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Lindiane
do Nascimento, 25 anos, formada em Letras (2002-2005
Faculdade Unificada Campo-grandense FEUC) poderia ser uma
profissional, que por sua trajetória acadêmica, estivesse
"escondida" por trás dos muros de alguma Instituição de
Ensino.
Porém,
seu empenho e dedicação nos mostra que o compromisso com uma
Educação de Qualidade vai além do que podemos imaginar.
Lindiane, preocupada com os rumos da Educação Inclusiva, se
capacitou e foi "escolhida" para a missão de ensinar àqueles
que, cujos olhos não conseguem contemplar o vasto universo
do conhecimento.
Mesmo
possuindo visão, seu trabalho consiste em levar aos cegos, o
encantamento dos pontos em relevo sob os dedos e todas as
possibilidades de acesso à informação. Abaixo, conversei com
Lindiane para conhecermos um pouco mais sobre sua história.
Luciane: Conte um pouco sobre você e sua trajetória
acadêmica -Lindiane:
Sou professora, formada em Letras (Port/Esp) e especializada
em Educação Inclusiva. Trabalhei
com crianças em classes regulares do primeiro segmento do
Ensino Fundamental e com adultos
em Classes Supletivas com o ensino de Língua Portuguesa e atualmente
leciono aulas de Sistema Braille e informática na
Reabilitação do Instituto Benjamin Constant. Persevero por
uma sociedade que seja realmente inclusiva.
Sabemos que sua "escolha" pela Educação Inclusiva não teve
como base o "modismo" das atuais tendências educacionais, o
que te motivou a buscar essa linha pedagógica? -
Acredito
que a educação é essencial para a formação de um cidadão
pleno. Trabalhar com pessoas que possuem alguma deficiência
é provar esta afirmação, pois a busca desta formação por
eles está em maior evidencia desde momento que iniciam a
luta por seus direitos, desfazem preconceitos e encontram
seu espaço na sociedade através da capacidade.
Quais os trabalhos desenvolvidos por você enquanto
professora de Deficientes visuais? -
Acredito
que tenho ainda muito que aprender, possuo projetos em
desenvolvimento, ainda nada concreto. Mas considero que
propagar a importância da educação é um trabalho permanente
e contínuo que busco realizar através dos alunos, família...
Você consegue quantificar a importância da reabilitação para
o deficiente visual? Quais os sonhos, os anseios desses
educandos ao iniciar o processo? -
Afirmar a
qualidade de vida que o reabilitando adquire com o processo
da reabilitação, talvez sim, mas quantificar a importância é
um valor subjetivo do aluno. Uma vez que a reabilitação
atende grupos de pessoas com anseios distintos. Mas pode-se
afirmar que todos eles possuem um desejo em comum, a busca
da independência.
Qual foi a maior lição durante seu trabalho com reabilitação
de deficientes visuais? Existe alguma história que mais lhe
marcou como profissional? -
Trabalhando com a reabilitação, pude perceber que a vida não
termina e sim surge uma nova maneira de viver quando se
torna cego. No ano de 2007 tive o prazer de ser professora
de um aluno cego, cadeirante, não alfabetizado e órfão,
morava
em uma Instituição. Características
possíveis para uma pessoa
se tornar
infeliz com a vida que recebera, porém este reabilitando
possuía uma força de vontade de vencer muito grande.
Lembro-me até hoje a emoção que nos tomou conta quando ele
pela primeira vez conseguiu escrever seu nome em Braille.
Posso considerar que esta foi a maior lição de amor a vida que
eu presenciei.
Com relação ao Braille; você como vidente acredita que o
código em relevo criado por Louis Braille há quase dois
séculos ainda representa a liberdade intelectual para as
pessoas com alguma dificuldade visual? -
Sim, a
perda da comunicação escrita para uma pessoa que se torna
cega é angustiante, pois não envolve somente a perda da
independência, mas também a reserva pessoal, deixa ele de
anotar números de telefones, cartas pessoais, extratos
bancários... O Sistema Braille se torna restaurador destas
ações permitindo ao cidadão cego exercer sua função na
sociedade com independência e reserva pessoal.
Como foi para você aprender o Braille, já que possui visão?
-
Para mim que possuo visão acredito que o ensino do Sistema
Braille tenha sido muito mais fácil que para um
reabilitando, uma vez que o vidente obtém o contato com o
Sistema através da visão e o cego através dos dedos.Muitas
das vezes o reabilitando não consegue de imediato obter a
percepção dos pontos com os dedos, ação conseguida para quem
consegue visualizar através da visão. Porém na primeira vez
que tive contato com o Sistema Braille, acreditei que não
seria possível compreender “aqueles pontinhos”, porém
durante as aulas fui desmistificando o conceito inicial e
foi muito fácil entender como funciona o Sistema Braille.
Deixe uma mensagem aos nossos leitores -
O cidadão
cego ou de Baixa Visão, possui uma limitação sensorial, a
visão. Tal limitação não o exime de exercer função na
sociedade e não o torna menos incapaz. Transformar a
sociedade em uma sociedade inclusiva deve começar por nós
mesmos, não esperando o outro fazer aquilo que nós mesmos
podemos fazer.
(*)
Luciane
Maria Molina Barbosa é pedagoga; atua com Inclusão Escolar e
capacitação de profissionais em Grafia Braille em Lorena e
Guaratinguetá, SP
-
braillu@uol.com.br ou
lindinascimento@hotmail.com
-
www.braillu.com -
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