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O líder comunitário, Davi,
esteve com Antonio Leite, no Jornal das Sete, da Rádio
Planeta FM, na manhã da 4ª.feira, dia 4, e denunciou que a
Prefeitura está enviando cartas, intimidando as famílias para
que façam acordos individuais visando a remoção das pessoas
do Banhado.
Segundo ele, o pessoal gosta
de morar no Banhado e não quer sair, apesar do local estar
abandonado pela administração municipal e sofrer muito
descaso por parte da EDP Bandeirantes e da Sabep que não
cuida dos vários vazamentos nas tubulações.
Davi é contra a saída dos
moradores, “Nós moramos aqui há muitos anos, ajudamos a
cuidar e a preservar o Banhado. Plantamos mandioca,
hortaliças e frutas, criamos aves e suínos que são vendidos
na cidade. Mudar do Banhado significa ter que pagar a
prestação da nova casa, água, luz e mais condução. Não vai
sobrar dinheiro nem para comer. O prefeito quer acabar
com a gente, o que tenta fazer conosco é desumano. Eduardo Cury deve deixar o bairro como está e não mexer
com o que está quieto.” Diz o morador há mais de cincoenta
anos no Banhado.
Ele alerta os moradores para “não
caírem na maracutaia da prefeitura” e reclama que o
prefeito, nesses seis anos, ainda não chamou a comunidade
para conversar e discutir a questão do Banhado como deveria
ter feito.
Davi diz que tem
medo do
prefeito mandar as máquinas invadir o Banhado de repente.
E lembra da manifestação de protesto que comandou, na porta
da mesma rádio Planeta, tempos atrás.
Antonio Leite comenta que
“naquele dia havia uma meia dúzia de crianças apenas. O
prefeito estava aqui e ficou com tanto medo do pessoal, que até
chamou a polícia”.
Jefferson, do Eco Solidário -
uma ong que recebe dinheiro da Petrobrás - comparece ao
programa e Antonio Leite pergunta o que ele sabe sobre a
carta que a Prefeitura estaria enviando aos moradores do
Banhado com vistas à desocupação da área.
O membro da ong diz que
estava ouvindo as declarações do líder comunitário e chamou sua atenção o fato de Davi
afirmar que na Prefeitura não existe nenhum planejamento para o Banhado.
Comenta que “A Petrobras tem repassado a verba de
compensação pelas obras de modernização da Revap. Há um
montante de R$13 milhões à disposição do município para ser
sacado no momento em que for apresentado um projeto de
criação da unidade de conservação do Banhado e do Horto
Florestal; - Sei que existe um projeto em desenvolvimento
na Secretaria de Meio Ambiente”.
Vejam a matéria no jornal O
Vale:
Fazendeiros do coração urbano
No centro
de S. José, moradores vivem de trabalhos rurais
por PEDRO
AUGUSTO ALMEIDA - ESPECIAL PARA O VALE
No Jardim Nova Esperança, localizado na concha do banhado,
região central de São José dos Campos e um dos cartões
postais do município, entre as 450 famílias da região,
pessoas vivem por meio de atividades manuais e agrícolas que
o local possibilita.
De acordo
com moradores, no bairro, área congelada pela prefeitura, a
plantação de verduras, legumes, entre outras hortaliças é
uma das principais fontes de renda.
No
sobrado de madeira do número 44A10 reside a dona de casa
Maria Aparecida de Sá da Silva, 70 anos e que mora no local
há 47. Segundo ela, são os oito pés de café e as pequenas
plantações de laranjas, bananas e mandiocas que ajudam na
alimentação da família.
"Vendo
parte do que é produzido no Mercado Municipal. Para o café,
uso a panela de torrar e um pilão de madeira para moer.
Também tem o fogão de barro e à lenha", disse.
Ao lado,
em uma casa sem número, o aposentado Hélio Euflauzino, 63
anos, morador do bairro há 49, divide o terreno da
propriedade com um bar, onde vende açaí e fichas para
sinuca, e com uma horta diversificada. "Tem abóbora,
repolho, uva, maracujá, goiaba, fruta-do-conde, maxixe e
limão".
A dona de
casa Darci Gonçalves de Oliveira, 60 anos, tem uma pequena
criação de porcos e vacas na chácara número 9, na 'rua da
Linha'.
Medicina.
Plantas
medicinais é a especialidade do aposentado Sérgio Blanque
García, 61 anos, descendente de espanhóis. Blanque cultiva
alfazema, manjericão, arruda, erva guiné, picará e hortelã.
De acordo
com ele, além de consumir, vender é uma boa alternativa.
"Muitos plantam verduras. A concorrência é grande. Por isso,
aposto nas plantas medicinais", afirmou Sérgio, que mora na
'rua da Linha', número 16.
Música
- Além de manter a lavoura doméstica na casa 9A10, o
rapper da banda "A Outra Face da Alma" Edílson José dos
Santos, 21 anos, compõe letras sobre problemas sociais, como
as DST's (doenças sexualmente transmissíveis). "Tenho um
amigo 'DJ' e uso computador e duas caixas amplificadoras.
Coloco as músicas no 'Nero' e edito."
OVALE
PS – A verdade é uma só:
Eduardo Cury tem se revelado um mau prefeito. Tirano e
desumano. No caso do Banhado, age como se não estivesse lidando
com pessoas merecedoras de consideração e respeito, enquanto
moradores de São José dos Campos, que, no mínimo, deveriam
ser consultadas sobre o local onde moram. Afinal de contas,
são vidas que estão em jogo. O prefeito, agora rico e bem de
vida, parece ter esquecido sua origem de menino pobre, filho
de pequenos comerciantes da rua Siqueira Campos.

Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br
4Saiba
mais sobre o Banhado |