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05.03.2010 00h.30 |
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Nas veredas de Azurita
Guillermo
Bolaños (*) |
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Quase nem acreditei, quando o meu
celular tocou, em plena quarta feira e perto das 13
horas. Era de Belo Horizonte, a secretária do meu
querido colega Dr. Marcelo, desejava confirmar
comigo, a presença, na pequena e bonita Azurita. Na
linha troquei algumas palavras com o Marcelo,
acertamos o dia e o horário da minha chegada. É
sempre muito bom conversar com quem por cinco anos
estudou com você e viu de perto os melhores anos da
sua vida. Lembro que eu disse, devo sair amanhã cedo
de Santa Isabel, e vou para Itaúna. São 544 km na
agora melhorada e pedagiada Fernão Dias.
Poucos acreditam, que eu viajo esta distância, as
vezes, para cuidar do meu cabelo. Para quem não
sabe, se o seu cabelo insiste em cair, a melhor
solução é corta-lo curto. E lá a minha nora, é quem
tem toda a minha confiança e cuida dos cortes
pessoalmente. Como viajei numa quinta feira,
descansei por um dia, e cuidei de outras coisas. Meu
encontro seria apenas no sábado, dia em que a
pequena Azurita veste-se de gala para receber o
dedicado Dr. Marcelo.
Perto do meio dia, sai de Itaúna. No carro, Inês
minha esposa, meu filho, a nora e Eduardo, meu neto.
Ele seria avaliado como paciente, andava enxergando
mal. Oftalmo de renome naquelas bandas e veredas, só
na calma Azurita.
Para quem não conhece, Azurita está
cortada pela antiga rodovia que une a região
metropolitana de Belo Horizonte e a região
centro-oeste de Minas Gerais. Cidade pequena, de
poucas ruas, muito pacata e tranquila. Saindo da
Rodovia, entramos pela rua principal, no final,
vira-se à direita e pouco depois já estava de frente
a uma bela casa, ampla, pintada de amarelo ocre.
Ao descer, não resisti e fiz as primeiras
fotografias. Aquele lugar pacato, em muito me
lembrava o Rio Vermelho, cidade onde comecei a minha
vida profissional. No interior da minha mente, eu
pensava "o Marcelo está fazendo uma medicina, que
muitos gostariam e não podem" ele é um médico
conhecido por todos no lugar. É super respeitado,
adorado até, pode andar com calma nas ruas,
cumprimenta uns, conversa com outros, pergunta uma
coisa, escuta outras. É algo que pelo menos a mim,
enche de alegria, de satisfação.
O Marcelo tinha me preparado uma surpresa. O Dr.
Sérgio, também oftalmo, e que com ele trabalha em
Belo Horizonte, fora convidado para me conhecer. A
conversa sobre todos os assuntos correu às mil
maravilhas, era como voltar ao passado, casos da
época de estudantes, dos plantões, do início da vida
profissional. Como cenário em volta, as veredas de
Azurita.
Depois de feita a
consulta, depois de tudo explicado, receita elaborada
e continuamos a conversa. Apenas esperava, o último
paciente. Do lado do consultório existe um museu, que
deve ser visitado, vale a pena. O calor era intenso,
quando acabou o atendimento.
Depois de fechar o
consultório, seguimos em três carros, para a periferia
de Azurita. Em poucos minutos avistamos o que seria o
início da Vila Fátima. Um pequeno riacho, corre
paralelo e depois se afasta, da sinuosa estrada. Ela
sobe, ela desce, é morro aqui e acolá, mas o que
domina é a paisagem azuritense, pontilhada de
palmeiras.
Adentrando na casa
principal, somos recebidos pela esposa do Marcelo.
Trocamos poucas palavras, pois quase de imediato,
o Marcelo nos convoca, para ir na caminhada até o
chamado "buraco". O buraco nada mais é, do que uma
adega climatizada naturalmente. Nela, Marcelo
guarda os tonéis, neles a deliciosa cachaça.
Depois de
instalados, assentados e cada um com seu copo, é
hora de apreciar a suavidade da pinguinha. Eu que
pouco conheço, arrisco o meu palpite, esta pinga
deve ter, menos de vinte graus de etanol!.
Marcelo retruca e
diz 19 graus. Sim, concordo e me lembro que
parecida com esta, só tomei em junho de 1971, em
Conceição do Mato Dentro. O papo é bom, a conversa
corre solta, lembro da faculdade, de velhos
companheiros, de piadas, de causos, e chega a hora
do almoço.
O almoço é
servido, numa ampla copa, tudo feito no fogão de
lenha, uma delicia atrás da outra, saladinha, e um
vinho, depois arroz, feijão, frango, linguiça, é
tanta coisa, mas coisa boa, eu olho para o
horizonte, e no meio daquela paisagem azuritense,
só enxergo a vereda e as palmeiras, e penso comigo
mesmo, que lugar bonito
Mal tinha acabado o almoço, aquela delícia dos
Deuses, e Marcelo nos leva para outro local. É uma
varanda, nela dedilha um violão, conta uma
história, é uma triste história. Marcelo chora, é
muito emotivo, sempre foi, depois conta que aquele
violão foi um presente, do João Bosco, cantor e
compositor consagrado.
Já meio "troncho", sou levado pouco a pouco, para
a frente da casa. Fazemos fotos, olho mais uma vez
para aquela linda paisagem, aquela linda vereda,
as palmeiras, os carneiros. A lente me olha, quero
sair bem na foto, nem pisco. Mas penso e respiro
fundo, sinto a satisfação nos olhos do Marcelo. Ai
eu deixo aquelas veredas de Azurita, vereda
bonita, onde meu colega milita, opa! "saí bem na
fita".

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Guillermo Bolaños é médico em Santa Isabel, SP -
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