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Ainda
que a Instituição fosse dele, seria, apenas, uma
demonstração de pequenez.
Paulo
de Almeida alerta: “Temos de lutar contra os bárbaros, que
pretendem destruir as nossas instituições democráticas pela
via dos velhos arremedos de "poder popular" e de "democracia
direta", que constituem um insulto à teoria e à prática da
representação política; contra os que desejam limitar a
liberdade de imprensa a pretexto de "responsabilidade
social"; contra os que querem fazer a escola retroceder a
tempos obscurantistas de explicações ingênuas e
anti-científicas; contra os que aspiram a dividir o povo em
categorias raciais estanques, sob escusa de redimir antigas
injustiças; contra os que defendem privilégios inaceitáveis,
como os do foro privilegiado para políticos de província e
pensões milionárias para os que exerceram cargos públicos
por escasso tempo. Temos que nos defender dos agentes
corruptores, muitos deles eleitos por nós mesmos para altos
cargos nas instituições públicas e de representação
política.” Paulo Roberto de Almeida -
www.pralmeida.org
No
último dia 19, falamos com o engenheiro Vicente Cioffi, 46,
natural de Queluz, no Vale do Paraíba. Ex aluno da Univap,
relatou alguns fatos da sua época de estudante na Faculdade
de Engenharia e Arquitetura de São José dos Campos.
Como
veio parar em São José? –
A minha família morava em São Paulo e resolveu vir para cá
em 1976. Meu pai era almoxarife numa construtora e minha mãe
dona de casa. Continuamos na mesma casa, no bairro do São
Dimas. Cheguei com 9 anos, estudei no Siqueira Afonso, no
João Cursino e no Vieira Macedo. Fiz um curso técnico
eletrônico na Etep e trabalhei na General Motors. Resolvi
fazer engenharia, prestei vestibular, em 1987 e passei. As
antigas Faculdades Integradas do Vale do Paraíba, mantidas
pela Fundação Valeparaibana de Ensino funcionavam no prédio
na rua Paraibuna com a Faculdade de Ciências Humanas e a
Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia com a Faculdade de
Engenharia Elétrica, Civil e Arquitetura.
Como
era a faculdade naquele tempo?
– Quando ingressei, vinha com uma militância política em São
José, desde 1982. Passei a participar do Diretório Acadêmico
preocupado com a situação da Faculdade onde o movimento
estudantil era pequeno e disperso. O diretor era o Francisco
Moral, dois anos depois assumiu o Luiz Antonio Pedrosa.
E o
movimento estudantil?
– Iniciamos uma participação através do Diretório Acadêmico
das Ciências Exatas e Tecnologia, antigo D.A. de Engenharia
e Arquitetura, um diretório atuante, tivemos um contato com
o pessoal da área de humanas e acabamos organizando algo
inédito, foi o melhor período do movimento estudantil, de
1987 a 1992. Conseguimos unir as faculdades com a criação do
Diretório Central dos Estudantes o D.C.E. Henfil, mesmo
tendo contra nós a direção autoritária do Baptista Gargione.
Como
assim?
– Na realidade, ele nos perseguiu muito, os que se
mobilizavam eram acusados de comunistas e esquerdistas.
Quando surgiu a CUT e o PT ele dizia que o pessoal era da
Central ou do Partido dos Trabalhadores, eu nem era de
nenhum deles e fui um dos acusados pelo Gargione. Foi uma
forma dele tentar desmobilizar o movimento, jogar a direção
contra os alunos, alguns diretórios recuaram como foi o caso
da Faculdade de Direito. Mas tínhamos representantes
dispostos a lutar pela qualidade do ensino e apontar os
erros.
Qual
era a qualidade do ensino?
– Muito deficiente, principalmente na Engenharia, havia
problemas com os laboratórios e condições precárias do
prédio. Foram os próprios alunos que se reuniram e
construíram o prédio novo com fundos angariados na cidade e
junto ao Ministério da Educação que mandou vários
laboratórios.
O
Holanda, hoje professor de História, foi um dos estudantes
batalhadores, o Moraes e o Adilson. A luta era por um ensino
melhor e contra os aumentos das mensalidades feitos sempre
pelo Gargione. Conseguimos algumas vitórias através de
passeatas que chegaram a reunir 4 a 5 mil pessoas. Ainda
assim a direção não recuava.
E daí?
– Como o MEC não se posicionava quanto aos aumentos,
começamos ir à Justiça através do Dr. Jaime Bustamante que
se dispôs a nos apoiar. Em 1988, ingressamos com mais de
duas mil ações contra o Baptista Gargione pelos aumentos
irregulares das mensalidades – tivemos algumas vitórias,
começamos a depositar em juízo, e isso obrigou a direção a
recuar. Vários juizes e promotores davam aulas na
Universidade e isso gerava suspeição.
Como
foi a luta pela estadualização da Universidade?
– Em primeiro, porque todos os recursos da Univap, incluindo
prédios e o próprio terreno da Urbanova, vieram do poder
público. Foram a prefeitura e o Governo Federal que fizeram
as doações e nós entendemos que a Instituição deveria ser
pública. Mas, se estadualizou só em Lorena e Bauru, a Univap
ficou de fora, pela falta de unidade política na cidade.
Qual o
problema de uma universidade pública?
– Ela sempre trás formação de lideranças, muita tecnologia e
desenvolvimento e isso não é interessante para as pessoas
com mentalidade pequena que querem se manter nos cargos a
qualquer custo.
De
onde vinha a força do Gargione?
– Ele tinha o poder político gerado pela distribuição de
bolsas de estudo através de vereadores e outras pessoas. Ele
chegou a ser secretário municipal. O prefeito da época,
Joaquim Bevilacqua, exigiu que o Gargione fosse o
interventor na Univap e tudo começou. Ele se manteve na
direção à custa de muito autoritarismo e do sacrifício das
pessoas, algo que perdura até hoje. Ele transformou tudo em
números e faturamento: quanto mais gente e mais faturamento
melhor, a qualidade do ensino que se dane.
A
Univap nunca foi considerada uma boa universidade?
– Exatamente, na época do governo Collor as universidades
passaram a fazer tudo da maneira que queriam, os reajustes
nas mensalidades foram absurdos, na casa dos 90 por cento. O
Gargione não estava nem aí, não ouvia os alunos e nem
aceitava negociar, mesmo com um greve que durou mais de 30
dias.
Chegaram a falar diretamente com ele?
– Por muitas vezes, ele gritava, dava murros na mesa, falava
em tom ameaçador, mas nunca nos intimidamos. Foram oito anos
de lutas e sempre enfrentamos a direção. Vários colegas
foram sondados, alguns chegaram a ganhar bolsas de estudo,
outros se afastaram. Chegaram a inventar que os alunos
usavam drogas para denegrir e tentar desmobilizar o
movimento estudantil. Ainda assim, conseguimos vencer na
Justiça.
Como
foi a invasão do D.C.E.?
– Ela ocorreu em 1989, estávamos numa reunião na Associação
Comercial com o presidente do D.A. da Engenharia, Gabriel
Silva, justamente para discutir a estadualização da Univap.
Depois desse evento, saímos nas férias de julho e a direção
se aproveitou para mandar invadir o prédio do D.C.E.
Entramos com uma ação judicial.
Eles
demoliam o prédio e os alunos o reconstruíam à noite, eram
mais de mil estudantes em ação. Eles, da direção, começaram
a demolir o prédio com todo o material do D.A.dentro, livros
de atas, documentos, móveis, biblioteca num total
desrespeito. Nós reagimos, queimamos bonecos do Gargione,
fizemos fotos, peitamos a direção durante um ano. O MEC foi
obrigado a mandar representantes para as avaliações. As
pressões e ameaças eram constantes, algumas pessoais feitas
pelo diretor da faculdade de direito, o Pimentel. E a coisa
rolou.
E o
que aconteceu?
– Foi algo absurdo. Em 1992, José Goldemberg se afastou do
Ministério da Educação para coordenar a Eco 92. No lugar
dele assumiu o Teixeira Junior que era secretário adjunto do
Conselho Federal e foi dele a iniciativa de aprovar a
Universidade do Vale do Paraíba. O mais engraçado é que ele
se aposentou em seguida vindo a assumir uma reitoria na
Univap, virou vice-reitor e vice presidente da FVE. É algo
que precisa ser observado e analisado.
Como
eram as perseguições?
– No meu caso e de dois colegas, levamos seis anos para
fazer o curso. As perseguições foram muitas. Para se ter uma
idéia, o meu Trabalho de Graduação (TG) foi apresentado
através de um Mandato de Segurança. O Gargione
afirmou que jamais permitiria que eu apresentasse o meu TG.
Eu e o Gabriel fomos ameaçados de sermos jubilados. Fomos
obrigados a fazer um novo vestibular e passamos.
Perseguidos, vários colegas dos cursos técnicos foram
obrigados a deixar os estudos em face da participação nos
movimentos estudantis. Colegas, lamentavelmente, trocaram a
militância por bolsas de estudo. Eu entrei com uma ação e a
Faculdade foi obrigada a aceitar a minha apresentação de TG.
Chegaram a fazer as provas através de decisões judiciais?
– Os alunos estavam depositando as mensalidades em juízo,
havia uma decisão judicial que garantia a participação nas
provas que a Faculdade insistia em não cumprir. Nós exigimos
e chegamos a ter um problema sério com o professor Luiz
Antonio Pedrosa a quem chegamos a dar voz de prisão. Falamos
que ele deveria cumprir a Lei e ele se negou afirmando:”Isso
pra mim não existe, vocês não irão fazer prova.”
Nós
insistimos e ele continuou se negando, foi quando eu disse:
“Então o senhor está preso, nós, enquanto cidadãos, estamos
lhe dando voz de prisão e o senhor não irá sair daqui
enquanto a polícia não chegar. Ficamos até as 22 horas, os
advogados vieram, a polícia também e houve um acordo para a
liberação do diretor desde que a Lei fosse obedecida. Na
semana seguinte, os estudantes fizeram as provas. Deu capa
de jornal, o diretor recebendo voz de prisão. Na formatura,
ele não quis me cumprimentar e foi vaiado pelos presentes.
E
quanto aos professores?
– Perdemos muitos que se organizaram através de sindicatos e
associações para discutir a qualidade do ensino. O Gargione
demitiu todos. A professora Ana Maria foi muito perseguida.
Mesmo
assim conseguiu se formar?
– Eu me formei em 1993, colei grau em 1994, hoje trabalho na
Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
O que
acha do Baptista Gargione?
– Ele não mudou, sempre foi autoritário, grosseiro no trato
com as pessoas. Nunca respeitou a representação estudantil,
sempre tentou atropelar e coptar. Não só ele, todos que
gravitam em torno dele fazem o mesmo e devem ser
responsabilizados judicialmente.
O que
acha desse movimento que deseja o afastamento do Baptista
Gargione da Univap?
– Espero, sinceramente que aconteça. O movimento é muito
maior, preocupado com o futuro da Universidade, com a
qualidade do ensino e transparência nos atos da
Universidade. É impossível admitir que uma pessoa consiga
ficar esse tempo todo, desde 1977, como presidente da
mantenedora e reitor ao mesmo tempo. Isso não existe em
nenhum lugar do mundo, só nos reinados e não é o nosso caso.
A Univap é uma Universidade comunitária com um Conselho
onde a cidade tem participação. Por muitos anos recebeu
verbas públicas e continua recebendo. É necessário que a
sociedade exija a mudança.
Veja algumas matérias envolvendo a atual
gestão da Univap:
-Marcos
Tadeu denuncia Univap
-
Contrato
SPTrans/Univap
- Mais
denúncias contra a Univap
- Frota
fantasma da FVE/Univap
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Univap terceirizou serviços -
Estadão denuncia FVE -
Kassab descarta Univap -
Ônibus com Guiagem Magnética -
A Câmara Municipal e o reitor -
Gargione no olho da rua
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Igreja da Univap
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Cristóvão convoca Gargione
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Conselheiros denunciam FVE -
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Serra, Kassab e Gargione
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Univap na Justiça -
Ônibus Magnético e o MP -
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quer investigar Univap
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Pro reitor aciona Univap -
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Perseguição na UNIVAP
(*) Acassio Costa é advogado
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acassio@vejosaojose.com.br
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