Não sou, nunca fui, nem pretendo ser. Nunca afirmei ser um especialista em segurança pública. Sou apenas um mero observador do que acontece. Mesmo porque, em meu programa de rádio, o Jornalista Percival de Souza, este sim um profundo conhecedor de segurança pública, se identifica como comentarista.
Não acredito nos especialistas em segurança pública, pois, vejamos, o especialista em segurança pública do jornal Bom dia Brasil, da Rede Globo, de certa feita soltou esta pérola: "No caso do ônibus 147, a culpa pela morte foi da propria vítima por ter mentido para o assaltante".
Um caso célebre também ocorreu em São José dos Campos, quando era prefeita municipal a Dr.Ângela Guadagnin, o Delegado Seccional de Policia, Dr.Roberto de Mello Anibal e o Comandante do 1º BPMI, o Coronel José Vicente da Silva Filho, hoje tido como especialista em segurança pública, tendo sido inclusive Secretário Nacional de Segurança.
O Delegado Roberto Anibal alertou às autoridades e a noticia vazou aos jornais que o Comando Vermelho, a época não se falava tanto do PCC, havia tomado a favela Santa Cruz.
Foi quando Iniciou-s a Operação "Negar o Inegável". A Prefeita e o Coronel José Vicente vieram a público, com veemência, desmentir o fato.
Passado alguns meses, o que ocorreu? Os moradores em volta da favela foram expulsos, e o local tornou-se reduto do crime. Os imóveis foram fechados, pessoas tiveram que se mudar.
Após o ocorrido, a Prefeitura construiu uma base para a Policia Militar, muito bem feita por sinal, um sobrado de alvenaria, na esquina da favela onde a Policia Militar instalou seus policiais.
Até que um indivíduo de nome Serjão tornou-se o chefe da favela e passado algum tempo os jornais informam que duas jovens que haviam ido à favela tinham desaparecido.
Após investigações, a Policia Civil conseguiu localizar o corpo de ambas assassinadas por determinação de Serjão.
Estavam enterradas onde senhores? Na parede lateral da base da Policia Militar, nenhuma crítica aqui a PM, mas sim ao então comandante Coronel José Vicente que negava veementemente a invasão que sofríamos por parte do Comando Vermelho.
Vejo agora que a chamada Unidade de Elite da Policia Militar continua usando os mesmos expedientes dos anos da ditadura militar, apoiados pelo então Governador Paulo Maluf que, pelo menos, era um Governador nomeado pelo Poder Central e poderia fazer grandes coisas, sobre pena de ser defenestrado do poder.
E o douto Geraldo Alkimin? Um médico, que se diz humanista, mas incapaz de acabar com a barbárie que se instalou no Estado de São Paulo.
Volto a afirmar, nunca a Policia Militar matou como agora e não vejo nenhuma atitude ou quem deveria tomá-la.
Volto a afirmar, só vejo a Policia Civil mal paga, mal reconhecida ser, cada vez, mais agredida.
Hoje, infelizmente, um policial civil quando processado criminalmente já começa com 50% de chances de ser condenado e 100% de ser demitido antes do trânsito final de sentença penal condenatória. Um absurdo!
Estou cansado de ver policiais, cuja denuncia sequer foi recebida, terem seus procedimentos administrativos acelerados ao máximo para serem demitidos e os nossos tribunais dizerem reiteradamente que as Instâncias Judiciais e Administrativas são independentes.
Cito o caso de um Delegado de Campinas demitido, acusado de haver sumido com 300kg de cocaína e absolvido por inexistência de crime, cito também o Delegado Conde Guerra que repercutiu uma noticia e foi demitido pelo senhor Governador, mas que com certeza irá voltar, a custa de sofrimento e dor.
Certamente se chegar ao Tribunal de Justiça estarei lá para assistir ao julgamento, inclusive porque se trata de liberdade de imprensa pois, queiram ou não, gostem ou não, o Flit Paralisante, o Vejo São José, Showtime Radio, a Rede Globo, Bandeirantes, fazemos parte, todos, da chamada Imprensa.
Estou acompanhando dois casos em que os Delegados de Policia agiram como autoridades Policiais, não abaixando a cabeça aos poderosos.
O caso do Juiz de Direit,o no ABC, e o do 85º Distrito Policial. Alguns criticam as autoridades policiais, eu os louvo, embora não os conheça.
Enquanto continuarmos como sociedade civil a louvar o morticínio, enquanto os locais dos crimes não forem devidamente preservados, enquanto pessoas já mortas forem colocadas dentro de viaturas para serem "socorridas", os fatos irão continuar ocorrendo. Até matarem alguém de nosso convívio.
Para encerrar, lembro devo lembrar um fato ocorrido anos atras, numa ocorrência de assalto estavam presentes Policia Civil e Policia Militar, após o ladrão ter se rendido, foi algemado pelo meu pessoal amigo investigador Mohamed, a época no DEIC, hoje infelizmente já falecido.
Um tenente da Policia Militar, da ROTA, de nome Mendonça, queria conduzir o preso em sua viatura o que não foi permitido por Mohamed, inclusive porque o preso dizia que tinha medo de morrer. Resultado: O Tenente saca sua arma e o baleia na frente de todos e do investigador. E nada mais foi dito, nem me foi perguntado.
Portanto repito, talvez o fato do senhor Governador e o senhor Secretário não colocarem um paradeiro nisso é porque quem tem Telhada de vidro não joga pedra no do vizinho.
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com - RÁDIO
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