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A Carlinhos de Almeida
Quando eu
me for ... Quando morrer... Talvez você ouça Feelings
e saiba que eu te amei. Não sei porque ando tão triste
nestes dias, mas fique tranqüila não penso em me matar. Só
estou triste.
Talvez
decepcionado por morar numa cidade com governantes
reacionários. Quem governa é sempre o espelho do povo.
Então, estou triste sim, não deveria, apenas sinto-me só.
O meu
candidato Carlinhos de Almeida passou na ultima eleição para
deputado, e neste ano num sábado à tarde eu o cumprimentei
com a vergonha de um militante de pijamas.
Não
consegui sair as ruas, a indiferença nesta cidade oprime a
gente. Ás vezes somos dom quixotes... O Carlinhos acaba
sendo um Dom Quixote, não tenho a ousadia que muitos tem
para ir embora, prefiro ficar e combater o bom combate.
Contra esta lama de conservadorismo desta idéia ridícula de
empreendedorismo. De incentivo à competição. Nunca fui um
exemplo em nada e nem pretendo.
Hoje numa
aula de Literatura na Fundação Cultural Cassiano Ricardo a
luz repentinamente se apagou. Fiquei feliz no meio das
trevas. E vi lindas arvores, tão diferente de minha Vila
Industrial tão poluída pela Petrobras que patrocina belos
projetos culturais. Ó dó de nossos Podres Poderes... Como
bem cantou Caetano Veloso.
Ontem,
outro poeta riu de mim quando declarei meu voto a vereador.
Talvez como político eu seja ingênuo, mas acredito em
mudanças reais através da política.
Esta
cidade oprime seus artistas num indisfarçável cinismo das
autoridades culturais. Mas eu fico, pois sou Centurião do
Litter, sou livre e morro pela liberdade, não quero suas
trintas moedas. Só exijo o que é nosso por direito, a
liberdade e uma vida decente para mim e todos que vivem de
arte.
Sei que
somos desunidos, e isso pode ser mudado. Basta mudar, a
começar por nós mesmos.
Sinto uma
grande dor em minha alma. Não sei como suportarei tamanha
dor, dias melhores virão.
Tenho
toda a força, toda a vontade de mudanças reais. Nós somos a
cidade, os que estão no poder estão podres, vivem de seus
poderes.
Parabéns
aos bravos guerreiros que buscam mudanças nesta reacionária
São José dos Campos.
Vou
indo.Tudo passa, mas a vida continua.
(*) Joca faria
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fariajoca@gmail.com.br
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artegaia |