|
A
coordenação foi do Dr. Isaac Roitman (Universidade
de Brasília) com a participação de Allan Aroni
representando a
Associação
Nacional
dos
Pós
Graduandos (ANPG), da Profa. Maria Clotilde Therezinha
Rossetti
Ferreira
(Universidade
de
São
Paulo,
Ribeirão
Preto), Prof. Carlos Henrique de Brito
Cruz
(Diretor
Científico
da FAPESP e ex-reitor da UNICAMP)
Pontos
principais
levantados:
O Dr. Roitman apresentou o
tema
mostrando
como
nossa
tradição
de
vida
acadêmica
não
prima
pela
mobilidade.
Nosso
sistema,
inicialmente
dominado
por
universidades
públicas, exibia marcada
rigidez
e
imobilidade,
excetuando-se a
mobilidade
temporária
para
um
doutorado
ou
estágio
no
exterior
e
visitas
curtas,
sempre
retornando ao
mesmo
posto
na
mesma
universidade
e
departamento.
A
expansão
do
ensino
superior
com
a abertura de inúmeras
universidades
privadas
abriu
um
novo
espaço
pois
atualmente
cerca
de 80% dos
alunos
no
ensino
superior
no
país
estudam
em
particulares
e no
estado
de
São
Paulo esta
cifra
salta
para
90%.
Este
novo
espaço
exibiu uma
mobilidade
de
docentes
e
quase
nenhuma de
pesquisadores
até
a
década
de 90
quando
várias
universidades
particulares
começaram a se
credenciar
na
pós-graduação
acadêmica,
formando
mestres
e
doutores.
Ensino
médio
- O Prof. Roitman sugeriu
também
que
o Brasil
poderia
melhorar
bastante
o
ensino
médio
criando
condições
salariais para permitir
incorporar
parte
do
excedente
de
mestres
e
doutores
formados
por
nossa
universidades
de
pesquisa
como
professores.
Mobilidade
-
O Prof Brito
Cruz
(foto) comentou
que
um
certo
tipo
de
mobilidade
resultou do
deslocamento
de
docentes
experientes
das
universidades
públicas,
alguns
já
aposentados,
ou
na
compulsória,
ingressando nas
particulares
onde
sua
notoriedade e
experiência
eram procuradas.
Este
fluxo
de "seniores"
em
geral
ficava à
margem
das
atividades
de
pesquisa,
envolvendo
mais
a
docência
e a
contribuição
para
a
organização
de
diferentes
cursos
nestas
universidades.
Mais
recentemente,
no
fim
dos
anos
90, a
atividade
de
pós-graduação
se disseminou e as
particulares
passaram a contratar
jovens
pesquisadores
com
doutorado
e pós-doutorado
egressos
das
universidades
públicas brasileiras,
com
a
atribuição
de
desenvolver
pesquisas.
Industria
do ensino
- Allan (foto) destacou
sua
preocupação
com
o
predomínio
das
universidades
particulares
no
ensino
superior
com
a
maioria
centrada no
lucro
e generalizado
descaso
pela
qualidade
do
ensino.
Propõe
aumento
da participação do
estado
na
educação
superior.
Massa
crítica -
A Dra. Clotilde mostrou a
importância
do
ambiente
para
onde
um
docente
se desloca. O
novo
local
deveria
estar
cercado
de uma
massa
crítica
de
colegas
entusiasmados
com
o
trabalho
científico. Destacou a
importância
da
mobilidade
do estudante
durante
a
graduação,
pós-graduação
ou
pós-doutoramento.
Fapesp
-
O Dr. Brito
Cruz
reforçou
este
ponto, as
oportunidades
que
a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo –
FAPESP - oferece,
com
bolsas
que
apóiam a
mobilidade
que
precede a
docência/pesquisa
e as qualificariam
adicionalmente.
O
diretor
científico
da FAPESP mostrou
como
a
mobilidade
é
importante
para o
profissional
ao
intensificar
sua
comunicação
com
outros colegas e ambientes, já
que
a
interação
direta
tem papel preponderante no
desenvolvimento
e
direcionamento
do
talento
científico.
Demissões
- Sobre algumas
particulares
demitirem
pesquisadores
durante
a
vigência
de
projetos
financiados
pela
FAPESP, o
diretor
científico
revelou
que
os
contratos
da
agência
quando
da
assinatura
dos
termos
de
concessão
são
feitos
exclusivamente
com
o
pesquisador
outorgado deixando de
fora
a instituição, que a
falha
estaria sendo corrigida a
partir
dos
contratos
para
projetos
de
jovens
pesquisadores
visando
exigir
um
compromisso
legal
da instituição,
que
no
momento
interrompe
projetos
e
não
recebe
sanções.
Já
um
pesquisador
que
atrase
um
relatório
tem
seu
crédito
suspenso e
caso
não
complete
um
projeto
satisfatoriamente deve
devolver
o
auxílio
recebido.
Debate
-
A
platéia
contou
com
uma boa
representação
universitária
que debateu os temas ativamente.
Univap
-
A professora
Marina
Pasetto Nóbrega mostrou
como
a
administração
atual
da Universidade do Vale do Paraíba, com sede em São José dos
Campos, na
figura
de
seu
reitor
Baptista Gargione Filho, demite e
contrata
sem
o
aval
do
conselho
como
requer a LDB e degrada a
qualidade
do
ensino
pelo
mau
planejamento
e
atribuição
de
aulas
na
véspera
do
início
do semestre, desrespeitando a
área
de
competência
específica
do
docente
na
distribuição
das
disciplinas,
maximizando o
custo/benefício
apenas
pelo
lado
financeiro.
Truculência – Mariana demonstrou ainda a
atuação
truculenta
e
incompatível
do
reitor
Gargione para com o
espírito
universitário, revelado
nos
episódios
de
fechamento
do
Instituto
de
Pesquisa
e
Desenvolvimento
(IPD)
por
4
vezes
durante
o
ano
de 2006
para
"recadastramento" de colaboradores
externos,
na
verdade
uma atitude
ditatorial
surpreendente
para
um
gestor de
organização
sem
fins
lucrativos.
O bloqueio das
atividades
do IPD contou
com
a
colaboração
total
do Prof.
Marcos
Tadeu Tavares Pacheco,
diretor
perpétuo
deste
instituto.
Entrevista -
O Prof. Francisco Gorgônio Nóbrega esteve
presente
à reunião e foi entrevistado
pelo
VejoSaoJose. Ele comentou
que,
considerando a
massa
de
estudantes
que
atuam nas
particulares,
a
questão
central
seria
criar
uma fiscalização
mais
eficiente
e
menos
sujeita
à
corrupção
para
garantir
aderência aos
padrões
básicos
de
respeito
à legislação,
já
que
as
particulares
vieram
para
ficar
e poderiam,
principalmente
no
caso
das
entidades
sem
finalidades
lucrativas,
dar
uma
contribuição
excelente
ao
ensino
no
país
e para a
pesquisa
de
qualidade.
Corrupção -
Frente a
ausência
comum
de governança colegiada e
acadêmica,
várias instituições ingressam facilmente no
rol
da ilegalidade. Tornam-se "propriedade"
de
um
pequeno
grupo
ou
indivíduo
com
enorme
poder
de corrupção ao manipular generosos
recursos
oriundos de financiamentos governamentais acrescidos da
renúncia
fiscal
da filantropia. Algo que descamba facilmente a
famosa
"pilantropia"
por
falta
de
transparência
interna
e de fiscalização.
Coação
-
Reitores,
que
deveriam
ser
respeitados
pela
comunidade,
se transformam em
feitores
poderosos, temidos
por
seu
poder
de cooptação. A
facilidade
conferida
pela
CLT
em
contratar
e
demitir,
para
que
o
processo
seja equilibrado, o
docente
pesquisador
que
coordena
um
projeto
de
pesquisa
que
utiliza
equipamentos
obtidos da FAPESP
ou
do CNPq tem
que
contar
com
garantias
sólidas de portabilidade* dos
recursos
necessários
para
sua
atividade
científica.
A
situação
está
excessivamente
sob
controle
da
instituição
algo
negativo
ao
desenvolvimento
da
ciência
no
país.
A
instituição
é
que
decide na
maioria
das
situações
se libera
ou
não
os
equipamentos.
Nos
EUA a portabilidade
entre
instituições
privadas
de
ensino
gerou
um
ambiente
de
pesquisa
acadêmica
de
enorme
qualidade
e
vigor.
Lá
qualquer
instituição
que
atue
como
a
maioria
de nossas
universidades
particulares
jamais
conseguiria
reter
gente
do
primeiro
time.
Este
deslocamento
ancorado no
mérito
e na portabilidade deveria
ser
fortemente
estimulado no Brasil, seria um
incentivo
poderoso
para
que
as
particulares
realmente
competentes
possam se
destacar
criando
áreas
onde
ciência
de
qualidade
possa
ser
desenvolvida.
Portabilidade -
O Prof. Francisco Nóbrega defende
que
a portabilidade
nos
deslocamentos
entre
instituições
tenha
sua
autorização
decidida
pela
agência
de
fomento.
No
caso
dos
recursos
outorgados na
União
Européia, havendo alguma
objeção
à
um
deslocamento
da
parte
da
instituição
original
a
agência
central
examina os
argumentos
das
partes
envolvidas e decide.
Portabilidade é o
termo
que
designa a possibilidade de
transferir
equipamentos
e
insumos
obtidos
pelo
pesquisador
junto
às
agências
de
fomento
à
pesquisa
caso
este
pesquisador
queira
desenvolver
sua
atividade
de
pesquisa
e/ou
docência
em
outra instituição.”
|