| |
“Eu nasci em na cidade de Borboleta, hoje Badi Bassit,
distrito de São José do Rio Preto. Meu pai, Pedro Ferreira
da Cruz, era fazendeiro e minha mãe era Camila Batista
Gonçalves. A gente levava uma vida bem simples. Estudei um
pouco, fiquei na fazenda e adorava futebol. Joguei bem, em
1945, atuei no São Paulo de Araçatuba, joguei no Rio Preto,
no Nova Granada.”
O primeiro trabalho
– Foi num escritório de contabilidade, em São José do Rio
Preto, fazia faxina, espanava os móveis. Me interessei pelo
serviço, o pessoal gostou de mim e me promoveu. Em 1947,
abriram um escritório em São Paulo e me convidaram para
organizar o departamento de vendas. Vim e fiquei até 1950.
Servi o exército em 48 em Quitaúna, SP. Trabalhei na Sul
América Capitalização, no jornal Folha da Manhã à noite,
controlava os linotipistas, era a época do chumbão. De manhã,
trabalhava na Mipa, um fábrica de fogões, na Ponte Pequena,
morava na rua dos Estudantes, na Liberdade.
O retorno para Rio Preto
– Meu pai disse para voltar que havia um bom emprego para
mim em um banco. Fui, não deu certo no banco e procurei um
parente que tinha uma distribuidora de bebidas, em Nova
Granada. Deu certo, fiz um teste no Nova Granada Futebol
Clube.
A tuberculose
– De repente comecei a emagrecer, cheguei a 45 quilos e o
médico me mandou para Campos do Jordão onde cheguei no dia 8
de agosto de 1950, com 23 anos. Lá, o meu médico era um
conhecido de Fernandópolis que me falou que tinha que ficar
por uns dois anos para o tratamento. Fui para o Sanatório
US3. Saí por 15 de férias e fiquei um ano e meio na fazenda
em Tanabi. Tive um recaída e voltei à Campos do Jordão, me
curei mas, a conselho médico fiquei na cidade por causa do
clima bom.
Trabalhando em Campos do Jordão – No começo de julho de 1953, comecei a trabalhar no escritório
Floriano Rodrigues Pinheiro que deu o nome à estrada que
liga a cidade a Taubaté. Lá fiquei por nove anos e meio.
O radialista
– Durante a noite, virei locutor da Rádio Emissora de Campos
do Jordão, “A mais Alta do Brasil, afiliada a Rede
Bandeirantes”. Um dia, no salão de festas, Elite, o
gerente da rádio, Mário Cola Francisco, me apresentou o Dr.
João Jorge Saad o presidente da Rádio Bandeirantes que disse
estar me ouvindo no ar. O Dr. João afirmou que havia gostado
do meu trabalho e me deu um cartão para que eu começasse a
trabalhar na emissora, em São Paulo, mas não fui. Também fui
convidado para fazer comerciais no Rio de Janeiro e recusei.
Eu vivia bem em Campos do Jordão onde me divertia dançando.
Fui até em Buenos Aires dançar tango, eu dançava muito.
O casamento –
A Maria Alice também foi doente e ia anualmente à Campos
passar uns tempos, a conheci em 1954, quem me apresentou foi
uma amiga nossa de São José dos Rio Preto. Nos conhecemos e
fui apresentado ao pai dela que me convidou parta aparecer
na cidade de Graça. Estamos casados há 51 anos, fizemos
bodas de ouro. Os quatro filhos mais velhos nasceram em
Campos do Jordão, a caçula nasceu em Garça onde tínhamos uma
fazenda, em Campos Novos Paulista. Lá fiquei de 1962 a 1967
cuidando da fazenda com plantação de mandioca e criação de
gado. Fui vereador e presidente da Câmara Municipal de
Campos Novos.
São José dos Campos
- Em 13 de janeiro de 1967, vendemos a fazenda e viemos para
São José dos Campos onde me dediquei à venda de óleo
comestível fabricado por meu cunhado. Fui morar na rua
República do Líbano, 270, permaneci lá por sete anos. Em 72,
comprei um terreno e construí a minha casa. Eu vendia óleo
aqui, em Suzano, Litoral e Sul de Minas. Fui quem vendeu
mais.
O restaurante –
Eu estava tomando conta do Hotel Madri, do Tomaz que
tinha ido para a Espanha, e um amigo meu, o Olírio Costa,
que tinha um hotel na Praça da Matriz, me chamou e perguntou
se eu não queria comprar o Restaurante Villa Velha. Eu disse
que não tinha dinheiro. Olírio disse que não era problema,
que o dono era um parente que precisava vender. Eu falei com
o Teixeira, um engenheiro, me propôs o preço de R$500 mil,
com R$ 150 mil de entrada.
Eu não tinha. Acabei dando R$ 20 mil de entrada, uma parte
emprestada por uma amigo de Campos do Jordão, o Chiquinho,
sem juros. O Zimbreira também me ofereceu crédito e me
ajudou. Eu convidei o meu cunhado, o Kiko para entrar no
negócio. Pagamos o restaurante. Sai da sociedade em 81 para
comprar o Restaurante Mezanino, na av. 9 de Julho. Em 1989,
comprei o Villa Velha do Kiko. Não devo nada a ninguém. A
Cantina da Nena e o Villa Velha são as casas mais antigas e
tradicionais de São José dos Campos. Vamos fazer 40 anos em
fevereiro do ano que vem. Na minha mão são 32 anos.
A gastronomia joseense
- Temos duas casas, o Villa Velha especializado em
Pintado na Brasa e Camarão na Brasa com outros
pratos no cardápio. Já no Trattoria o forte são as saladas e
a Perna de Cabrito. O garçom mais antigo de São José,
o Guaxupé, trabalha conosco há muito tempo. O importante é
formar uma boa equipe e nós temos uma maravilhosa. A nossa
clientela é formada por gente daqui e de fora.
Uma mensagem - Estou
muito honrado por falar alguma coisa . Eu nunca havia
entrado numa cozinha, mas disse a mim mesmo que poderia
fazer. Digo ao pessoal do ramo que procurem melhorar sempre,
ofereça sempre o melhor. São José é uma cidade rica e
acolhedora. O importante é conquistar antes de tudo a
amizade e depois o cliente. Esse é o segredo.




(*) Ricardo Faria -
ricardo@vejosaojose.com.br
|