Empáfia, presunção e arrogância costumam ser vício dos tolos. Com todo o respeito, são essas as posturas mais verificadas no palácio do Planalto, no PT e na campanha de Dilma Rousseff, depois da divulgação da última pesquisa eleitoral da Datafolha, domingo passado. Imagine-se a próxima, a ser conhecida hoje, da CNI-Ibope, caso mantida a ascensão da candidata.
O clima no governo é de tanta euforia que assessores e ministros já convencem o presidente Lula de não precisar mais fazer concessões a partidos aliados. Daí as informações de Michel Temer estar sendo garfado como candidato a vice-presidente na chapa oficial. Para que entregar ao PMDB considerável parte do bolo do poder se Dilma pode considerar-se eleita pelas próprias forças do Lula?
Por conta disso voltaram a cogitar de Henrique Meirelles, que daria tranqüilidade ao mercado, mas não traria um voto sequer para a ministra. A equação evoluiu e hoje concentra-se em Ciro Gomes como a melhor solução, pela liderança de que dispõe e, mais ainda, por afastá-lo da disputa presidencial. O ex-ministro e ex-governador do Ceará parece pronto a ser seduzido pela proposta. Seu papel, na chapa, seria o de verdugo, batendo firme em José Serra, enquanto Dilma faria às vezes da boazinha, reservando-se para exaltar o presidente Lula e falar da continuidade no futuro.
A política dá muitas voltas e parece no mínimo prematuro raciocinar como os partidários da candidata. Pesquisas não ganham eleição, refletem no máximo um momento. Os números costumam ser levianos, ainda que indiquem tendências.
Perigoso para o governo seria o PMDB reagir ao descarte de Michel Temer e partir para a retaliação, capaz de cristalizar-se na candidatura própria, desde que apoiada pela totalidade do partido. José Serra colheria dividendos. CLAUDIO HUMBERTO






