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  17.08.2007 00h.01  
 

Antonio Ferreira                Em 13 de agosto, passamos na Churrascaria Villa Velha para dois dedos de prosa com o Antonio Ferreira, o famoso Toninho, que completa 80 anos, em 18 de setembro, 40 deles bem vividos em São José dos Campos.

Ricardo Faria (*)

 

“Eu nasci em na cidade de Borboleta, hoje Badi Bassit, distrito de São José do Rio Preto. Meu pai, Pedro Ferreira da Cruz, era fazendeiro e minha mãe era Camila Batista Gonçalves. A gente levava uma vida bem simples. Estudei um pouco, fiquei na fazenda e adorava futebol. Joguei bem, em 1945, atuei no São Paulo de Araçatuba, joguei no Rio Preto, no Nova Granada.”

O primeiro trabalho – Foi num escritório de contabilidade, em São José do Rio Preto, fazia faxina, espanava os móveis. Me interessei pelo serviço, o pessoal gostou de mim e me promoveu. Em 1947, abriram um escritório em São Paulo e me convidaram para organizar o departamento de vendas. Vim e fiquei até 1950. Servi o exército em 48 em Quitaúna, SP. Trabalhei na Sul América Capitalização, no jornal Folha da Manhã à noite, controlava os linotipistas, era a época do chumbão. De manhã, trabalhava na Mipa, um fábrica de fogões, na Ponte Pequena, morava na rua dos Estudantes, na Liberdade.

O retorno para Rio Preto – Meu pai disse para voltar que havia um bom emprego para mim em um banco. Fui, não deu certo no banco e procurei um parente que tinha uma distribuidora de bebidas, em Nova Granada. Deu certo, fiz um teste no Nova Granada Futebol Clube.

A tuberculose – De repente comecei a emagrecer, cheguei a 45 quilos e o médico me mandou para Campos do Jordão onde cheguei no dia 8 de agosto de 1950, com 23 anos. Lá, o meu médico era um conhecido de Fernandópolis que me falou que tinha que ficar por uns dois anos para o tratamento. Fui para o Sanatório US3. Saí por 15 de férias e fiquei um ano e meio na fazenda em Tanabi. Tive um recaída e voltei à Campos do Jordão, me curei mas, a conselho médico fiquei na cidade por causa do clima bom.

Trabalhando em Campos do Jordão – No começo de julho de 1953, comecei a trabalhar no escritório Floriano Rodrigues Pinheiro que deu o nome à estrada que liga a cidade a Taubaté. Lá fiquei por nove anos e meio.

O radialista – Durante a noite, virei locutor da Rádio Emissora de Campos do Jordão, “A mais Alta do Brasil, afiliada a Rede Bandeirantes”. Um dia, no salão de festas,  Elite, o gerente da rádio, Mário Cola Francisco, me apresentou o Dr. João Jorge Saad o presidente da Rádio Bandeirantes que disse estar me ouvindo no ar. O Dr. João afirmou que havia gostado do meu trabalho e me deu um cartão para que eu começasse a trabalhar na emissora, em São Paulo, mas não fui. Também fui convidado para fazer comerciais no Rio de Janeiro e recusei. Eu vivia bem em Campos do Jordão onde me divertia dançando. Fui até em Buenos Aires dançar tango, eu dançava muito.

O casamento – A Maria Alice também foi doente e ia anualmente à Campos passar uns tempos, a conheci em 1954, quem me apresentou foi uma amiga nossa de São José dos Rio Preto. Nos conhecemos e fui apresentado ao pai dela que me convidou parta aparecer na cidade de Graça. Estamos casados há 51 anos, fizemos bodas de ouro. Os quatro filhos mais velhos nasceram em Campos do Jordão, a caçula nasceu em Garça onde tínhamos uma fazenda, em Campos Novos Paulista. Lá fiquei de 1962 a 1967 cuidando da fazenda com plantação de mandioca e criação de gado. Fui vereador e presidente da Câmara Municipal de Campos Novos.

São José dos Campos - Em 13 de janeiro de 1967, vendemos a fazenda e viemos para São José dos Campos onde me dediquei à venda de óleo comestível fabricado por meu cunhado. Fui morar na rua República do Líbano, 270, permaneci lá por sete anos. Em 72, comprei um terreno e construí a minha casa. Eu vendia óleo aqui, em Suzano, Litoral e Sul de Minas. Fui quem vendeu mais.

O restaurante – Eu estava tomando conta do Hotel Madri, do Tomaz  que tinha ido para a Espanha, e um amigo meu, o Olírio Costa, que tinha um hotel na Praça da Matriz, me chamou e perguntou se eu não queria comprar o Restaurante Villa Velha. Eu disse que não tinha dinheiro. Olírio disse que não era problema, que o dono era um parente que precisava vender. Eu falei com o Teixeira, um engenheiro, me propôs o preço de R$500 mil, com R$ 150 mil de entrada.

Eu não tinha. Acabei dando R$ 20 mil de entrada, uma parte emprestada por uma amigo de Campos do Jordão, o Chiquinho, sem juros. O Zimbreira também me ofereceu crédito e me ajudou. Eu convidei o meu cunhado, o Kiko para entrar no negócio. Pagamos o restaurante. Sai da sociedade em 81 para comprar o Restaurante Mezanino, na av. 9 de Julho. Em 1989, comprei o Villa Velha do Kiko. Não devo nada a ninguém. A Cantina da Nena e o Villa Velha são as casas mais antigas e tradicionais de São José dos Campos. Vamos fazer 40 anos em fevereiro do ano que vem. Na minha mão são 32 anos.

A gastronomia joseense - Temos duas casas, o Villa Velha especializado em Pintado na Brasa e Camarão na Brasa com outros pratos no cardápio. Já no Trattoria o forte são as saladas e a Perna de Cabrito. O garçom mais antigo de São José, o Guaxupé,  trabalha conosco há muito tempo. O importante é formar uma boa equipe e nós temos uma maravilhosa. A nossa clientela é formada por gente daqui e de fora.

Uma mensagem - Estou muito honrado por falar alguma coisa . Eu nunca havia entrado numa cozinha, mas disse a mim mesmo que poderia fazer. Digo ao pessoal do ramo que procurem melhorar sempre, ofereça sempre o melhor. São José é uma cidade rica e acolhedora. O importante é conquistar antes de tudo a amizade e depois o cliente. Esse é o segredo.

Fotos: Ricardo Faria

Fotos: Ricardo Faria

Fotos: Ricardo Faria

Fotos: Ricardo Faria

(*) Ricardo Faria - ricardo@vejosaojose.com.br


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