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Para haver dispensa de
licitação é preciso que a empresa tenha notória
especialidade na área. De Rogério Gandra Martins,
especialista em Direito Público
Apesar dos depoimentos de
ilustres professores doutores, das publicações nos jornais O
Estado de São Paulo, Folha de SP e Valeparaibano, a douta
Promotora Curadora das Fundações de São José dos Campos
insiste em desconhecer os fatos.
As atenções se voltam,
agora, ao Conselho Superior do Ministério Público do Estado
de São Paulo, responsável por reabrir, ou não, o Inquérito
Civil 260/06, agora sob o número 117599/08, o relator é o
Dr. Paulo do Amaral.
“Acho estranho que no
Brasil ainda haja espaço para pessoas como o Baptista Gargione; É como uma doença, mas, vai passar.” Afirma
Marcos Tadeu com quem falamos no dia 23 de novembro, no
Parque Tecnológico de São José dos Campos.

Quem é o Professor Doutor
Marcos Tadeu Tavares Pacheco?
– Marcos Tadeu – Sou
iteano, com uma carreira exclusivamente universitária e
experiência em diversas Instituições de Ensino Superior –
publicas e privadas – no Brasil e outras na Europa e Estados
Unidos. Sou Ph.D. pela universidade de Southamton, UK e
trabalhei com professor visitante nos MIT, Estados Unidos.
Atualmente estou na Universidade Camilo Castelo Branco nos
seus cursos de mestrados e doutorado em Engenharia
Biomédica, no Parque Tecnológico de São Jose dos Campos, ao
lado de grandes universidade do Brasil, UNESP, ENIFESP etc
Quando entrou no ITA?
- Comecei em 1972,
terminei o curso de Engenharia Eletrônica em 76, fiz
mestrado no INPE e também na Inglaterra, em 1982. Em 95, fui
professor visitante no MIT em Boston quando co-orientei um
doutorado do aluno Kasunuri Tanaka.
Univap
- Fui professor da FVE desde 1977. Tive o desprazer de
acompanhar esse senhor Gargione durante todo esse tempo. Ele
impõe medo, vi humilhar vários professores, era muito comum
ele fazer isso. Na Univap fui o segundo Pró-Reitor indicado
em 1992, como Pró-Reitor de Pesquisa e Pós Graduação.
Naquela época nem mesmo cursos de especialização aquela
Instituição tinha, durante minha gestão na pesquisa e
pós-graduação 6 (seis) cursos de mestrados e 2 (dois) de
doutorado foram aprovados na CAPES.
O IP&D
- A criação do IP&D
foi uma evolução do nosso trabalho. Havia o laboratório de
opto-eletrônica com os professores Renato, Lima e Landulfo,
ainda nas antigas instalações da Rua Paraibuna, no centro da
cidade. Sempre preferi trabalhar com alunos e ex-alunos da
Univap. Em 96, criamos o Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento. Em 98, aprovei o primeiro mestrado de
Engenharia Biomédica na Univap. Trouxe para cá, com bolsa do
CNPQ, um professor indiano que esteve comigo nos Estados
Unidos, sem custo algum para a Univap. Em 2001, aprovamos o
doutorado. Em 2005, tínhamos seis mestrados e dois
doutorados numa das universidades mais bem sucedidas em
termos de pesquisas e pós- graduação, apesar das terríveis
condições de trabalho.
Como
conseguiu suportar a gestão da Univap?
– Em 1973, Gargione
dava aulas de laboratório de física no ITA. Em 1980 ele foi
colocado na FVE, como interventor, pelo então prefeito
Joaquim Bevilacqua e manipulou para se tornar presidente da
mantenedora, FVE, e Reitor da mantida, Univap, onde
permanece até hoje. Sua grande capacidade não é cientifica
nem administrativa, basta ver a atual situação da Univap
que, tirando as obras que ele faz sem parar, é uma
instituição que causa lástima. Restando apenas mentiras e
propagandas enganosas como a que ele fez veicular na mídia
esses dias, indicando a Univap como a 1ª do Vale. Num Vale
que tem a UNIFESP, UNESP, ITA, resta a pergunta: No que a
Univap seria a 1ª? Sua grande capacidade é de amedrontar as
pessoas. Ele tem uma imensa capacidade de intimidar os
professores. Mas isso vai passar meus caros.
Foi o
seu caso? –
Eu
consegui superar um pouco, pois, como a pós-graduação e a
pesquisa estavam dando certo, ele se metia menos que em
outros setores, mas logo que este sucesso começou a lhe
fazer sombra ele decidiu demitir todos os docentes. De uma
maneira ou de outra, todos dependem do Gargione, pois, tanto
aqueles que estiveram na FVE e os que ainda estão lá, com
algumas exceções, são professores e dependem dos salários
para sobreviver, o Gargione usa isto como arma para
amedrontar e aterrorizar os funcionários.
Em
2003, a Univap foi contratada pela SPTrans para implantar um
projeto de Guiagem Magnética nos ônibus do antigo Fura Fila,
hoje Expresso Tiradentes, na Capital paulista. O que tem a
dizer sobre isso?
–
Foi
algo bem confuso. Me lembro quando, de repente, o Teixeira
Junior apareceu com a idéia de fazer um projeto com a
SPTrans. Foi tudo decidido entre eles rapidamente num final
de semana. O Teixeira foi ao sítio do Baptista, em São
Francisco Xavier, e voltou com a idéia pronta. Eu fui
pressionado para aceitar o tal projeto, no IP&D. No final,
como o Gargione fazia tudo que queria, diversas salas no IP&D
foram ocupadas pela Empresa COMPSIS.
Como foi isso?
-
O Teixeira usava o argumento
que o IPD não tinha desenvolvimento, somente pesquisas (?)
não tinha pesquisa. Ele é um cara bom para encontrar frases.
Em função disso, tinha que ter desenvolvimento, tinha que
ter a Compsis. Arrumaram várias salas e, pelo que entendi, a
Compsis faria tudo, já que a Univap não tinha nem nunca teve
competência alguma em Guiagem Magnética.
Como
foi possível isso? -
Nunca houve na Univap um professor que entendesse de Guiagem
Magnética e nem tem; - O que existe são áreas de
planejamento urbano, engenharia biomédica, biologia e
astronomia. Pelo que sei, foi a Compsis que pegou esse
serviço. Colocaram lá uma carcaça de um ônibus, não passou
disso.
A
contratada pela SPTrans, sem concorrência pública, foi a
Univap que declarou possuir notório saber e notória
especialização em Guiagem Magnética, o senhor está negando
isso?
– Exatamente, não tem e
nunca teve. Desconheço quem deu essa declaração, certamente
que não fui eu e veja que era o diretor responsável pelo IP&D.
Resta saber quem assinou os atestados de notório saber e
especialização.
A
Univap recebeu da SPTrans R$ 19.200.000,00, adiantados, em
2003, durante a administração Marta Suplicy (PT). Tomou
conhecimento disso? –
Sabia
do dinheiro, falavam que a Univap receberia uma taxa a
título de administração, não sei quanto, nunca vi o tal
contrato.
E
ficou tudo por isso mesmo?
– Isso, o pessoal da SPTrans aparecia, andava no tal ônibus,
no campus da Urbanova, era apenas um veículo normal; -
Onibus com Guiagem Magnética nunca existiu. A Univap não
tinha e não tem condições para fazer isso. Se a Compsis
tinha não saberia informar, pois esta Empresa apenas ocupava
o espaço no IPD sem nenhuma interação com seus pesquisadores
ou alunos de pós-graduação.
Diante
disso, ainda bem que o senhor saiu da Univap. De repente,
poderiam lhe atribuir alguma responsabilidade.
– O Marcos Tadeu era o guarda chuva para tudo, obrigado a
fazer coisas que não queria pelas pressões do Gargione. Ele
é uma espécie de doença. Mas, o pessoal que continua na
Univap fique tranqüilo, toda doença acaba. O paciente morre
e a doença morre junto, ou o sistema imunológico do paciente
reage e a doença vai embora.
Então
é um regime de terror?
–
Ele e
os asseclas comandam um bando de professores apavorados,
trabalhando para manter os empregos. Uma das técnicas usadas
pelo Gargione é contratar marido e mulher juntos, isso
obriga a ambos a se submeterem. E não é só o Baptista, a
Cristina advogada também. Vi coisas desse pessoal que daria
para escrever um livro. Talvez um dia faça isso.
O
senhor foi demitido da Univap?
- Isso mesmo, os motivos alegados foram que havia me
apropriado de documentos da Universidade, que teria
denegrido o nome da Instituição. Com demissão do Professor
Balbim, o Gargione imaginou me atingir. Como sou um dos
fundadores, não poderia ser mandado embora simplesmente, aí
ele tratou de arrumar essa justa causa.
Como
ficou?
– Estamos processando o
Gargione com várias alegações e vamos até o final.
Depois
que saiu da Univap, o que ocorreu?
–
Nós
contatamos diversas universidades que nos queriam e
encontramos a Camilo Castelo Branco, de São Paulo. É uma
universidade que está crescendo, investindo em qualidade,
ela contratou o nosso grupo inteiro, os melhores
pesquisadores vieram conosco.
Como
está sendo o trabalho?
– Nós aprovamos os nossos cursos de mestrado e doutorado.
Estamos com todo o material da Fapesp, foi tudo transferido
para o nosso Centro de Engenharia Biomédica da Unicastelo,
aqui no Parque Tecnológico.
A Uni
Castelo tem sede onde?
– Em Itaquera, com campus em diversos locais, Descalvado,
Fernandóplois e outros. Em São José dos Campos temos o
Centro de Engenharia Biomédica com pesquisas, cursos de Lato
Senso, pós graduação, coisas do tipo.
Pelo
jeito, está satisfeito?
–
Sair
de perto do Gargione é uma satisfação para qualquer pessoa.
Não ter que aturar aquele tipo de gente, aqueles
comentários, o Baptista e sua família, é fantástico.
Um
cientista pode ser destratado?
– Enquanto a gente trabalhava diversos períodos alem do
necessário, para conseguir realizar as tarefas de docência,
pesquisa e pos graduação, o que se observava em torno era um
festival de mordomias e nepotismo. O Reitor e outros da sua
família com carros caríssimos, gasolina livre e demais
mordomias na conta da FVE, uma verdadeira festa em pleno
século 21, numa cidade em que o índice de pessoas com o
nível universitário é altíssimo. Não consigo entender isso.
Fundação Valeparaibana de Ensino é uma Entidade
filantrópica, comunitária, sem fins lucrativos, o Gargione
de gestor posa de dono. A FVE foi fundada por joseenses que
desejavam um ensino superior de qualidade para os jovens
desta cidade, hoje em dia este jovens estão sendo mais bem
atendidos por outras Universidades que aqui se instalaram.
Isso é o que se chama de desvirtuamento de função de uma
Fundação.
Então
as finalidades foram desvirtuadas?
– Totalmente, hoje em dia na Universidade do Vale do Paraíba
existe uma igreja católica majestosa, shows, grito de
carnaval. Onde está o ensino de qualidade? Todos os docentes
da Univap, com exceção daqueles da família do Gargione e sua
corte é claro, reclamam das condições dos laboratórios dos
cursos de graduação. Gargione costuma afirmar que o jovem
joseense está ficando pobre, mas, se isso ocorre, por que
vieram para São José a Anhanguera, a Unip, a Faap e outras.
Não existe isso de pobre, as pessoas não são mais
desinformadas, nem ludibriadas por propagandas enganosas,
elas sabem escolher.
E
sobre os cultos religiosos na Univap?
– Quem fosse convidado e não aparecesse nos cultos era
perseguido, coisa de ditadorzinho. Acho estranho que no
Brasil, em pleno século vinte e um, haja espaço para pessoas
como o Gargione. É uma doença que vai passar. Eu sempre digo
isso aos meus amigos que estão na Univap: vai passar.
O que
acha do Brasil?
– Na minha visão o país
está melhorando bastante, algumas excrescências estão
sumindo aos poucos, o Sarney é uma delas. É claro que não
vou comparar o Sarney com o Gargione que é muito
insignificante. Mesmo assim, por deixarmos, ele está fazendo
um dano imenso à São José dos Campos.
De que
maneira? – A Univap
era para ser a universidade do joseense, deveria oferecer um
ensino de qualidade com preços reduzidos. Mas, tem um
superávit incrível. Para que? - Para construir prédios e
mais prédios para ficarem vazios? O campus de Jacareí está
às moscas, constroem outro em Campos do Jordão. Tem um em
Caçapava com vacas em volta. Alunos? Para que alunos, a meta
dessa universidade é construir! O produto dela não é o aluno
e sim prédios. Assemelha-se mais a uma grande imobiliária,
imagino que os fundadores da FVE devem estar se revirando
nos túmulos.
Para
que Gargione faz isso?
– É uma questão que precisa mais discutida. Para construir
ele cobra alto dos alunos e paga mal os professores. O
superávit é imenso, só não aplica em qualidade.
Então
ele seria um Mister M da educação?
– Esse é um nome muito bom, nem isso ele merece. Só sinto
pena dos jovens joseenses. O Gargione conseguiu tirar deles
uma grande universidade. Matou o sonho, os alunos vão para a
Unip, para Anhanguera ou saem da cidade. O que é deles foi
tomado por esse senhor.
Fale
com o Professor Marcos Tadeu:
marcttadeu@uol.com.br
Esse espaço está garantido
para as pessoas citadas que desejarem se manifestar.
(*) Acassio Costa é advogado
-
acassio@vejosaojose.com.br
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