|
Neste
curto espaço de tempo faleceram: dia 11.01.2008, José Luiz
Pasin, em Lorena; dia 5.04.2008, o alemão Klaus Liebegott,
em São José dos Campos, e, dia 15.05.2008 o geógrafo Ricardo
Corbani Ferraz, em São José dos Campos.
Cada
qual, ao seu estilo, deu a sua grande contribuição para um
planeta melhor, onde deve reinar o respeito aos seres vivos,
a honestidade, e o trabalho. Hoje, vamos nos ater à figura
emblemática de Ricardo Ferraz que não teve unanimidade de
simpatia. Sempre radical na defesa de seus pontos de vista,
dominava as questões ambientais; assim, as pessoas o
respeitavam.
Foi um
contumaz crítico do plantio descontrolado de eucalipto pela
Votorantin, à poluição causada pelas indústrias,
principalmente a Petrobras, à degradação do rio Paraíba do
Sul, à omissão e trapalhadas da Polícia Ambiental.
Ricardo
não acreditava mais nos sindicatos, em muitas ONGs
ambientalistas, nos partidos políticos, nos governos, mas,
sempre alimentava a idéia de que muitos entrando na luta
ecológica a situação catastrófica que presenciamos poderia
se reverter.
Ricardo
foi membro atuante do Conselho Estadual do Meio Ambiente –
Consema - na década de 1990. Era diretor Técnico da
Sociedade Ecológica de Santa Branca – Sesbra - Protocolou
várias ações na Justiça contra predadores ambientais. Foi
citado no livro Galeria dos Ecologistas, 1997, de João de
Toledo Cabral.
Estava
concluindo uma pesquisa sobre a monocultura do eucalipto no
Vale do Paraíba e formalizando a criação de uma entidade
para combater a omissão e corrupção, hoje
“institucionalizada” e apoiada por superiores
(corporativismo) em alguns órgãos públicos.
Ricardo
esteve numa reunião ecológica e jurídica com o ambientalista
e advogado Dênis Ometo, no Jardim Apolo. Ao término, por
volta das 21:45 horas, saiu com destino à sua casa em
Jacareí onde morava com sua mãe.
O que se
conta é que, na entrada para a Unip (Universidade Paulista),
parou o carro para urinar, sendo atropelado por um Gol que
transportava dois alunos da Universidade.
A vítima
teve morte instantânea e os ocupantes do veículo nada
puderam fazer, a não ser comunicar o fato às autoridades.
Segundo informações, o trágico acidente que vitimou um dos
mais talentosos e atuantes ecologistas do Vale do Paraíba
ocorreu por volta das 22:10 horas
Muitas
autoridades, parentes, amigos e ambientalistas estiveram
presentes no velório do intrépido guerreiro. O professor
José Moraes Barbosa fez um belíssimo e emocionante discurso
na derradeira hora.
Ricardo
nasceu em Jacareí dia 13 de julho de 1952. Era filho de
Neyri Lamanna Ferraz e de Antonieta Corbani Ferraz. Deixa o
filho Maiarum Sant’Ana Ferraz, os irmãos Alberto e Armando,
e as irmãs Celeste e Keity.
Ricardo
deixou-nos tão cedo, mas deixa um grande legado, o da
coragem e da incorruptibilidade, um comportamento tão
precioso e raro.
Que as
Câmaras Municipais de Jacareí, São José dos Campos, Santa
Branca e outras perpetuem o nome do ambientalista Ricardo
Corbani Ferraz em uma via ou escola pública, já que era
professor. É o mínimo que o poder público deve fazer em
homenagem uma pessoa desse quilate.
“Ricardo, você morreu tão cedo, mas sua memória ficará
gravada para sempre em nossos corações. Você foi um divisor
de águas”.
(*) João de Toledo Cabral é
Conselheiro do Grupo Consciência Ecológica Diretor do Centro
de Vivência Ambiental Karaí Poty - toledocabral@uol.com.br
|