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  08.11.2008 16h.50  
  Francisco Nóbrega x Gargione                               Quando os renomados cientistas Francisco Gorgonio da Nóbrega e sua esposa Marina Pasetto Nóbrega resolveram trocar a Universidade de São Paulo (USP) pela Universidade do Vale do Paraíba, em 1998, não imaginaram o terrível constrangimento a que seriam submetidos na Univap.

Ricardo Faria (*)

 

A correspondência dirigida ao Professor Nóbrega, assinada por Maria Cristina Goulart Pupio Silva, Pro Reitora de Assuntos Jurídicos, de 31 de outubro de 2008, é taxativa: ... “Desta forma, por solicitação do Reitor da Univap e Presidente da FVE, relatamos a V.Sa. o seguinte: 1) Os equipamentos oriundos de Projetos de Pesquisa, sob a responsabilidade de Marina Pasetto Nóbrega, foram doados pela FAPESP à Faculdade de Odontologia da Universidade Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de São José dos Campos – UNESP desde 05/09/2007 (Informação FAPESP 09/2008), em face de solicitação da Profa. Marina à FAPESP. Portanto, tais equipamentos não pertencem à FVE/UNIVAP, estando a instituição somente aguardando sua retirada pela UNESP, o que deverá ocorrer até o dia 10/11/2008.”

Francisco Gorgonio Nobrega - Foto: Ricardo FariaFomos ouvir o Professor Doutor Nóbrega que nos relatou, “No início o relacionamento com o reitor foi bom, o Baptista Gargione ofereceu as condições necessárias à instalação dos equipamentos vindos da USP. - O Laboratório do Genoma, instalado no Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IP&D) da UNIVAP, era considerado uma grife, visitado por cientistas brasileiros e estrangeiros, motivo de divulgação em jornais, revistas e outros veículos de comunicação.” –  

Cientistas famosos - Não é qualquer universidade que pode se dar ao luxo de ter um laboratório tão sofisticado dirigido por cientistas tão famosos. Todavia, no decorrer do tempo, o casal de pesquisadores começou a chamar a atenção, principalmente por discordar de algumas orientações da reitoria, consideradas autoritárias e abusivas.

Demissão –Ciumeira, parece ter sido o motivo da demissão da Professora Dra. Marina Pasetto Nóbrega, em novembro do ano passado, quando ela se negou a assinar um manifesto de apoio ao reitor da UNIVAP -  Mais 

O IP&D da Univap – O Instituto Foi dirigido pelo Professor Marcos Tadeu Tavares Pacheco que, apesar de considerado mui íntimo do reitor desde os tempos do ITA, foi afastado recentemente, ocupando, hoje, um outro cargo.

Assédio moral: Indagado sobre as pressões sofridas, o Professor Nóbrega foi categórico, “Perfeitamente, desde 2006 quando o reitor deu início a uma estratégia visando o fechamento do Instituto, criou assim um processo de assédio moral, determinando, inclusive, condições impossíveis de serem cumpridas, retirou colaboradores, duplicou a minha carga de aulas e, posteriormente, demitiu a minha esposa.– O reitor foi me obrigando a procurar um outro destino, foi o que fiz quando eu e a Marina prestamos concurso e fomos aprovados na Unesp.”

Unesp – “Estamos em processo de transferência para a Unesp. Não é algo simples por tratar-se de uma Instituição pública onde as decisões são tomadas por um colegiado. Qualquer pedido meu é submetido a debates.”

O que deve acontecer – O reitor não deve e não pode tocar nos aparelhos sob a minha responsabilidade. Ele não me demitiu, continuo professor da Univap. Ele tem que respeitar as minhas pesquisas que beneficiam colegas na Universidade que colaboram comigo e a Dra. Cláudia com propostas de estudos comuns. Ainda que deixe a Univap e vá para a Unesp, o laboratório continuará a disposição dos colegas por quem tenho o maior respeito.

Estamos sempre abertos a colaborações de cientistas para cientistas e vamos aguardar os acontecimentos. Somente a Unesp pode retirar o Laboratório da Univap e providenciar sua transferência para onde achar melhor, imaginamos que será no Parque Tecnológico da Prefeitura de São José dos Campos.

Bom senso - Espero que o reitor Baptista Gargione tenha bom senso e aguarde os procedimentos de universidade para universidade quando a Unesp deverá promover a mudança de uma só vez. As máquinas não podem ficar desligadas sob pena da perda de acervos genéticos inestimáveis. Principalmente se tratando de Laboratório de Biosegurança II, não se pode brincar com um material desses. O que é genoma  - Mais sobre o Professor Doutor Francisco Gorgônio da Nóbrega 

Fale com o professor:  Francisco Nobrega <francisco.nobrega@gmail.com>

Inquérito civil – De uma maneira ou de outra, o reitor da Univap e presidente da FVE, vinha se safando das várias denúncias de alunos e professores, inclusive do ilustre Professor Dr. Darwin Bassi, mas não conseguiu o mesmo com as denúncias do Professor Doutor Elcio Nogueira que se transformaram no Inquérito Civil nº 260/2006.

Nele a Sétima Promotoria Cível de São José dos Campos exige uma série de explicações de Baptista Gargione Filho, entre elas a notícia de utilização de recursos de filantropia em beneficio pessoal e de parentes; desvio de materiais do Campus Urbanova para a propriedade particular do reitor no Distrito de São Francisco Xavier; concessão irregular de bolsas de estudos; irregularidades nos salários dos parentes do reitor; mormente no que diz respeito ao filho Luiz Antonio Gargione. investimento de recurso da FVE/Univap em templo religioso; doação de patrimônio da Fundação para parentes e terceiros; irregularidades nas eleições para reitor da Univap em 03 de março de 2008.

O MP solicita ainda a relação de parentes do reitor, vice-reitor, pro-reitor e diretores que exerçam funções na Universidade ou na Fundação Mantenedora, a forma de admissão e remuneração, bem como a relação das empresas prestadoras de serviços que tenham parentes do reitor, vice-reitor, pro-reitores e diretores com participação societária, - cópias das previsões orçamentárias anuais dos últimos 5 anos aprovadas pelo Conselho Diretor; cópias dos relatórios anuais de atividades dos últimos 5 anos e envio das declarações de imposto de renda dos últimos cinco anos do reitor Baptista Gargione Filho. Mais

Novas denúncias – Não bastasse o Inquérito Cível acima, novas denúncias subscritas por dezenas de professores doutores e membros da Associação Nacional dos Amigos da Educação foram protocoladas no Ministério Público Estadual na sexta feira, dia 7 último. Entre elas: Declaração com firma reconhecida de ex funcionário da Univap que afirma ter conhecimento de desvio de materiais da Univap para outros locais através de funcionários de confiança do reitor, como Turíbio Carlos Barbosa e Ronaldo dos Santos Batista, conhecido por “Mineiro”,  um ex-menino pobre apadrinhado por Baptista Gargione que virou engenheiro e é o atual prefeito do Campus Urbanova. Um outro ex funcionário da Univap já se dispôs a depor e confirmar essas e outras denúncias.

Ônibus Magnético – Assim ficou conhecido o milionário Projeto de Guiagem Magnética elaborado pela SPTrans/Compsis/Univap já denunciado à Polícia Federal de São José dos Campos, inclusive com foto da frente da sala vazia no IP&D da Univap. Um comentário jocoso de uma conhecida professora lhe valeu o emprego na Univap. Mais 

Templo suntuoso – Indaga-se a origem dos recursos para a edificação do luxuoso templo religioso no Campus da Univap, também denominado Paróquia Universitária. O prédio é recheado de painéis religiosos assinados por arquiteto famoso. Da denúncia constam os nomes de Baptista Gargione, Paulo Sophia, dos engenheiros Luiz Eduardo e Tércio Ueda (da Univap), Fátima Manfredini e do bispo dom Nelson Westrupp. Mais

Eleições da FVE - O documento encaminhado ao MP trás também diversas irregularidades que teriam ocorrido durante as eleições para presidente e vice da Fundação Valeparaibana de Ensino, inclusive como uma antiga máquina de escrever foi utilizada pelos conselheiros para datilografar os nomes preferidos na cabine de votação, tudo registrado pela TV Univap 

Famiglia – Baptista Gargione Filho colocou na Univap filhos e genros com altos salários, proporcionou e proporciona boa vida para muita gente. O mesmo artifício é utilizado por vários funcionários em cargos de direção, uma situação no mínimo constrangedora que praticamente sufoca as possíveis denúncias de irregularidades na Universidade do Vale do Paraíba e sua mantenedora a Fundação Valeparaibana de Ensino.

Como exigir explicações sinceras de um advogado na folha da Faculdade de Direito? E do também causídico que ambicionava a direção da Faculdade e foi preterido? E da vereadora que deu título honorífico à filha do reitor? Veja 

Teia - O reitor/presidente imagina-se protegido por uma teia cuidadosamente elaborada, nela estão representantes do ITA, do INPE, da Associação dos Engenheiros e Arquitetos, da Associação Comercial, da OAB, da Prefeitura e da Câmara Municipal, do Lions, do Rotary Clube e de outras instituições com assento no Conselho da Fundação Valeparaibana de Ensino. São pessoas conhecidas que há anos vêm elegendo e reelegendo Baptista Gargione Filho presidente da FVE e reitor da Univap, votando nele e aprovando suas contas e, talvez, coniventes com tudo que ocorra ou tenha ocorrido na Universidade e sua mantenedora, caso o MP venha a apurar as denúncias.  - Será que o Baptista armou tudo isso sozinho? Há quem diga que não.

Quem é quem – Algumas pessoas poderiam, com certeza, revelar vários fatos envolvendo a FVE, a UNIVAP. Resta saber se estariam dispostos a falar. Desde já estão convidados: Jamil Mattar de Oliveira, Clélio Marcondes, Joaquim Bevilacqua, José de Castro Coimbra, José Jorley do Amaral, Luiz Carlos Pegas, Ulisses Bueno de Miranda, Francisco José de Castro Pimentel, Marcos Tadeu Tavares Pacheco, Fátima Manfredini, Ângela Guadagnin, Wagner Balieiro, Amélia Naomi, Carlinhos de Almeida, Carlos Alberto Macedo Bastos, Ferdinando Salerno e Luiz Gonzaga Pinheiro. Há outros. No momento em que desejarem abrir o coração, basta fazer contato.

(*) Ricardo Faria – ricardo@vejosaojose.com.br


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