Jacareí.
Bolsa
–
Márcia também foi atraída pelo projeto Vale a Pena Viver,
trabalha na creche do Telespark, em São José, das 12:30 às
17:00 horas. “Eles depositam R$ 300,00 na minha conta
bancária. Não tenho carteira assinada e nem cópia do
contrato que assinei com a Univap. Como temos dificuldades
para pagar os estudos, acabamos nos submetendo a esse tipo
de coisa. Alem do mais, ficamos com pouquíssimo tempo para
estudar. Agora, vamos buscar nossos direitos na
Justiça.” Afirmou.
A
posição do diretor
- Na manhã da terça feira, 25, o Diretor da Univap,
Campus Villa Branca, Professor Frederico Lencioni Neto, afirmou por telefone, que o desconto de 40%
nas mensalidades foi válido para os anos letivos de 2007/2008 e que não continuará em 2009, quando a Univap oferecerá
um desconto pontual de 12% nas mensalidades para todos os
cursos, desde que, o pagamento seja efetuado na data do
vencimento. Lencioni disse, ainda, ter conversado com os
alunos do curso de Serviço Social, ouviu as reclamações,
relatou à Reitoria e está aguardando uma posição oficial.
O que
é uma bolsa de estudos?
– Segundo os professores Darwin Bassi e Francisco Nóbrega,
“Bolsa de estudos é para alunos carentes, Eles não precisam
trabalhar para justificar o recebimento do valor da bolsa.
Isso é um absurdo, para dizer o mínimo.” Disse Bassi.
Fale com os professores:
Darwin Bassi:
Darwin Bassi <dbassi@uol.com.br> -
Francisco Nóbrega:
<francisco.nobrega@gmail.com>
Milhões da Prefeitura de São José para a Univap
- Segundo o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais,
algumas creches municipais de São José dos Campos, como a do
Campo dos Alemães, na Zona Sul e a de Santana, na Zona
Norte, eram administradas pela ONG Mamulengos, que se retirou graças a uma série de "problemas
administrativos” envolvendo mais de R$12 milhões, cujos
processos correm na Justiça. As creches agora são geridas
pela Univap, que recebe quantias milionárias da administração
Eduardo Cury (PSDB).
Fim do Ensino Fundamental
- A partir de 2009, a Univap deverá desativar o curso de
Ensino Fundamental, resta saber como ficarão os alunos e
professores. As dificuldades não param por aí, o reitor
Baptista Gargione Filho foi denunciado por diversas
irregularidades, que teria praticado a frente da Univap e da
Fundação Valeparaibana de Ensino. O Ministério Público
Estadual determinou abertura de inquérito e deve se
pronunciar brevemente. Diante dos relatos acima, com a
palavra os vereadores "fiscais do povo", os conselheiros da
Fundação Valeparaibana de Ensino e o Ministério do Trabalho.
Saiba Mais

(*) Acassio Costa é advogado
-
acassio@vejosaojose.com.br |