O projeto para a construção de duas torres comerciais, na praça Cândido Dias Castejon, por cima da Faculdade de Direito, em São José dos Campos, se confunde com a antiga parábola de origem chinesa ou árabe, com versão nordestina no mesmo formato: "o bode na sala”
“Ao ouvir os reclamos dos filhos sobre as precárias condições em que viviam, o lavrador não teve dúvidas: trouxe o bode do quintal para a sala e, durante um mês, a vida que já era ruim ficou bem pior. Após este período, o lavrador voltou o bode para o quintal. Foi o bastante para os filhos se convenceram de que suas vidas eram as melhores do universo.”
Ao que parece, coincidentemente, essa solução foi colocada em prática, em agosto passado, quando da realização da audiência pública destinada às discussões sobre os rumos da FVE/ Univap, seu conselho deliberativo, os estatutos, as eleições etc. Entretanto, grande parte do tempo do evento foi utilizado para demonstrar o projeto das torres comerciais.
Em seguida, vieram as críticas indignadas por parte dos advogados Luiz Carlos Pegas, Fernando Delgado e até do Clube dos Joseenses, Associação dos Engenheiros, Associação Comercial e outras entidades.
Recentemente, o bode, digo o projeto das torres, foi levado ao prefeito Eduardo Cury (PSDB) pelo próprio presidente da FVE e reitor da Univap. Ambos, até agora, quedaram-se quietos, ainda que o assunto seja do interesse público.
Vocês se lembram da velha e infame piadinha do sofá? Aquela onde o marido, depois de flagrar a esposa com um amante no belo sofá da sala, perdoa a esposa, mas retira o sofá impiedosamente? – Pois é; - Se o prefeito Eduardo Cury vetar o projeto das torres comerciais, a cidade cururu, cururau! Se não vetar, a cidade cururau, cururu!
A matéria de Filipe Manoukian, no Jornal O Vale, enfoca a audiência pública, marcada para o 19 de agosto passado, na Univap, campus Urbanova:
“Entre as principais propostas que serão apresentadas pelo MP e também pela Comissão de Educação da Câmara de São José estão o fim da reeleição ilimitada para o cargo de reitor, maior transparência nos processos eleitorais e um novo corpo de conselheiros deliberativos, pois o que existe atualmente é composto unicamente por indicações do reitor da Univap, Baptista Gargione Filho.
Desde que foi criada, em 1992, a instituição de ensino é comandada pelo professor Gargione Filho, também presidente da FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), mantenedora da universidade.
“Vamos retratar na audiência pública uma reformulação que vem sendo pedida há tempos pela sociedade, que consiste na mudança do conselho deliberativo e na não permanência do atual reitor”, adiantou o vereador Cristóvão Gonçalves (PSDB), presidente da Comissão de Educação.
Confiança - Para o vereador, a consulta pública será o desfecho de uma série de conversas que têm sido travadas nos últimos dois anos e “com final feliz”. “Estou confiante que a promotora decida por mudanças e a Univap venha a respirar novos ares, disse.
MEMÓRIA - Reitor já foi acusado de fraudes - As principais propostas do Ministério Público e da Comissão de Educação da Câmara de São José –-limitar o número de reeleições no cargo de reitor, impedir que o reitor indique exclusivamente os membros do Conselho Deliberativo e proibir o acúmulo de funções com a FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino) - começaram a ser discutidas com mais vigor, até culminar na audiência pública, depois de denúncias de supostas irregularidades na gestão do reitor Baptista Gargione Filho.
O professor foi acusado de fraudar eleições para se perpetuar no controle da universidade e da FVE, nomear parentes para cargos de diretoria e desviar recursos. A promotora Ana Cristina Ioriatti Chami afirmou, entretanto, que essas acusações nem entrarão em pauta no dia 19. “Isso já foi arquivado e homologado”. Fonte jornal O Vale -
E tem mais:
“S. José define futuro de campus
CHICO PEREIRA – SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A Fundação Cultural Cassiano Ricardo de São José dos Campos adiou por uma semana a análise do pedido do Clube de Joseenses e Amigos de preservação do prédio da Faculdade de Direito da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
A solicitação seria apreciada e votada ontem na reunião mensal do Comphac (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico).
O presidente da Fundação Cultural e do conselho, Mário Domingo de Moraes, adiou por uma semana a análise do pedido para que a assessoria jurídica da instituição possa se manifestar a respeito do pedido.
O parecer da assessoria será apreciado pelos 18 conselheiros do Comphac juntamente com os relatórios elaborados pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Cultural sobre o prédio.
De acordo com Vitor Chuster, secretário do Comphac, os documentos abordam aspectos sobre a história e a arquitetura do prédio da Faculdade de Direito, que foi construído no final da década de 1950. O imóvel, localizado na praça Cândido Dias Castejon, possui 8.377 metros quadrados.
A FVE, mantenedora da Univap, planeja construir um empreendimento comercial com duas torres de 20 andares na área, com espaço para shopping center, escritórios comerciais, estacionamento vertical e até heliponto.
O projeto aguarda aprovação da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. A direção da Univap não se manifestou sobre o assunto ontem.
Hoje, o reitor da universidade e presidente da FVE, Baptista Gargione Filho, deverá tratar do caso em uma reunião fechada com o prefeito Eduardo Cury (PSDB) --o encontro está agendado para as 15h, no Paço Municipal.
Mobilização - O presidente do Clube de Joseenses e Amigos, Paulo Locatelli Fonseca, afirmou que a entidade vai aproveitar o adiamento da reunião do Comphac para pedir apoio à Preservação do imóvel.
“Já recebemos manifestações favoráveis da comunidade e vamos pedir o apoio de entidades como Ordem e Associação dos Advogados e Associação de Arquitetos e Engenheiros”, afirmou Locatelli.
A diretoria da sub-seção da OAB deve tratar do assunto amanhã, durante reunião do colegiado, segundo informou a vice-presidente da entidade, Sílvia Regina Dias. “Sou a favor da preservação do imóvel”, disse Sílvia.
O presidente da Associação dos Advogados de São José, Luiz Carlos Pêgas, afirmou que o Conselho Estadual da OAB lançou manifesto favorável ao tombamento do prédio.
Ele relatou que nove ex-presidentes da OAB de São José também manifestaram apoio à preservação do imóvel.” O VALE
PS - Se é verdade que a FVE enfrenta problemas financeiros, de onde vem a grana para as enormes obras em São José, Jacareí, Caçapava, Campos do Jordão e agora para as "torres comerciais"?
PS 1 - Diferente de João Carlos Di Gênio, cap do Objetivo, e de Edevaldo Alves da Silva, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Baptista Gargione Filho não é o dono da FVE/Univap. Trata-se, simplesmente, de alguém colocado pela comunidade para gerenciar uma entidade educacional, sem finalidade lucrativa, política ou religiosa. Sendo assim, a população tem o direito de se inteirar do que ocorre na Instituição.
PS 2 - A produção desse texto foi possível em face das sugestões do Professor Doutor Élcio Nogueira que conviveu por quinze anos com a gestão Baptista Gargione na FVE/Univap, denunciou as irregularidades ao MP e à própria Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público.
Ricardo Faria - ricardo@vejosaojose.com.br - Acassio de Oliveira Costa - acassio@vejosaojose.com.br
4Alunos criam comissão paralela




