Inexistem indicações de
estar a presidente Dilma prestes a designar os integrantes
da Comissão da Verdade, sancionada em lei. Serão sete,
cabendo à Câmara e ao Senado a indicação de seus dois
representantes, devendo os outros cinco provir da sociedade
civil.Na investigação dos responsáveis por atos de
tortura e coisa pior, praticados à sombra do estado nos anos
bicudos da ditadura, não haverá como evitar que venham a ser
revelados também os crimes dos opositores da repressão.
Muitos integrantes do antigo regime militar hoje postos
em sossego serão chamados a prestar contas, da mesma forma
como os que pegaram em armas contra os então detentores do
poder. A memória nacional ficará enriquecida, ainda que pela
lei da anistia ninguém possa ser punido penalmente.
A reabertura de velhas feridas beneficiará os
historiadores, mas elevará a temperatura. Talvez por isso a
presidente da República protele ao máximo o início dos
trabalhos da Comissão da Verdade. Perdoar, não perdoará
nunca, mas como se sentirá caso venham a ser identificados
os esbirros que a torturaram? Ou quando revelados os nomes
de companheiros que hoje são ou foram ministros,
responsáveis por seqüestros, assaltos e até assassinatos?
PROGRAMA INVISÍVEL - Quando criado, meses
atrás, o PSD foi definido por seu criador, Gilberto Kassab,
como um partido que não era de direita, nem de esquerda,
muito menos de centro. Sequer do alto ou de baixo. Parecia
uma agremiação misteriosa, insossa, amorfa e inodora, apenas
um abrigo para oposicionistas ávidos de aderir ao governo.
Anuncia-se agora que os integrantes do PSD iniciarão
seminários e reuniões para definir o programa partidário.
Dentro de que limites? Pelo jeito, promoverão um resumo dos
programas dos demais partidos, caso não joguem todos para o
alto e aproveitem aquele que cair em cima do armário…
MAIS UM ABSURDO - Em Brasília, os bancos
estão fechados. Ninguém entra nas agencias, se não for amigo
do gerente nem conhecer os desvãos dos porões e das escadas
de serviço. O estranho é que os bancários não estão em
greve. Desta vez, com piquetes nas portas dos bancos, as
paralisações correm por conta da greve dos vigilantes. Quer
dizer, daqueles que deveriam zelar pela integridade dos
correntistas e dos funcionários.
Não se discutem as razões dessa categoria que arrisca a
vida todos os dias e recebe salários de fome e de miséria.
Se houver um fator responsável pelo impasse, será a
abominável terceirização de serviços que o neoliberalismo
exacerbou. Para não arcar com despesas trabalhistas, os
bancos delegaram a empresas privadas a contratação de
vigilantes, assim como de todo o tipo de serventes,
encarregados da limpeza, servidores de cafezinho,
motoristas, recepcionistas, escreventes e toda uma fauna de
trabalhadores deixados à margem de sua responsabilidade.
Aliás, não só os bancos, mas montes de empresas privadas
e de empresas públicas, até repartições governamentais,
ministérios, tribunais, Congresso, Assembléias Legislativas
e Câmaras de Vereadores. Fizeram todos a festa de uns poucos
malandros que celebram altos contratos, recebem muito e
pagam misérias aos que empregam.
Inclua-se nesse rol até jornalistas, técnicos de
computação, enfermeiros e a torcida do Flamengo.
O diabo é que estamos no final do mês, todo mundo tem
contas para pagar, os credores não livram a cara de ninguém
e o poder público cruza os braços. No máximo manda a
polícia, quando há agitação.
TRIBUNA DA IMPRENSA