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  05.03.2010  00h.15  
  Os Leitores de Tela e a Leitura do Mundo

Luciane Maria Molina Barbosa

 

Acompanhar as notícias do dia-a-dia e produzir os meus próprios artigos  postados  neste espaço tem sido possível graças ao uso da tecnologia e a programas dedicados e destinados a fazer a leitura, em voz alta, de todo o conteúdo presente na tela. Assim como para redigir este texto, o uso de leitores de telas para deficientes visuais torna-se imprescindível para mim. Sobre “como os computadores falam” será nosso tema de hoje.

Certa vez li uma mensagem que dizia "A tecnologia tornou a vida das pessoas mais fácil; e para as pessoas com deficiência, tornou a vida possível". Deficientes visuais talvez tenham sido os mais beneficiados pela tecnologia, em especial de computação.  Hoje, com a ajuda de computadores, scanners, impressoras e outros equipamentos, um cego é capaz de “escrever e ser lido, e ler o que os outros escreveram".

O uso do computador pelo deficiente visual tornou-se possível graças ao desenvolvimento de leitores de tela e sintetizadores de voz capazes de transmitir oralmente toda a informação visual disponível no monitor.

Com o uso desses recursos de áudio essas pessoas podem desempenhar, desde tarefas mais simples até as mais complexas e, que exigem um maior conhecimento das funções de informática.

A grande vantagem, porém, está na economia de tempo e de recursos financeiros como por exemplo: com o uso de um scanner podemos digitalizar livros para serem lidos através de um editor de texto com voz sintetizadas ou, utilizando uma impressora Braille, adaptar rapidamente a obra e imprimi-la para o uso imediato.

Existem vários softwares gratuitos ou comercializados para o uso de deficientes visuais, bem como a possibilidade de configurações diversas quanto ao idioma, tonalidade de voz, entonação, velocidade de leitura e tipo de fala sintetizada.

O fato é que, no caso da deficiência visual, tal possibilidade nos trouxe, não apenas o acesso à informação, mas ao mundo em geral, por meio  do trabalho, entretenimento, educação e cultura. São possibilidades antes jamais imaginadas e, talvez, distantes de nós e que, há uns 15 anos vem se tornando mais presente, nos trazendo tais oportunidades. Enfim, como um deficiente visual utiliza o computador?

Essa é uma das maiores curiosidades e que, por muitas vezes, causa um "espanto” nas pessoas  menos ligadas em tecnologias,  porque a máquina estabelece um diálogo em voz alta com o usuário deficiente visual.

Já me peguei fazendo esclarecimentos bem curiosos, situações em que me perguntam, com grande freqüência, se existe alguém dentro do computador a minha inteira disposição e se essa pessoa não se cansa de tanto falar. Não necessitamos de equipamentos "especiais". Aliás, tenho uma certa repulsa por esse termo "especial", pois se considerarmos esse adjetivo, estaríamos indo contra os princípios da "inclusão", negando toda e qualquer diversidade.

Nesse sentido, necessitamos de algo para complementar, ou seja, de uma adaptação razoável, para que um equipamento "convencional" esteja preparado para o uso por pessoas com limitações visuais. Esse "complemento" será o software que, instalado em microcomputadores, cumprem o papel de converter as imagens em sons, o silêncio em uma bela melodia...

Todas as nossas ações, diante da máquina, são realizadas mediante comandos sonoros e atalhos do teclado, descartando o uso do mouse e o apontar do cursor. Tudo o que digitamos também é ecoado. A Sensação de poder interagir, em tempo real e côn. autonomia, com outras pessoas é indescritível.

É muito mais do que aproximar o deficiente visual do mundo "real"; é reduzir quaisquer barreiras que impeçam o ir e vir, o desenvolvimento dessa pessoa. é poder estudar, ler um livro, redigir um trabalho e imprimir, para que qualquer pessoa o leia.

É trabalhar, pesquisar, acessar e-mail, sites de relacionamento, comunicar-se por meio de mensagens instantâneas, consultar dicionário, ler noticiários, trocar correspondências, organizar uma agenda, consultar relógio, e tantas outras possibilidades...

Porém, assim como nós os humanos, os softwares também possuem suas limitações. Por exemplo, ele jamais vai me contar o seu visual em uma fotografia. Se você está vestindo uma blusa verde ou azul?

Ele apenas identifica o arquivo imagem, mas não o decodifica em som. Nesse caso, só o famoso "olho de Plantão" pra ajudar: um amigo, um familiar, etc.

No entanto ele consegue nos informar, facilmente, a formatação de um texto, localização de link, tabelas, caixas combinadas, formulários de edição, entre outros.

Assim, jamais será possível clicar em um ícone (imagem), é preciso saber o atalho, ou seja, o caminho alternativo para aquela determinada ação. Por isso, as maiores barreiras estão em páginas da internet que, talvez pelo desconhecimento dos programadores, são construídas sem levar em conta tais requisitos de acessibilidade e, portanto, sem legendas e atalhos para tornar possível o acesso por deficientes visuais.

Esse cenário vem sendo modificado gradativamente. A preocupação com acessibilidade e inclusão tem sido foco de estudos e  projetos voltados para a inclusão e, cabe a nós, também, informar e divulgar ações que possam contribuir para o planejamento de novos produtos e serviços disponíveis a maior parte das pessoas e, inclui-se aí, as pessoas com deficiência.

Luciane Molina, Pedagoga é deficiente visual. Realiza trabalhos voltados à inclusão do deficiente visual por meio do Sistema Braille e Informática adaptada; cursos para capacitar profissionais em Grafia Braille e Informática com o software DOSVOX; Palestrante e autora de artigos relacionados publicados em revistas, livros e sites da área Educacional. - braillu@uol.com.br blog


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