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Uma revista mensal do mais
alto padrão, em sua concepção, forma e conteúdo. Distribuída
para pessoas com o maior nível de instrução e o mais alto
poder aquisitivo. É, realmente nossos leitores são o sonho
de consumo de todo anunciante.”
No primeiro número,
publicaram uma entrevista de três páginas com Eduardo
Pedrosa Cury, - “Trata-se do chefe do executivo municipal
querido e respeitado por cidadãos das mais diversas camadas
da sociedade joseense, fato raríssimo nos dias de hoje.”
Afirmou a revista.
O prefeito não deixou por
menos: “Fico muito feliz com a chegada da revista e não é
conversa de político. Achei impressionante a qualidade da
Opinião, melhor que muitas das grandes editoras, acredito
que se a revista faz tanto sucesso em Mogi, com certeza fará
sucesso aqui também.”
Com cem páginas impressas
a cores, em papel couchê, a Opinião seria um dos
negócios de um grupo empresarial mogiano que chegava à São
José com vários projetos, inclusive o de lançar um jornal
diário.
Na primeira Opinião,
vieram algumas páginas inteiras de publicidade da
Construtora Helbor, da Evissa, Haguanaboca, Shibata, Haten,
Arrumando a casa, Offer, Quinta da freguesia, Mega Byte, Mob,
Porto Seguro e S Stein; Espaços menores foram ocupados por
empresas mais ou menos conhecidas.
No conteúdo, matérias
assinadas pela redação, uma do humorista Chico Anísyo, outra
de Ozires Silva e mais outra de Delfim Neto. Algumas páginas
sociais com fotos, mostrando pessoas de São José e de outros
lugares.
Veio
o segundo número. No terceiro, a capa foi ocupada por Marco
Antonio Raupp, diretor do Parque Tecnológico de São José dos
Campos. Dentro, páginas inteiras de publicidade, duas, 28 e
29, afirmando que a Univap é destaque: “1º Lugar na
classificação MEC no Vale do Paraíba” e mais duas, 34 e
35. sob o título “Sistema de Guiagem Magnética: A SPTrans,
FVE – Fundação Valeparaibana de Ensino e a Compsis
Computadores e Sistemas Ind. E Com. Ltda desenvolveram uma
tecnologia que busca a otimização operacional dos corredores
de ônibus;
São Paulo será a primeira
cidade do Brasil que poderá ter ônibus com piloto
automático semelhante aos aviões comerciais que aproximará
qualidade do sistema de ônibus ao sistema metrô, porem a um
custo menor. O projeto está parcialmente terminado,
dependendo de entendimentos à parte relativa à guiagem
magnética;
Atualmente essa tecnologia
denominada de Sistema de Guiagem Magnética (SGM) está em
fase de implantação no Expresso Tiradentes pela São Paulo
Transportes (SPTrans) juntamente com a Fundação
Valeparaibana de Ensino;
A FVE realizou o
desenvolvimento, no Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento
(IP&D), envolvendo com os parceiros, mais de 50
especialistas em diversas áreas tais como eletrônica,
mecânica, controle, dinâmica veicular, confiabilidade,
segurança, software de tempo real e qualidade entre outros.
Foi, inclusive, inserido uma trilha virtual.
Participaram também
consultores ligados à universidades e institutos de pesquisa
como o ITA, USP, UNIVAP, INPE e CTA, alem de empresas como a
Compsis... O desenvolvimento ocorreu em três etapas,
2003-2004 / 2006-2007 / 2007-2008.
A FVE aguarda decisão da
direção da SPTrans para assentar na pista cerca de 3 km de
ímãs (ida e volta). Testar a interação com os sensores do
ônibus de teste, homologar o sistema interativo e reaplicar
o procedimento para novos ônibus a serem fornecidos pela
empresa. Com isso estará terminada a missão e São Paulo
apresentará sistema de transporte inovador, em tecnologia
nacional exportável para o mundo”
As fotos mostram: “O
professor Teixeira Junior e diretores da Compsis visitando o
Expresso Tiradentes, o Centro de Controle do terminal Sacomã
e o Detalhe do Monitoramento.”
A matéria sobre Sistema de
Guiagem Magnética, de responsabilidade da própria Opinião
número 3, não traz o nome de quem a redigiu, nem o crédito
das fotos. Quem a fez publicar parece não ter tomado
conhecimento da reportagem de Diego Zabchetta, no jornal O
Estado de São Paulo,
edição de 24 de abril de
2009, páginas 1 e 3 do Caderno Cidades: “SP pagou e não
recebeu ônibus do Fura-Fila”
Na terça feira, 28 de
abril, o jornal Valeparaibano publicou o mesmo assunto com
manchete de capa: “Gestão
Kassab quer restituição de verba;
- A não entrega
dos veículos inteligentes com “guiagem magnética” por parte
da FVE motivou, em junho do ano passado, o pedido de
rescisão contratual pelo Secretário Municipal de Transportes
da Capital paulista, Dr. Alexandre de Moraes.
Levamos a revista a vários
entendidos no assunto. O Professor Doutor Francisco Nóbrega
afirmou: “Me parece ter sido escrito pelo Teixeira Junior,
ele continua martelando a mesma mentira esperando que se
transforme em verdade. Em 2003, eu trabalhava no Instituto
de Pesquisas e Desenvolvimento (IP&D) da Univap, o diretor
era o Professor Marcos Tadeu Tavares Pacheco que pode
confirmar o que digo: a FVE/Univap não tem e nunca teve
ninguém capacitado para executar projetos de Guiagem
Magnética.”
O Professor Doutor Darwin
Bassi foi pelo mesmo caminho: “Mais uma vez a gestão
Baptista Gargione tenta explicar o inexplicável. O texto
mostra que a FVE/Univap teve a parceria de técnicos da
Compsis, do ITA, do INPE, da USP, do CTA. Quem são esses
técnicos? Por que os nomes não são citados? O contrato entre
a SPTrans e a Univap foi denunciado ao Ministério Público de
São Paulo, juntamente com outras muitas acusações que estão
sendo averiguadas.
Essa publicação na revista
Opinião foi até boa, pois, serviu para atiçar a
discussão sobre os desvios de verba durante a administração
Marta Suplicy na Capital do Estado. A SPTrans contratou a
Univap sem concorrência pública, pagou a ela,
antecipadamente, em 2003, o valor total do contrato, R$
19.200.000,00, mas, até hoje, não recebeu os tais ônibus com
guiagem magnética. Onde será que foi parar o dinheiro
público? Cabe ao Ministério Público averiguar e desvendar
tudo isso, doa a quem doer.”
O Professor Doutor Marcos
Tadeu Tavares Pacheco, fundador do IP&D da Univap e seu
diretor até janeiro passado foi taxativo: “A Univap não tem
nem nunca teve técnicos capazes para produzir e implantar um
sistema de guiagem magnética em ônibus. Eu estava lá e
presenciei como a coisa toda foi montada. O Teixeira e o
Gargione foram os responsáveis. Acho muito estranho a
revista Opinião ter publicado essa matéria afirmando
que está tudo certo entre a SPTrans e a Univap. Não está
não. O Ministério Público vai acabar descobrindo como tudo
foi montado e por quem. É exatamente isso que espero do MP.”
Diante das declarações dos
professores, fomos atrás e descobrimos que Fernando
Siqueira, o publisher da revista Opinião, procurou e
contratou um conhecido empresário joseense para que
elaborasse um projeto gráfico, pautasse o conteúdo e os
comerciais da Opinião São José dos Campos.
O citado empresário, que
prefere não ter o nome revelado por enquanto, nos recebeu e
contou, com detalhes, como elaborou o projeto de implantação
da revista Opinião São José dos Campos, “No começo,
achei estranho, já que se tratava de um projeto a médio
prazo, grande e caro; - Mas, o Fernando me convenceu. –Grana
não é problema, tenho bala (dinheiro) na agulha, pode ficar
tranqüilo - dizia sempre.”
“Como a Opinião
vinha sendo editada em Mogi das Cruzes, acreditei e até
indiquei vários jornalistas conhecidos para atuarem na
Opinião São José dos Campos, entre eles, JC Ducatti,
Julio Otoboni, Flávio Neri e Avelino Israel que foram
contratados para escrever.”
O cartunista Marcilio
Silva foi especialmente contratado para produzir as páginas
de humor. Ficou acertado que o
cartunista receberia oitenta por cento do valor da
publicidade por ele angariada como pagamento por seus
serviços. Uma parte da grana ele recebeu de Jorge Carvalho,
que se apresentou como representante da Opinião, ele
também na trabalhou na Câmara Municipal de São José dos
Campos.
Após a edição com o Marco
Antonio Raupp na capa, veio a número 4, trazendo o deputado
Carlinhos Almeida (PT), com ele fizeram uma entrevista de 3
páginas, 6,7 e 8. Nas páginas 28 e 29, novamente propaganda
da Univap: “1º Lugar na classificação Mec do Vale do
Paraíba”; - Na 93 inteira, um texto do vice reitor da
Univap, Antonio Teixeira Junior, intitulado “Antecipação
Tecnológia”; - Junto, mais treze páginas com fotos sociais e
páginas inteiras de publicidade da Construtora Helbor, Oscar
Calçados, INPG Faculdade, Haguanaboca, Mega Byte, Shibata,
evissa, UMC e S.Stein.
Pelas últimas notícias, o
escritório da
Opinião à rua
João Batista de Queiroz Jr, 394 – CJ 2 e 3, no Jardim das
Indústrias, tel. 12 3209.1789, teria sido fechado e
transferido para o Centro Empresarial Jardim Aquarius.
Para maiores informações
sobre a revista Opinião, tentamos falar com Fernando
Siqueira pelo telefone 11- 4796.9797 – Quem nos atendeu foi
sua esposa, Márcia, que ficou de falar com ele sobre nosso
telefonema. Fernando não retornou nosso telefonema até o
fechamento da edição.
Leia mais:
4Frota
fantasma da FVE/Univap
4Mais
denuncias contra a Univap
4FGV
é acusada de desvio de verba em São Paulo
4Laudo
Falso do Comar
(*)
Ricardo Faria –
ricardo@vejosaojose.com.br |