O que tem em comum Ítalo Bustamante, Percival de Souza, Murilo Felisberto, Helio Bicudo, Antônio Ferreira Pinto,Mario Cesar Carvalho, Túlio Kahn, Roberto Conde Guerra e Rede Globo de Televisão? Provavelmente a maneira com que se tentou enredá-los.
Senão vejamos, nos anos 70 o Jornalista Percival de Souza fazia matérias sobre a organização criminosa conhecida como Esquadrão da Morte e foi convidado para um encontro com o Promotor de Justiça Ítalo Bustamante que a época prestava serviços a famigerada CGI (Comissão Geral de Inquerito), dirigiram-se Percival e Murilo Felisberto, então Diretor de redação do Jornal da Tarde, para o encontro,num restaurante japonês no bairro da liberdade.
Lá chegando, perceberam que o restaurante era usado somente para o encontro deles.
Após o jantar o Promotor Ítalo Bustamante passou a atacar o Promotor Helio Bicudo e a querer entregar documentos, inclusive do Imposto de Renda, do referido Promotor, o que foi prontamente recusado por Percival e Murilo por entenderem que tal atitude feria as normas do bom jornalismo, alem disso, imediatamente comunicaram o fato ao Promotor Helio Bicudo.
Passaram-se os anos e o Secretário de Estado dos Negócios da Segurança Pública do Estado de São Paulo encontra-se com o jornalista da Folha de São Paulo, Mario Cesar Carvalho, e lhe entrega documentos. Coincidentemente, e não vai aqui nenhuma afirmação ou juízo de valor, passado alguns dias o referido jornalista faz uma matéria devastadora contra Tulio Kahn.
Depois disso o mundo desaba, o Secretário se diz espionado o que me causa espanto, pois em sendo o mesmo Promotor de Justiça Pública tem a obrigação de saber que não existe o crime de espionagem em tempos de paz, ao que me consta no momento nosso País não luta contra nenhum inimigo externo.
Instaurou-se inquérito policial para apurar a presença de policiais no shopping onde foram feitas as imagens, mas em nenhum momento instaurou-se qualquer procedimento para se apurar a presença de Mario Cesar Carvalho e Ferreira Pinto no Shopping.
Tal encontro me causa estranheza, pois já fiz centenas de entrevistas com autoridades durante minha carreira sempre nos estúdios da rádio, por telefone ou no local de trabalho da autoridade entrevistada. Nunca num shopping após horário de trabalho.
Que mal haveria do jornalista ser visto entrando no gabinete do Secretário? Quem deve responder é o próprio Secretário.
Causa-me também perplexidade que o referido inquérito seja presidido pelo próprio Delegado Corregedor Geral Délio Montresor.
É no mínimo questionável, pois a Corregedoria é subordinada diretamente ao Secretário de Segurança Pública. Como o seu homem de confiança preside o inquérito?
Por mais correto, digno e honrado que seja o Delegado Délio Montresor, que independência tem para presidir tal inquérito? Entendo que nenhuma, que ele não poderá ter liberdade para decidir com isenção, já que existem delegados, investigadores de policia sendo investigados em tal fato. Indago dos senhores, quem demite o investigador? Respondo, o próprio Secretário de Segurança Pública.
Portanto, embora nenhum crime tenha sido cometido pelos referidos policiais tenho a mais absoluta certeza que alguma punição lhes será dada.
É estarrecedor que num caso absolutamente banal haja a pedido do Secretário para o acompanhamento do GAECO, o Grupo de Atuação do Ministério Público de combate ao crime organizado.
É vergonhoso o rumo que essa investigação toma, com ares de grande conspiração.
É o momento de se colocar um paradeiro nessa história e se verificar o que o Secretário estava fazendo em companhia do jornalista Mario Cesar Carvalho no Shopping Higienópolis.
O contato com o referido jornalista será difícil, pois ele foi transferido e fixou residência nos Estados Unidos. Para ouvi-lo, somente por carta rogatória.
O Delegado Roberto Conde Guerra cometeu o supremo crime de repercutir noticia dada pela Rede Globo e por isso foi punido com demissão. A mim não estranha.
Volto a contar a um fato de anos atrás quando o Delegado Pedro Herbela concedeu um registro de arma a um assecla do famigerado sequestrador Andinho e o Delegado Agnaldo Fracarolli forneceu e porte.
O
então Presidente da OAB Jacareí, SP,
representou em juízo e na Corregedoria
da Policia e o que ocorreu? O Presidente
da OAB foi assassinado tempos depois a
luz do dia numa rua movimentada de
Jacareí.
Ora, a história dos ternos é real e quem
pagou o preço?
O Delegado Conde Guerra conseguirá retornar a Policia? É óbvio que sim. Receberá indenização pelo dano moral? Com certeza.
A Administração hoje é vergonhosa, escrivãs são torturadas, a Diretora Maria Inês diz com todas as letras, frente às câmeras de televisão "O Secretário tinha conhecimento dos fatos", Maria Inês é defenestrada, o Secretário continua.E o que fez o Ministério Público nesse caso? Não viu nenhuma ilegalidade em elação à tortura da escrivã e pediu o arquivamento dos autos. Palmas para o Ministério Publico.
Portanto, é necessário que se mude alguma coisa, espero sinceramente o retorno de Roberto Conde Guerra, ainda que seja para continuar brigando com ele.
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com
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