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  23.04.2010 00h.00  
  Radialista anda escoltado                      O radialista João Carlos Alckmin corre risco de vida e só se locomove numa viatura da Polícia Civil. Isso acontece em São José dos Campos, o maior pólo tecnológico da América Latina.
 
por Marcos Badilho com Ricardo Faria  
 

No último dia 19, entrevistamos João Alckmin, o radialista, que já sofreu um atentado à bala, descreve esses dias de horror:

Como está vendo está enfrentando essa situação, sendo novamente ameaçado de morte? João Alckmin – Estou estarrecido com o rumo das coisas. Mas, quero deixar claro que as providências foram tomadas de imediato pela cúpula da Secretaria de Segurança, inclusive me fornecendo escolta vinte e quatro horas por dia. Agradeço às autoridades e aos policiais que sacrificam suas famílias e colocando-se em risco em defesa de minha vida.

Da outra vez, quando você tomou os tiros, de dia, em pleno centro da cidade, ficou o dito pelo não dito? – Não, o inquérito foi avocado e está com um dos delegados que mais conhece o crime, o Dr. Marcos Antonio Desgualdo e também com uma mulher séria, a delegada de Polícia, Maria Inês Trefilio Valente, Corregedora Geral.

Mas, veja, já se passaram quase três anos... Pois é, somente agora o novo diretor do Deinter, Dr. Márcio Dutra, mandou o inquerito para o DHPP.

Por que da demora? – Porque estavam, de todas as maneiras, tentando obstar que o inquérito fosse ao DHPP. Não sei os motivos.  Talvez remetendo para o DHPP demonstrasse a incompetência da polícia de São José. Entretanto, a polícia local não tinha mesmo condições de investigar, porque 22 delegados entraram com uma ação contra mim.

E pode isso? - Tanto não pode que o Diretor oficiou e mandou para o DHPP, alegando que não havia condições de investigações em São José dos Campos, em face das animosidades de algumas autoridades policiais com a vítima.

Então, eles se acham donos da polícia? – Não são, mas às vezes fazem de conta. Talvez muita gente desconheça que 94 por cento das investigações na área do Departamento de Polícia da Capital não são esclarecidas. A Polícia está parada. Acho que chegou a hora de alguém fazer com que ela se  mexa e trabalhe.

Desta vez, como surgiram as ameaças contra você? – Eu fiz uma denúncia no meu programa Show Time que determinada investigadora, de Jacareí, havia ido por quatro vezes checar uma denúncia anônima, que numa tal Toca do Peixe, em Jacareí, existia um cassino clandestino e a investigadora afirmou não ter encontrado nada no local. Para minha surpresa, fui informado depois que a DIG havia estado no local e apreendido mais de 20 máquinas caça-níqueis. Eu comentei que a policial é conivente ou é olho de vidro; - Alguns dias depois, a caminho do Deinter de São José dos Campos, onde fui para encontrar o delegado Tocantins, do DHPP, que teria que me ouvir, notei uma camionete me seguindo, pela avenida Andrômeda. Achei estranho e liguei para um amigo na Ciretran e ele me informou que a placa da camionete não era cadastrada. Perto do Deinter, o veículo sumiu, imaginei que deveria ser alguma viatura com o mesmo destino do meu, uma coincidência.

O que aconteceu depois? – Passado algum tempo da denúncia contra essa policial, vejo o mesmo carro atrás de mim, na avenida Anchieta e não tive dúvidas, fui ao Primeiro Distrito e fiz um Boletim de Ocorrência, com o Dr. Gilmar Guarnieri. Logo em seguida, fui informado que o tal veículo havia sido depositado a um investigador por um delegado de polícia, algo irregular, porque delegado não pode depositar carro, ainda mais usando uma placa fria. Fui à Primeira Corregedoria Auxiliar de São José dos Campos e constatei um descaso. O delegado, Dr. Marquiel, fez um Boletim de Ocorrência, mas, senti que não seriam tomadas providências.

E daí? – Os meus repórteres de campo foram à Jacareí e fotografaram o carro parado na frente do Primeiro Distrito, ai voltei e entreguei as fotos ao Corregedor que foi à Jacareí, ouviu o policial e apreendeu o carro. Numa atitude, para mim, irregular; - Seu eu estiver conduzindo um carro com placa fria, serei autuado em flagrante e mandado para a cadeia e isso não aconteceu com o policial que estava com o tal carro com placa fria.

Como é que ficou? – Exatamente ai foi determinado que eu fosse escoltado por policiais vinte e quatro horas por dia. As autoridades entenderam que a minha vida corre perigo.

Informações do delegado Roberto Conde Guerra, no Jornal Flip Paralisante, citam até os nomes de alguns policiais envolvidos com as ameaças a você tem conhecimento disso? – Eu li, eles dão alguns nomes como José Carlos Lopes, de um tal de China que não conheço e do Rudney. Dão também os nomes de Roberto Monteiro de Andrade e Antonio Agnaldo Fracarolli. O primeiro foi seccional de Jacareí e o segundo está sendo processado por envolvimentos com máquinas caça-níqueis; - Se quiser ir alem posso lhe contar mais.

O que seria? – Há alguns anos, recebi documentos mostrando que o sócio do famoso seqüestrador Andinho era possuidor de um porte de arma fornecido pelo delegado Fracarolli. Entreguei essa documentação ao então presidente da OAB de São José, Dr. Arley Rodrigues, que a repassou ao Dr. Ângelo Maria Lopes Filho, presidente da Ordem em Jacareí, que representou solicitando a apuração dos fatos. O promotor Nelson Garcia Rosado simplesmente mandou arquivar alegando que o delegado certamente teria sido iludido em sua boa fé, e o juiz Marcos Roberto simplesmente arquivou o feito. Passado algum tempo, o Dr. Ângelo Maria foi assassinado, em Jacareí, dentro do seu carro, em plena luz do dia, um crime até hoje não desvendado. Temos o caso sem solução da menina Izildinha que foi estuprada e assassinada. Em Jacareí ocorrem coisas muito estranhas. Um advogado e presidente da Ordem ser assassinado e ninguém tomar providências para elucidar o caso é de abismar. Eu pergunto: que país é esse?

E quanto ao Gaerco, o que diz? – Acho que a competência de investigar não é do Ministério Público. O Gaerco pode, quando muito, designar um promotor para acompanhar as investigações que competem à Polícia Civil.

O seu caso é grave, as ameaças se repetem, como encara isso? – No caso das denuncias das máquinas caça-níqueis, as placas são importadas, existe o crime de contrabando e a Polícia Federal, que deveria fazer alguma coisa, não faz. Isso para mim é assustador.

Você não é uma pessoa comum. Não é muita ousadia ameaçar a vida de um radialista? – É muita ousadia, mas vejo as pessoas se acovardando. O Secretário de Segurança determinou investigações pela Corregedoria Geral da Polícia Civil. Então, do Secretário, não tenho o que reclamar e nem do Delegado Geral.

Como vê a venda de segurança? – As empresas estão nas mãos de policiais. Acho o seguinte: Enquanto houver permissão para que delegados, coronéis e outras autoridades tenham empresas de segurança, eles não farão nada para debelar a violência, que é uma fonte inesgotável de dinheiro.

Com os políticos pelo meio? – Exatamente, basta ver os vereadores autorizando o fechamento dos bairros que colocam segurança particular, como foi o caso do Jardim Apolo, em São José dos Campos. É uma vergonha, estão criando dificuldades para vender facilidades. Nas eleições, as "empresas de segurança" financiam os políticos. Gatunagem pura, e a população que se dane!

Radialista João Alckmin - Fotos Marcos Badilho

João Alckmin comanda o programa Show Time, aos sábados, das 10 às 12 horas, na Rádio Piratininga 750-AM - showtime.radio@hotmail.com


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