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A Plantar S.A.
Reflorestamentos, empresa de plantações e de
ferro-gusa que opera no Brasil, Estado de Minas Gerais, vem
se
esforçando muito em fazer dinheiro através do Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL).
As atividades da empresa que envolvem a plantação em grande
escala
de árvores exóticas de eucaliptos- que são queimadas para
obter
carvão vegetal para ser usado na produção de ferro- gusa-
têm
despojado ilegalmente muitas pessoas de suas terras,
destruído
empregos e meios de vida, secado e poluído as fontes de água
locais,
esgotado os solos e a biodiversidade do Cerrado (bioma
nativo),
colocado em risco a saúde dos moradores locais, e explorado
a
mão-de-obra com atrozes condições trabalhistas. (vide
Boletim
Nº145 do WRM).
Já em 2004, a Plantar S.A. solicitou uma transação
estruturada
como crédito de carbono de 1,5 milhões de CERs (Certificados
de
Reduções de Emissões) com base no “plantio de florestas”. Os
CERs, equivalentes no caso a aproximadamente US$ 25 milhões,
são
licenças negociáveis que certificam que as emissões de gases
de
efeito estufa foram reduzidas pelo projeto. Quem polui em
outros
lugares pode comprar essas licenças e assim poupar-se o
esforço de
reduzir suas próprias emissões.
O argumento foi que a base florestal no Estado de Minas
Gerais
estava se reduzindo aceleradamente, e que sem a verba obtida
através
dos créditos de carbono, a empresa não poderia fazer o
replantio nas
terras onde as árvores tinham sido extraídas para o uso
industrial.
No entanto, a Plantar sempre plantou e replantou árvores em
grande
escala sem ter a aprovaçao do projeto.
Em outra tentativa, a Plantar reformulou o projeto e
argumentou que
teria de queimar carvão mineral se não recebesse
financiamento para
(re)plantar eucaliptos em Minas Gerais para produzir carvão
vegetal.
Várias organizações sociais se opuseram ao projeto da
Plantar, que
mais uma vez não conseguiu a aprovação.
Em meados de 2009, a Plantar reapresentou um projeto de
reflorestamento, ligado ao método de processamento do
minério de
ferro, junto à Diretoria Executiva do Mecanismo de
Desenvolvimento
Limpo sob o título “Projeto de Biomassa Cultivada como fonte
de
energia renovável para a produção de ferro- gusa”.
O projeto promete o
estabelecimento de “plantações específicas” para a produção
de carvão vegetal. Se aprovado, o projeto possibilitaria
que a empresa fosse paga por fazer o que já vem fazendo
desde o ano
2000: plantar e re-plantar eucaliptos em larga escala para
uso
industrial.
Um grupo de indivíduos, organizações, movimentos e redes que
representam a sociedade brasileira, junto a parceiros
internacionais
do Norte e do Sul, têm denunciado e se oposto ao projeto da
Plantar
S.A.
Em uma carta enviada pelas organizações aos membros da
Diretoria
Executiva do MDL, eles alegam que “um novo desenho do
projeto MDL da Plantar promete reservar plantações de
eucaliptos nas terras da
empresa para a produção de carvão vegetal, sob o falso
argumento de
produzir ‘biomassa renovável’.
A empresa pretende ganhar
créditos de carbono por árvores que vem plantando desde o
ano 2000, o que prova que não está ‘adicionando’ nada ao que
já fazia normalmente. Mesmo classificadas como ‘neutras em
carbono’, as operações da Plantar nada fazem para
neutralizar as emissões de dióxido de carbono liberadas pelo
transporte, logística e acima de tudo pela queima da madeira
nos fornos de carvão, sem mencionar a contaminação causada
pela indústria do gusa e a produção e uso de automóveis, que
é o destino final de grande parte da produção.
Os signatários afirmam, “Em nossa opinião, os plantios
químicos
e em larga escala de eucaliptos de rápido crescimento e a
posterior
queima não podem ser considerados de jeito nenhum um
mecanismo para a justiça climática.”
Pelo contrário, eles afirmam que “o desaparecimento e a
contaminação de rios e córregos; o deslocamento forçado das
famílias camponesas e das comunidades florestais indígenas e
geraiszeiros; as disputas territoriais pela Reforma Agrária
e com
comunidades quilombolas que lutam para reaver seus
territórios
ancestrais (como ocorre agora em MG e no ES); a devastação
da
floresta nativa do Cerrado e da Mata Atlântica, e sua
substituição
por plantios de uma única espécie exótica; a repressão, a
criminalização e a intimidação das lideranças locais e dos
movimentos de resistência; a ameaça da insegurança alimentar
no
entorno dos plantios de eucalipto, a terceirização do
trabalho, as
precárias condições trabalhistas e o grande índice de
acidentes e
doenças relacionados com o trabalho (conforme comprova farta
documentação de diversas fontes).
Todos esses são aspectos
essenciais, que deveriam ser considerados e influenciar para
a Diretoria Executiva do MDL rejeitar a proposta do projeto
da Plantar S.A mais uma vez.”
4A
carta na íntegra
Vicente de Moraes Cioffi – Engenheiro especializado em meio
ambiente. Membro da coordenação do Fórum Permanente em
Defesa da Vida e Núcleo Regional do Plano Diretor
Participativo -
vicentecioffi@gmail.com -
4EM
DEFESA DA VIDA |