BRASÍLIA - Nas últimas duas semanas o governo
anunciou a aplicação de pelo menos 120 bilhões de reais para
irrigar a economia privada diante da crise econômica
mundial. Certos números chegam a bater cabeça com outros,
mas pode-se relacionar 5 bilhões para pequenas e médias
empresas, 10 bilhões para grandes empresas, 30 bilhões para
os bancos sustentarem o crédito, 20 bilhões para socorrer
bancos, 40 bilhões para o setor produtivo, sem falar nos 21
bilhões que durante dez dias por mês deixarão de entrar nos
cofres públicos.Mesmo se admitindo a mágica da
multiplicação dos bilhões, e tendo-se a evidência de que
esses recursos não são liberados todos de uma vez, a verdade
é que de algum lugar eles saem. Haveria uma fonte secreta
nos porões do Banco Central, um depósito clandestino no
andar de cima do Banco do Brasil? E se tanto dinheiro assim
existia escondido, porque não o utilizaram nas obras do PAC,
na ampliação de escolas e hospitais, no reaparelhamento das
forças armadas e em tantas outras necessidades prementes?
É claro que não é nada disso, e a pergunta continua: de
onde estão vindo os bilhões? Só tem uma explicação: vem das
nossas reservas em dólares, lá fora, que até pouco somavam
200 bilhões de dólares e hoje ninguém sabe a quanto vão.
Não deixa de ser perigoso, se a essas reservas se
acrescentar à evasão de pelo menos 500 bilhões de reais do
capital especulativo que já se escafederam do Brasil depois
de caracterizada a crise. O risco é, da noite para o dia,
cairmos na bancarrota. Apesar de o governo informar que os
bilhões de auxílio à economia servem para que tudo continue
funcionando, a conseqüência será a diminuição dos
investimentos, os cortes orçamentários, os
contingenciamentos, o aumento no custo de vida, as demissões
e, last but not least, a sombra da inflação.