Reitor da Univap esvaziou a participação da sociedade civil no Conselho Deliberativo da instituição
São José dos Campos - A Curadoria de
Fundações do Ministério Público acionou a
Justiça Federal esta semana para barrar as
mudanças promovidas pelo reitor da Univap
(Universidade do Vale do Paraíba), Baptista
Gargione Filho, que esvaziou a participação
da sociedade civil no Conselho Deliberativo
da instituição.
No último mês, Gargione alterou a composição
do Conselho Deliberativo da FVE (Fundação
Valeparaibana de Ensino), mantenedora da
Univap, ao excluir cadeiras e modificar
cargos dentro da instituição que dão ao
ocupante direito de assumir vaga no
colegiado.
A descaracterização da composição do órgão
teria como objetivo, segundo apurou O VALE,
complicar futuramente a aprovação do novo
estatuto da FVE.
O documento está sendo elaborado pelo
Ministério Público e tem como principal
objetivo ampliar a participação da sociedade
civil na instituição de ensino.
Para evitar que a manobra de Gargione, que
se perpetuou à frente da FVE de 1981 até
fevereiro deste ano e é reitor da Univap
desde a sua criação em 1991, o MP acionou a
Justiça Federal pedindo uma liminar que
supenda as mudanças de Gargione.
A ideia do MP é votar o novo estatuto da FVE/Univap
até o final deste mês. Para a promotora que
cuida do caso, Ana Cristina Chami, “o quórum
do atual Conselho não pode ser alterado, já
que o processo de votação do novo estatuto
já teve início”, segundo declarou em
entrevista anterior.
Manobra - O Conselho Deliberativo da
FVE/Univap, composto por 77 membros oriundos
de entidades, poder público e comunidade
acadêmica, deveria funcionar como um órgão
fiscalizador, mas a maioria de seus membros
foram indicados pelo próprio Gargione.
Depois de preterido num dos encontros,
segundo apurou O VALE (no qual exigia que
uma votação ocorresse com votos abertos, mas
a mesma, por determinação do presidente da
FVE, Samuel Roberto Ximenes Costa, foi
secreta), Gargione publicou portarias
esvaziando o conselho.
A decisão unilateral de Gargione Filho,
teria, segundo apurou O VALE, desagradado o
presidente da FVE, que fora indicado pelo
próprio Gargione Filho em fevereiro último
para assumir a fundação.
O Conselho da FVE/Univap chegou a se reunir
para discutir como reverter as portarias de
Gargione.
Conselho comemora a decisão
São José dos Campos
Membros do Conselho Deliberativo da FVE/Univap
que não são aliados do reitor Baptista
Gargione Filho comemoraram a decisão do MP.
“É importante vermos que o Ministério
Público está atendo ao que acontece na
Univap. De repente, ele \[Gargione\]
destituiu o Conselho, eliminando a
participação da sociedade civil e nós
ficamos sem saber o porquê disso”, afirmou o
presidente da ACI (Associação Comercial e
Industrial) de São José e membro do
Conselho, Felipe Cury.
“Nós queremos justiça, queremos uma
instituição democrática que trabalhe para
engrandecer o ensino universitário na
região”, emendou.
O VALE procurou a direção da FVE/Univap
ontem para repercutir a ação movida pelo MP,
mas nenhum representante da instituição se
pronunciou sobre o caso.
SAIBA MAIS
Novo estatuto
-
Ministério Público fez a
proposta de um novo estatuto para a Univap,
reduzindo o poder do reitor e transformando
o Conselho Deliberativo num órgão
fiscalizador
Perpetuação
-
Gargione Filho presidiu a FVE
de 1981 a fevereiro deste ano, quando
renunciou após forte pressão estudantil.
Como reitor, ele atua desde 1991, ano de
criação da Univap
Manobra
-
Manobra de Gargione Filho
tenta esvaziar o poder do órgão colegiado
para dificultar aprovação do novo estatuto
Ação
-
Para MP, manobra não tem
efeito legal e, para garantir o quórum do
atual Conselho, Promotoria entrou com pedido
de liminar na Justiça.
OVALE
COMENTÁRIOS - O Dr. Helio Bicudo tem toda razão quando diz que somente uma intervenção judicial poderá aclarar a situação da FVE/Univap. O ilustre Professor Doutor Darwin Bassi me afirmou: “Se o MP tivesse proposto a interdição do homem, em 2006, todo esse furdunço teria terminado.” - “Nós queremos justiça, queremos uma instituição democrática que trabalhe para engrandecer o ensino universitário na região”deixou claro o presidente da Associação Comercial, Felip Cury, referindo-se a Baptista Gargione. Enquanto o povo sai às ruas para clamar contra a impunidade desejando que a corrupção seja considerada crime hediondo, os vereadores-tiricas joseenses querem aumentar ainda mais os já milionários salários. Os moradores da Vista Verde transtornados com a poluição atmosférica da Petrobras querem, agora, pedir a prisão do superintendente da Sabesp pelo criminoso lançamento de esgoto in natura no córrego Cajuru que corta o bairro. Tudo isso lembra uma versão piorada do filme O Equlibrista escrita por um comissionado da Fundação Cultural Que cidade! Comentado por Ricardo Faria, 12/10/2011 21:30
Na realidade acredito que qualquer que seja a perpetuação, é nociva à sociedade veja que a própria legislação proibe isso mesmo no caso de cargos eletivos ainda que em uma eleição aberta a perpetuação seja mais difícil. Mas no caso da UNIVAP o fato de se alongar o comando maior isso vem a prejudicar não somente a sociedade como um todo, mas a própria instituição, pois não é apenas o Prof. Gargione que fica mas uma série de outras pessoas e diretores de comando que nem sempre estão agindo com os acertos que se desejaria para uma instituição de ensino. Comentado por Renato Zecca, 12/10/2011 21:08
Quando a UNIVAP acordar já será tarde. Até 2013 já estará falida e com seus cursos denegridos e salas vazias, então o SR. Gargione poderá comandar a vontade. Enquanto isso a Anhanguera avança, acabou de comprar a UNIBAN em SP. Comentado por John, 12/10/2011 15:57
Caramba !!!... Ainda continuam dando espaço para o Gargione ?!... Gente, o tal Samuel que no papel diz ser o Presidente da FVE, nada mais é do que um fantoche na mão do Gargione, e sendo assim, o Gargione irá continuar a fazer o que nem entender, a FVE e a UNIVAP só terão vida própria e crescimento idôneo, quando o Sr. Gargione não estiver mais entre nós, ou quando ele estiver completamente incapacitado, ou se a Justiça conseguir retirá-lo de qualquer atividade e função da FVE, seja até de faxineiro, fora isso, seja quem for que esteja a frente da FVE, será apenas um fantoche do Gargione. Será que é dificil para o MP e a Justiça Federal entender isso ?!... Comentado por Souza Jr, 12/10/2011 12:58
Apesar de haver motivo para comemorar por parte do Movimento Estudantil da UNIVAP e da Sociedade Civil que acompanha essa situação, vejo tudo isso acontecendo com muita MOROSIDADE. É um discurso tão atrasado este de democratização (pós-ditadura militar) de uma Fundação que tem por finalidade ser responsável por algo tão importante como a Educação da nossa cidade e região. Este tema deveria ser tratado pelas autoridades joseenses como prioritário, é inadmissível que ainda esteja de mãos atadas o novo Presidente da FVE, Sr. Samuel, que ao que tudo indica não segue os mesmos parâmetros anti-democráticos do eterno reitor e tem o maior dos poderes da Fundação Valeparaibana de Ensino em suas mãos, queremos ver atitudes e cobraremos. Uma portaria foi publicada para se discutir novamente o aumento das mensalidades, e já adianto e alerto por aqui, os estudantes estão de olho! Comentado por Gabriel Nogueira, 12/10/2011 12:47




