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Luciana é filha do conhecido e estimado Professor José Luiz
Camargo, que durante muito tempo ocupou uma cadeira no
Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o famoso ITA, onde se
aposentou. Ela é uma pessoa educada, mas não esconde a
revolta pelo tratamento que recebeu da Univap e do Sindicato
dos professores,- Simpro, motivo pelo qual ingressou na
Justiça contra a Universidade.
No dia
21 de julho, falamos com a Professora Luciana, uma jovem
lutadora, nascida em São José dos Campos que morou até os 18
anos no CTA onde estudou o primário, depois passou para o
Colégio Olavo Bilac, fez um ano de cursinho no Anglo e
ingressou na Universidade Estadual do Paraná, em Londrina,
onde ficou de 1994 até 97, quando se formou em Fisioterapia.
E
depois, Luciana, o que aconteceu?
– Fui para São Paulo onde fiz uma especialização em
Fisioterapia Motora, na área de Ortopedia, na Unifesp, em
seguida comecei a trabalhar na Unitau, em Taubaté, onde
continuo até hoje.
Quando
e como começou a trabalhar na Univap?
- Ingressei em agosto de 1999, contratada para lecionar no
curso de fisioterapia que começava, participei da primeira
turma, ficando até 2007, sai com a mesma referência que
entrei, dando aulas de neurologia,- assumi a disciplina de
hidroterapia e mais adiante o estágio.
E como
foi ser professora da Univap?
- O que mais aborrecia era ver vários colegas serem
admitidos depois de mim, com a mesma formação e o mesmo
número de aulas, recebendo salários maiores do que o meu. Nunca
consegui entender isso. Não aconteceu só comigo, outros
professores, que já não estão mais na Univap, também
passaram por isso.
E como
se deu a sua demissão?
– Em junho de 2006, eu já tinha quase sete anos de Univap,
precisava finalizar o mestrado e ordenar o meu tempo, por
isso, solicitei uma licença,- sem vencimentos, por seis
meses, um direito assegurado pelos Estatutos da Entidade.
Quando
foi isso?
– Foi no início de agosto de 2006, havia uma série de regras
a serem cumpridas, inclusive a de, dois meses antes da
licença terminar, o funcionário deveria manifestar-se, por
escrito, que retornaria ao trabalho na data prevista, no meu
caso, 2 de fevereiro de 2007. Atendi a tudo. Em dezembro de
2007, quando me dirigi ao departamento pessoal, o gerente,
Maurício Miguel da Silva, aceitou o documento assinado, prova
de que retornaria ao trabalho em fevereiro. Ele, o Maurício,
afirmou que estava tudo em ordem, entretanto, deixou no ar
que o reitor Baptista Gargione poderia não aceitar o meu
retorno, mas que era para continuar de licença.
E o
que aconteceu depois
– Alguns dias depois de ter falado com o Maurício, recebi
uma correspondência solicitando a minha presença, informando que havia sido demitida, ou seja, durante o período da minha
licença. O fato me causou estranheza e indignação, afinal,
era uma infração aos próprios Estatutos da Univap,- um
professor em licença não pode ser demitido.
Você
compareceu e o que aconteceu?
– Quando cheguei ao departamento pessoal, o Maurício tentou
se justificar afirmando que já existiam casos semelhantes ao
meu, inclusive ,citando jurisprudências - repetidas vezes. Não
me convenci.
Como
atuou o sindicato dos professores, o Simpro?
-
Eles marcaram um dia para que fosse feita a homologação, e
quando lá cheguei, imaginei que o sindicato, na avenida Tívoli, deveria me proteger e tentei tirar as dúvidas que
tinha. Para a minha surpresa, a funcionária do sindicato,
chamada Regina, já estava com toda a documentação pronta, lá
estava também a Leila, funcionária da Univap. A Regina me
perguntou se havia algum impedimento de minha parte, eu
respondi que sim, que estava de licença. Aí a coisa
complicou, a Regina falou que a homologação somente poderia
ser feita com a minha concordância. Apesar das insistências
e das promessas do Maurício e da funcionária Leila,afirmando
que haveria compensação financeira, não aceitei. Antes
disso, ele já havia telefonado e dito as mesmas coisas.
Como
assim?
– No dia 8 de dezembro, e, em outros dias, recebi ligações
telefônicas do Maurício, pois, ele já sabia que a demissão
tinha sido feita durante a minha licença. Dizia que, como
amigo, queria me dar um conselho, que deveria aceitar
a homologação, que seria favorecida financeiramente caso
concordasse. Não aceitei e não houve a homologação.
E como
ficou?
-
Por mais absurdo que possa parecer, eles já tinham dado
baixa na função, na carteira de trabalho, em 8 de dezembro de
2006. Tiveram que voltar atrás. A pressão foi tanta que eles
já haviam depositado o dinheiro na minha conta, acreditavam
que eu aceitaria. Tive que retirar o dinheiro da conta e devolver à Universidade,
- mais um constrangimento - levar o comprovante ao Maurício.
E o
que aconteceu então?
-
No dia primeiro de fevereiro de 2007, orientada pelo meu
advogado, retornei ao trabalho e permaneci lá das 8 da manhã
até o meio dia. As 12:30 horas, recebi uma ligação
solicitando que fosse ao departamento pessoal, fui e recebi
do Maurício uma rescisão contratual, afirmando que deveria ir ao
sindicato para a homologação.
Você
se acha prejudicada?
-
Sem dúvidas, passei por um constrangimento horrível. O pior
foi ter recebido do Maurício Silva telefonemas me
pressionado, “que era para pensar melhor”, “que o
dinheiro ia me fazer bem” e outras coisas. Na realidade, fui
ficando assustada com tudo aquilo, inclusive, com o
posicionamento do sindicato
Então
o Maurício lhe aprontou uma cafagestada?
-
Aprontou sim, e ainda se dizia amigo. Entrei na Justiça
contra a Univap e o Maurício vai ter que responder pelas
pressões que me fez.
E a
sua vida como está?
-
Está bem,- trabalho na Unitau, onde sou professora concursada
nas disciplinas do curso de Fisioterapia. Vamos tocando
em frente.
Fale com a Professora
Luciana Camargo: lusteinle@yahoo.com
O outro lado: por
várias vezes tentamos falar com o funcionário da Univap,
Maurício Miguel da Silva, pelos telefones: 3947.1000 e pelo
direto dele: 3947.1064, mas ele não retornou as ligações.
Saiba
mais:
http://www.vejosaojose.com.br/ovelhasmasnemtanto.htm
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