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Nasci no Brasil, mas
poderia ter sido na África? Nasci homem como poderia ter
vindo mulher? Sou incógnita. No fim não somos?
Não tenho passaporte para
nada e hoje vivo neste corpo que daqui um tempo abandonarei.
E ai, porque tanta vaidade? Tanta luxúria. Porque tanta
inveja? Tantos medos nessa minha alma ainda incompleta.
Minha existência é tão
frágil quanto a sua. Minha fé ainda não é inquebrantável.
Não sabemos nada dessa vida.
Hoje faz calor, amanhã faz
frio. E daí? Já li centenas de livros e ai? As vezes tenho
dinheiro, outras vezes não. E ai, o que vale, ter ou não
ter?
Não importa quem fui em
vidas passadas, está tudo dentro de mim numa grande
recorrência. Preciso que seja numa oitava superior. De que
me adianta a fé se sou dotado de conceitos e pré –
conceitos? Faço faculdade, mas ajuda em que? Não sei. Quero
deixar de ser eu. De ter ambição.
Não adianta entrar numa
caverna? Devo mergulhar no abismo dentro de mim. Não sei
quantos átomos existem em meu corpo.
Quero andar pelo mundo ir
num sarau em Bagdá, desvendar a cultura oriental e completar
minha cultura. Estou tão perdido quanto os habitantes do
Lost na grande magia da vida.
Porque tenho medo do que
não conheço se desconheço tudo? Já vivi na Lemuria, na
Terra e na Lua não aprendi nada? Sou ignorância pura, apenas
me disfarço de tolerante. Não tolero nem a mim mesmo? Então
por que a lipo aspiração?
Com tantas vaidades,
deveríamos ser mais ousados com aquilo que realmente
importa.
Desconhecemos o verdadeiro
amor, porém, nos achamos caridosos. Quantas vezes já
crucificamos o nosso Cristo?
Somos somente muitos Judas
com o sangue das trinta moedas escorrendo pelas mãos.
O galo canta três vezes por
dia, e eu não suportaria um dia das provações pelas quais Jó
passou. Ainda assim, sou prepotente.
Na verdade, nada sou, quem sabe um dia serei. Ainda assim,
dentro de mim é e eu assim existo.
(*) Joca Faria
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fariajoca@gmail.com.br
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artegaia -
Editora Pasárgada
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