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Na semana
passada, a TV Bandeirantes divulgou pesquisa Vox Populi
mostrando que Dilma encurtou a distância que a separa de
Serra. Na segunda-feira, foi a vez da CNT/Sensus divulgar
levantamento que mostra empate técnico entre a candidata de
Lula e o candidato de FHC. No Jornal Nacional, um silêncio
ensurdecedor. A Globo tem uma velha parceria com o Ibope,
para divulgação de pesquisas eleitorais. E o diretor do
IBOPE disse, ano passado, que Dilma teria dificuldades de
passar dos 15% nas pesquisas. A Globo, presumo, não quis
cometer a indelicadeza de divulgar pesquisas que desmintam o
velho parceiro. O artigo é de Rodrigo Vianna.
Do Blog de Rodrigo Vianna
Na última sexta-feira, a TV Bandeirantes divulgou pesquisa
Vox Populi, a mostrar que Dilma encurtou a distância que a
separa do (ainda) líder na corrida presidencial, José Serra.
Os números estão
aqui -
No Jornal Nacional, da Globo, silêncio absoluto.
Na segunda, foi a vez da CNT/Sensus divulgar levantamento
que mostra empate técnico entre a candidata de Lula e o
candidato de FHC –
Aqui
O Jornal da Record deu destaque ao fato logo nas manchetes
de abertura (na “escalada do jornal”, como dizemos em TV). A
escolha era óbvia: trata-se de um fato político e
jornalístico importante. Muita gente duvidava da capacidade
de Lula transferir votos para Dilma. Pelo visto, está a
transferir.
De novo, no Jornal Nacional, um silêncio ensurdecedor.
Eu até compreendo. A Globo tem uma velha parceria com o
IBOPE, para divulgação de pesquisas eleitorais. Por
“coincidência”, é o IBOPE também que mede a audiência dos
programas televisivos.
Pois bem: o diretor do IBOPE disse, ano passado, que Dilma
teria dificuldades de passar dos 15% nas pesquisas. A Globo,
presumo, não quis cometer a indelicadeza de divulgar
pesquisas que desmintam o velho parceiro.
Para entender melhor o papel de Montenegro nisso tudo, peço
licença ao Ricardo Kotscho, para transcrever trecho de post
por ele publicado, em 29 de abril de 2009, no
blog “Balaio” -
Na época, o diretor do IBOPE, Carlos Alberto Montenegro,
saiu a campo a dar entrevistas: o objetivo era defender a
tese de que Serra era o grande favorito na eleição de 2010
(na época, os números mostravam mesmo isso), e que nada
faria mudar esse quadro: Lula teria imensa dificuldade em
transferir votos.
Montenegro não falou só com o Kotscho. Declarações do dono
do IBOPE salpicaram páginas de revistas e jornais. O Kotscho
resumiu assim o pensamento do Montenegro sobre as chances de
Dilma:
* A transferência de votos do presidente Lula para ela
chegará mais adiante a um patamar de 15%. A partir daí, será
difícil conquistar cada ponto a mais.
* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na
lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances
na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha,
e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci,
Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice
de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para
crescer a partir daí.
* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o
candidato do governo e o candidato da oposição. Sem
candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio
entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria
candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado
por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não
teriam espaço para suas candidaturas.
* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB,
que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e
tem chances de vencer já no primeiro turno.’’
A favor de Kotscho, diga-se que ele é próximo de Lula (foi
assessor de Lula em várias campanhas, e integrou a equipe
presidencial no primeiro mandato). Portanto, teria todo
interesse em divulgar tese que favorecesse a candidata de
Lula. Acontece que Kotscho, por ser lulista, não deixa de
ser jornalista. Fez o que devia: publicou a tese de
Montenegro.
O fato é que os números do Vox Populi (na última sexta) e do
CNT/Sensus (nesta segunda) desmentem Montenegro, de forma
categórica.
Claro que muita coisa pode acontecer até outubro. Não acho
que a vida de Dilma será fácil. Há uma imprensa desesperada
pela perda de poder – disposta a tudo para tirar o PT do
Planalto. Disposta até a apoiar Serra – que (goste-se ou não
dele) é o menos liberal dos tucanos, homem que no governo
FHC batia de frente com a idéia do “Estado mínimo”.
Parece que – além dos velhos barões da imprensa, da classe
média saudosa dos milicos, e de políticos profissionais
demo-tucanos preocupados com a perspectiva de permanecer
mais 4 anos longe do poder central – há mais gente disposta
ao vale tudo contra Dilma.
Estranha a atitude do dono do IBOPE. Ele teria bola de
cristal? Ou saiu a campo prestando serviço a alguém?
Uma coisa é certa: Montenegro prestou enorme desserviço ao
IBOPE.
Imaginem se não houvesse outros institutos de pesquisas
eleitorais? A gente deve confiar no IBOPE depois das
declarações de Montenegro em 2009? O IBOPE vai divulgar
números que desmintam o dono da empresa? Estou apenas
testando hipóteses.
Para medir audiência televisiva não há concorrentes.
Montenegro nada de braçada. Não é à toa que a Conferência
Nacional de Comunicação sugeriu a criação de um instituto
independente para medir audiência televisiva.
Até porque as verbas públicas de publicidade são investidas
de acordo com audiência. E quem mede audiência? Só o
Montenegro.
Qualquer dia desses ele aparece por aí dizendo que a novela
X tem mais chance de ter audiências altas do que a novela Y.
E não haverá números de concorrentes para desmenti-lo. Só os
números do IBOPE.
Montenegro já foi presidente do Botafogo. Torce pelo time de
General Severiano. Nos últimos anos, o time dele não teve
muita sorte: perdeu três campeonatos pro Flamengo no Rio,
foi pra segundona no Brasileiro, e ano passado quase caiu de
novo.
O Montenegro, como torcedor, é meio pé-frio.
Ele torce pra mais alguém, além do Botafogo?
Não sei. Mas a Globo deve saber.
CARTA MAIOR
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