Perdi um amigo de mais de 40 anos, Paulinho Rodela, um policial de Mogi das Cruzes que sempre respeitei como homem, pai de família,policial e acima de tudo como amigo leal. Um amigo certo das horas incertas, pois quando eu respondia a inúmeros processos, em Mogi das Cruzes, nunca me virou as costas, nunca fingiu não me conhecer, meu filho, à época um bebê, adorava Paulinho Rodela, hoje advogado militante chora sua morte.
O mais impressionante é que o policial é baleado cumprindo sua obrigação de evitar um assalto foi levado ao SUS, não sei se o SUS de Mogi das Cruzes é bom ou ruim só sei que poderia ter sido encaminhado a um hospital de referência na Capital que é próxima de Mogi, mas seus superiores nada fizeram.
No hospital, não soube de nenhuma viatura do GARRA, grupo ao qual pertencia, para dar apoio a família, somente os amigos mais próximos fizeram isso.
Enquanto isso, o Secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, fica se jactando de que a Segurança Pública melhorou. Melhorou onde Senhor Secretário?
Pessoas comuns são diariamente assaltadas e assassinadas, policiais são dizimados e a segurança melhorou? Só se for para o senhor que circula por São Paulo a bordo de carro blindado com escolta policial, assim até eu me sentiria tranquilo.
Sou de uma época que quando um policial era abatido a Instituição toda se movia para prender os criminosos. Hoje vejo uma letargia, somente os amigos se movem. Talvez os omissos tenham receio de um eventual processo ou sindicância se forem caçar bandidos, pois se infelizmente tiverem que agir mais duramente certamente serão processados e às vezes não terão sequer dinheiro para pagar um bom advogado.
Paulinho era um policial honesto na minha óptica, o conhecia e não me importa se alguns discordarem. E digo aos senhores, a família estava com dificuldade, inclusive, para dar-lhe um enterro digno.
Não é possível que os policiais vivam à míngua com um salário de fome, desprezados pelas próprias chefias.
Por obrigação, o Diretor de Departamento, o Delegado Seccional e outros policiais deveriam estar pelo menos no hospital confortando a familia, pois sua mulher também faz parte da policia civil.
Não consigo entender o descaso do Governador e do Secretário de Segurança Pública para com a Policia Civil. Chega a ser doentio.
Parece que desejam extinguir essa Instituição. E se continuarmos nesse passo, com certeza conseguirão.
Os policiais estão acuados, amedrontados, ou melhor, aterrorizados. Qualquer denuncia feita por marginal é suficiente para desencadear todo aparato da Corregedoria contra eles.
No fim, quando nada é apurado não há sequer um "me desculpe!". É como se a priori o policial fosse bandido.
Gostaria
de relembrar o dito por meu pai, que foi
Delegado de Policia e Juiz Criminal uma vida
inteira, num acórdão em que o mesmo era
Relator já como Desembargador: "Prefiro
acreditar na palavra do pior dos Policiais
do que do melhor dos bandidos" - Sylvio
Barbosa.
Descanse em paz, Paulinho. Que você tenha na
morte o mesmo amparo que deu e a aqueles que
o conheceram na vida.
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com
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