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12.03.2010  00h.01
 
Empáfia, presunção e arrogância

Carlos Chagas (*)

 

Empáfia, presunção e arrogância costumam ser vício dos tolos. Com todo o respeito, são essas  as posturas mais verificadas no palácio do Planalto, no PT e na campanha de Dilma Rousseff, depois da divulgação da última pesquisa eleitoral da Datafolha,  domingo passado.  Imagine-se a próxima, a ser conhecida hoje, da CNI-Ibope, caso mantida  a ascensão da candidata.

O clima no governo é de tanta euforia que assessores e ministros já convencem o presidente Lula de  não precisar mais  fazer concessões a partidos aliados. Daí as informações de Michel Temer estar sendo garfado como candidato a vice-presidente na chapa oficial.  Para que entregar ao PMDB considerável parte do bolo do poder se Dilma pode considerar-se eleita pelas próprias forças do Lula?

Por conta disso voltaram a cogitar de Henrique Meirelles, que daria tranqüilidade ao mercado, mas não traria um voto sequer para a  ministra. A equação evoluiu e hoje concentra-se em  Ciro Gomes  como a melhor solução, pela liderança de que dispõe e, mais ainda, por afastá-lo da disputa presidencial. O ex-ministro e ex-governador do Ceará parece pronto a ser seduzido pela proposta. Seu papel, na chapa, seria o de verdugo, batendo firme em José Serra, enquanto Dilma faria às vezes da boazinha, reservando-se para exaltar o presidente Lula e falar da continuidade no futuro.

A política dá muitas voltas e parece no mínimo prematuro raciocinar como os partidários da candidata. Pesquisas não ganham eleição, refletem no máximo um momento. Os números costumam ser levianos, ainda que indiquem tendências.

Perigoso para o governo seria o PMDB reagir ao descarte de  Michel Temer e partir para a retaliação, capaz de cristalizar-se na candidatura própria, desde que apoiada pela totalidade do partido. José Serra colheria dividendos. CLAUDIO HUMBERTO


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