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Acompanhar as notícias do dia-a-dia e produzir os meus
próprios artigos postados neste espaço tem sido possível
graças ao uso da tecnologia e a programas dedicados e
destinados a fazer a leitura, em voz alta, de todo o
conteúdo presente na tela. Assim como para redigir este
texto, o uso de leitores de telas para deficientes visuais
torna-se imprescindível para mim. Sobre “como os
computadores falam” será nosso tema de hoje.
Certa vez
li uma mensagem que dizia "A tecnologia tornou a vida das
pessoas mais fácil; e para as pessoas com deficiência,
tornou a vida possível". Deficientes visuais talvez tenham
sido os mais beneficiados pela tecnologia, em especial de
computação. Hoje, com a ajuda de computadores, scanners,
impressoras e outros equipamentos, um cego é capaz de
“escrever e ser lido, e ler o que os outros escreveram".
O uso do
computador pelo deficiente visual tornou-se possível graças
ao desenvolvimento de leitores de tela e sintetizadores de
voz capazes de transmitir oralmente toda a informação visual
disponível no monitor.
Com o uso
desses recursos de áudio essas pessoas podem desempenhar,
desde tarefas mais simples até as mais complexas e, que
exigem um maior conhecimento das funções de informática.
A grande
vantagem, porém, está na economia de tempo e de recursos
financeiros como por exemplo: com o uso de um scanner
podemos digitalizar livros para serem lidos através de um
editor de texto com voz sintetizadas ou, utilizando uma
impressora Braille, adaptar rapidamente a obra e imprimi-la
para o uso imediato.
Existem
vários softwares gratuitos ou comercializados para o uso de
deficientes visuais, bem como a possibilidade de
configurações diversas quanto ao idioma, tonalidade de voz,
entonação, velocidade de leitura e tipo de fala sintetizada.
O fato é
que, no caso da deficiência visual, tal possibilidade nos
trouxe, não apenas o acesso à informação, mas ao mundo em
geral, por meio do trabalho, entretenimento, educação e
cultura. São possibilidades antes jamais imaginadas e,
talvez, distantes de nós e que, há uns 15 anos vem se
tornando mais presente, nos trazendo tais oportunidades.
Enfim, como um deficiente visual utiliza o computador?
Essa é
uma das maiores curiosidades e que, por muitas vezes, causa
um "espanto” nas pessoas menos ligadas em tecnologias,
porque a máquina estabelece um diálogo em voz alta com o
usuário deficiente visual.
Já me
peguei fazendo esclarecimentos bem curiosos, situações em
que me perguntam, com grande freqüência, se existe alguém
dentro do computador a minha inteira disposição e se essa
pessoa não se cansa de tanto falar. Não necessitamos de
equipamentos "especiais". Aliás, tenho uma certa repulsa por
esse termo "especial", pois se considerarmos esse adjetivo,
estaríamos indo contra os princípios da "inclusão", negando
toda e qualquer diversidade.
Nesse
sentido, necessitamos de algo para complementar, ou seja, de
uma adaptação razoável, para que um equipamento
"convencional" esteja preparado para o uso por pessoas com
limitações visuais. Esse "complemento" será o software que,
instalado em microcomputadores, cumprem o papel de converter
as imagens em sons, o silêncio em uma bela melodia...
Todas as
nossas ações, diante da máquina, são realizadas mediante
comandos sonoros e atalhos do teclado, descartando o uso do
mouse e o apontar do cursor. Tudo o que digitamos também é
ecoado. A Sensação de poder interagir, em tempo real e côn.
autonomia, com outras pessoas é indescritível.
É muito
mais do que aproximar o deficiente visual do mundo "real"; é
reduzir quaisquer barreiras que impeçam o ir e vir, o
desenvolvimento dessa pessoa. é poder estudar, ler um livro,
redigir um trabalho e imprimir, para que qualquer pessoa o
leia.
É
trabalhar, pesquisar, acessar e-mail, sites de
relacionamento, comunicar-se por meio de mensagens
instantâneas, consultar dicionário, ler noticiários, trocar
correspondências, organizar uma agenda, consultar relógio, e
tantas outras possibilidades...
Porém,
assim como nós os humanos, os softwares também possuem suas
limitações. Por exemplo, ele jamais vai me contar o seu
visual em uma fotografia. Se você está vestindo uma blusa
verde ou azul?
Ele
apenas identifica o arquivo imagem, mas não o decodifica em
som. Nesse caso, só o famoso "olho de Plantão" pra ajudar:
um amigo, um familiar, etc.
No
entanto ele consegue nos informar, facilmente, a formatação
de um texto, localização de link, tabelas, caixas
combinadas, formulários de edição, entre outros.
Assim,
jamais será possível clicar em um ícone (imagem), é preciso
saber o atalho, ou seja, o caminho alternativo para aquela
determinada ação. Por isso, as maiores barreiras estão em
páginas da internet que, talvez pelo desconhecimento dos
programadores, são construídas sem levar em conta tais
requisitos de acessibilidade e, portanto, sem legendas e
atalhos para tornar possível o acesso por deficientes
visuais.
Esse
cenário vem sendo modificado gradativamente. A preocupação
com acessibilidade e inclusão tem sido foco de estudos e
projetos voltados para a inclusão e, cabe a nós, também,
informar e divulgar ações que possam contribuir para o
planejamento de novos produtos e serviços disponíveis a
maior parte das pessoas e, inclui-se aí, as pessoas com
deficiência.
Luciane
Molina, Pedagoga é deficiente visual. Realiza trabalhos
voltados à inclusão do deficiente visual por meio do Sistema
Braille e Informática adaptada; cursos para capacitar
profissionais em Grafia Braille e Informática com o software
DOSVOX; Palestrante e autora de artigos relacionados
publicados em revistas, livros e sites da área Educacional.
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braillu@uol.com.br -
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