|
No último dia 19,
entrevistamos João Alckmin, o radialista, que já sofreu um
atentado à bala, descreve esses dias de horror:
Como está vendo está enfrentando essa situação, sendo
novamente ameaçado de morte?
João Alckmin –
Estou estarrecido com o rumo das coisas. Mas, quero deixar
claro que as providências foram tomadas de imediato pela
cúpula da Secretaria de Segurança, inclusive me fornecendo
escolta vinte e quatro horas por dia. Agradeço às
autoridades e aos policiais que sacrificam suas famílias e
colocando-se em risco em defesa de minha vida.
Da outra vez, quando você tomou os tiros, de dia, em pleno
centro da cidade, ficou o dito pelo não dito?
– Não, o inquérito
foi avocado e está com um dos delegados que mais conhece o
crime, o Dr. Marcos Antonio Desgualdo e também com uma
mulher séria, a delegada de Polícia, Maria Inês Trefilio
Valente, Corregedora Geral.
Mas, veja, já se passaram
quase três anos...
Pois é, somente agora o novo diretor do Deinter, Dr. Márcio
Dutra, mandou o inquerito para o DHPP.
Por que da demora?
– Porque estavam,
de todas as maneiras, tentando obstar que o inquérito fosse
ao DHPP. Não sei os motivos. Talvez remetendo para o
DHPP demonstrasse a incompetência da polícia de São José.
Entretanto, a polícia local não tinha mesmo condições de
investigar, porque 22 delegados entraram com uma ação contra
mim.
E
pode isso?
-
Tanto não pode que o Diretor oficiou e mandou para o DHPP,
alegando que não havia condições de investigações em São
José dos Campos, em face das animosidades de algumas
autoridades policiais com a vítima.
Então, eles se acham donos da polícia?
– Não são, mas às
vezes fazem de conta. Talvez muita gente desconheça que 94
por cento das investigações na área do Departamento de
Polícia da Capital não são esclarecidas. A Polícia está
parada. Acho que chegou a hora de alguém fazer com que ela
se mexa e trabalhe.
Desta
vez, como surgiram as ameaças contra você?
– Eu fiz uma
denúncia no meu programa Show Time que determinada
investigadora, de Jacareí, havia ido por quatro vezes checar
uma denúncia anônima, que numa tal Toca do Peixe, em
Jacareí, existia um cassino clandestino e a investigadora
afirmou não ter encontrado nada no local. Para minha
surpresa, fui informado depois que a DIG havia estado no
local e apreendido mais de 20 máquinas caça-níqueis. Eu
comentei que a policial é conivente ou é olho de vidro; -
Alguns dias depois, a caminho do Deinter de São José
dos Campos, onde fui para encontrar o delegado Tocantins, do
DHPP, que teria que me ouvir, notei uma camionete me
seguindo, pela avenida Andrômeda. Achei estranho e liguei
para um amigo na Ciretran e ele me informou que a
placa da camionete não era cadastrada. Perto do Deinter,
o veículo sumiu, imaginei que deveria ser alguma viatura com
o mesmo destino do meu, uma coincidência.
O que aconteceu depois?
– Passado algum tempo da denúncia contra essa policial, vejo
o mesmo carro atrás de mim, na avenida Anchieta e não tive
dúvidas, fui ao Primeiro Distrito e fiz um Boletim de
Ocorrência, com o Dr. Gilmar Guarnieri. Logo em seguida, fui
informado que o tal veículo havia sido depositado a um
investigador por um delegado de polícia, algo irregular,
porque delegado não pode depositar carro, ainda mais usando
uma placa fria. Fui à Primeira Corregedoria Auxiliar de São
José dos Campos e constatei um descaso. O delegado, Dr.
Marquiel, fez um Boletim de Ocorrência, mas, senti que não
seriam tomadas providências.
E daí?
– Os meus
repórteres de campo foram à Jacareí e fotografaram o carro
parado na frente do Primeiro Distrito, ai voltei e entreguei
as fotos ao Corregedor que foi à Jacareí, ouviu o policial e
apreendeu o carro. Numa atitude, para mim, irregular; - Seu
eu estiver conduzindo um carro com placa fria, serei autuado
em flagrante e mandado para a cadeia e isso não aconteceu
com o policial que estava com o tal carro com placa fria.
Como é que ficou?
– Exatamente ai foi determinado que eu fosse escoltado por
policiais vinte e quatro horas por dia. As autoridades
entenderam que a minha vida corre perigo.
Informações do delegado Roberto Conde Guerra, no Jornal
Flip Paralisante, citam até os nomes de alguns policiais
envolvidos com as ameaças a você tem conhecimento disso?
– Eu li, eles dão alguns nomes como José Carlos Lopes, de um
tal de China que não conheço e do Rudney. Dão também os
nomes de Roberto Monteiro de Andrade e Antonio Agnaldo
Fracarolli. O primeiro foi seccional de Jacareí e o segundo
está sendo processado por envolvimentos com máquinas
caça-níqueis; - Se quiser ir alem posso lhe contar mais.
O que seria?
– Há alguns anos, recebi documentos mostrando que o sócio do
famoso seqüestrador Andinho era possuidor de um porte de
arma fornecido pelo delegado Fracarolli. Entreguei essa
documentação ao então presidente da OAB de São José, Dr.
Arley Rodrigues, que a repassou ao Dr. Ângelo Maria Lopes
Filho, presidente da Ordem em Jacareí, que representou
solicitando a apuração dos fatos. O promotor Nelson Garcia
Rosado simplesmente mandou arquivar alegando que o delegado
certamente teria sido iludido em sua boa fé, e o juiz Marcos
Roberto simplesmente arquivou o feito. Passado algum tempo,
o Dr. Ângelo Maria foi assassinado, em Jacareí, dentro do
seu carro, em plena luz do dia, um crime até hoje não
desvendado. Temos o caso sem solução da menina Izildinha que
foi estuprada e assassinada. Em Jacareí ocorrem coisas muito
estranhas. Um advogado e presidente da Ordem ser assassinado
e ninguém tomar providências para elucidar o caso é de
abismar. Eu pergunto: que país é esse?
E quanto ao Gaerco, o que
diz? – Acho que a
competência de investigar não é do Ministério Público. O
Gaerco pode, quando muito, designar um promotor para
acompanhar as investigações que competem à Polícia Civil.
O seu caso é grave, as
ameaças se repetem, como encara isso?
– No caso das denuncias das máquinas caça-níqueis, as placas
são importadas, existe o crime de contrabando e a Polícia
Federal, que deveria fazer alguma coisa, não faz. Isso para
mim é assustador.
Você não é uma pessoa comum.
Não é muita ousadia ameaçar a vida de um radialista?
– É muita ousadia, mas vejo as pessoas se acovardando. O
Secretário de Segurança determinou investigações pela
Corregedoria Geral da Polícia Civil. Então, do Secretário,
não tenho o que reclamar e nem do Delegado Geral.
Como vê a venda de segurança?
– As empresas estão nas mãos de policiais. Acho o seguinte:
Enquanto houver permissão para que delegados, coronéis e
outras autoridades tenham empresas de segurança, eles não
farão nada para debelar a violência, que é uma fonte
inesgotável de dinheiro.
Com os políticos pelo meio?
– Exatamente, basta ver os vereadores autorizando o
fechamento dos bairros que colocam segurança particular,
como foi o caso do Jardim Apolo, em São José dos Campos. É
uma vergonha, estão criando dificuldades para vender
facilidades. Nas eleições, as "empresas de segurança"
financiam os políticos. Gatunagem pura, e a população que se dane!

João Alckmin
comanda o programa Show Time, aos sábados, das 10 às 12
horas, na
Rádio Piratininga 750-AM
-
showtime.radio@hotmail.com
|