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  18.12.2009 00h.01  
  Natal, contradição do amor e consumo                 

José Antonio Sespedes (*)

 

Nessa época do ano a expectativa de ser feliz se acentua nas pessoas e, em muitas situações, acaba se tornando causa de tristeza e depressão, principalmente para os que vivem longe da família em cidades e países distantes.

Contudo, não devemos excluir os que passam o ano todo envolvidos em negócios ou agem de maneira egocêntrica negligenciando os relacionamentos interpessoais e espontâneos, convertendo energia em moeda de troca, extinguindo a gratuidade do amor.

O estresse é outro fator que pode deprimir em tempos natalinos, que para o mundo cristão é sinônimo de fraternidade, ou melhor, deveria ser... É inegável que o sistema capitalista proporcionou às pessoas uma vida mais confortável, além do extraordinário avanço tecnológico, que torna real o que no passado era considerado utópico.

O crescimento da oferta de bens de consumo força o comércio a criar datas [motivos] para vender produtos. Nesse sentido, o Natal se torna a data máxima.

A contradição entre o espiritual e o material fica evidente, pois a sobrecarga de compromissos leva o sujeito a priorizar os afazeres numa contagem regressiva que se torna patente nas ruas e nos grandes centros de compras, onde a agitação atropela o bom senso e o Feliz Natal vira uma frase consumida pela propaganda.

No plano espiritual, o final de ano é tempo de desacelerar e refletir sobre nossas ações e objetivos, visando o desenvolvimento humano. É tempo de conciliar o ser e o ter, o amor e o consumo. Sidarta Gautama, o Buda, diz que: “a sabedoria consiste em se trilhar o caminho do meio.”

O potencial afetivo deve se manifestar em atitudes que tocam a alma e dão sentido aos bens materiais, que assumem um colorido especial nesta época do ano.

(*) José Antonio Sespedes é autor do livro: Depressão, um beco com saída www.outonos.com.br Ouça aos domingos das 10 às 11-Falando Livremente- www.livre.fm


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