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Nessa época do ano a expectativa de ser feliz se acentua nas
pessoas e, em muitas situações, acaba se tornando causa de
tristeza e depressão, principalmente para os que vivem longe
da família em cidades e países distantes.
Contudo, não devemos excluir os que passam o ano todo
envolvidos em negócios ou agem de maneira egocêntrica
negligenciando os relacionamentos interpessoais e
espontâneos, convertendo energia em moeda de troca,
extinguindo a gratuidade do amor.
O estresse é outro fator que pode deprimir em tempos
natalinos, que para o mundo cristão é sinônimo de
fraternidade, ou melhor, deveria ser... É inegável que o
sistema capitalista proporcionou às pessoas uma vida mais
confortável, além do extraordinário avanço tecnológico, que
torna real o que no passado era considerado utópico.
O crescimento da oferta de bens de consumo força o comércio
a criar datas [motivos] para vender produtos. Nesse sentido,
o Natal se torna a data máxima.
A contradição entre o espiritual e o material fica evidente,
pois a sobrecarga de compromissos leva o sujeito a priorizar
os afazeres numa contagem regressiva que se torna patente
nas ruas e nos grandes centros de compras, onde a agitação
atropela o bom senso e o Feliz Natal vira uma
frase consumida pela propaganda.
No plano espiritual, o final de ano é tempo de desacelerar e
refletir sobre nossas ações e objetivos, visando o
desenvolvimento humano. É tempo de conciliar o ser
e o ter, o amor e o consumo. Sidarta Gautama,
o Buda, diz que: “a sabedoria consiste em se trilhar o
caminho do meio.”
O potencial afetivo deve se manifestar em atitudes que tocam
a alma e dão sentido aos bens materiais, que assumem um
colorido especial nesta época do ano.
(*) José
Antonio Sespedes é autor do livro:
Depressão,
um beco com saída
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