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  29.01.2009 00h.30  
  A tragédia do Haiti      

Guillermo Bolaños (*)

 

 

A tragédia do Haiti, está dominando todos os jornais televisionados ou não, aqui e no resto do mundo, menos no Haiti, por motivos obvios.
 
O meu drama particular, iniciou-se com o 2010. Já nos primeiros dias, fiquei sabendo que perdera uma prima, lá da minha cidade natal, Masaya, na Nicaragua.

Não basta-se isto, fiquei sabendo, quase de imediato que um primo dos mais queridos, pela minha família, teria sofrido um infarto agudo do miocárdio, quando estava visitando parentes e faleceu em Miami, USA.

Ainda não estava totalmente recuperado, destes choques, quando o estado de saúde do meu sogro, agravou-se. Ele já com 97 anos, saúde debilitada, piorou e veio a falecer, na cidade de Jacareí-SP, onde morava, na casa da sua primeira filha.

Não tive cabeça para escrever nada, muitos amigos nem ficaram sabendo. Avisei os que eu lembrei, e outros depois. Parece que mesmo quando esperamos algum acontecimento, ele nos pega desprevenidos.

 
No meio disso tudo, vem a maior catástrofe, em desastres naturais. Nada foi pior que o terremoto do Haiti.

A força descomunal, provocada pelo atrito constante, de duas placas tectônicas, que deslizam de forma contrária. Uma, a placa norte americana, vai para o leste. A placa do caribe, para o oeste. Mas como nenhuma das duas, consegue avançar, elas voltam para o lado oposto e geram "aquele tranco ".

É este tranco, que localizado a 10.000 metros da superfície, origina o chamado epicentro. A onda do impacto, que equivale a dezenas de bombas atômicas, explodindo ao mesmo tempo, provoca a desgraça, a tragédia, deste que é, um dos mais fortes e destruidores terremotos já acontecidos no hemisfério ocidental.

 
Se segue uma terrível falta de notícias, há um colapso de todas as formas de serviços públicos, água, luz, televisão, rádio, mídia, nada funciona. Só que no caminho do terremoto, havia uma força de paz, e esta força era prestada pelo Brasil. Famílias inteiras, de vários lugares, de vários estados deste país, procuram notícias, ficam aflitas, e depois o luto, a perda, de vidas no início, quase 20 brasileiros, perdem a vida, no país distante. O funcionário na ONU, Dra. Zilda Arns, numa palestra, e muitos militares, em vários locais.

É muito provável, que nenhuma destas pessoas, tivesse antes ouvido alguma coisa, sobre placas tectônicas. Talvez, ninguém soubesse onde passam as do caribe, e a norte americana. Seria o desastre previsível? Desde a minha fase de estudos de secundária, ainda em Masaya, na Nicarágua, eu leio e escuto, que vai acontecer, um grande desastre, na falha de San Andrés, na Califórnia, USA.

Mas, até agora só pequenos tremores, e periódicos abalos de maior importância tem ocorrido, mas evidentemente que sem provocar danos, de grande severidade.

Por outro lado a capital do Haiti, situada, bem no rumo da confluência das citadas placas, oferecia um risco enorme, para a grande tragédia. Não se tem notícia de edifícios, que foram feitos lá, com estruturas reforçadas. No Mexico e Japão, para citar apenas dois países, os edifícios levam muito em conta a ocorrência de terremotos.

No Haiti, a população numerosa, morando em aglomerados, densamente povoados, eram um convite, para a perda de um número grande de pessoas. Eu lembro, que na  Nicarágua, frequente vítima de terremotos, não se fazem edifícios altos, apenas um ou dois andares.

O Edifício do Banco Central em Managua, nos anos 60, com 14 andares, perdeu a metade dos andares, no terremoto de 23 de dezembro de 1972. O edifício do Banco de América, na mesma Managua, só ficou de pé, porque tinha um sistema especial de construção, que absorve, o deslocamento lateral que ocorre nos sísmos, e segura o prédio no prumo.

Agora o Brasil, se prepara, para sepultar seus mortos, deve enviar mais ajuda para o país caribenho, materiais, engenharia, construção civil, assistência médica, militar, policiamento, estruturas básicas, de tudo. É partir do zero, e dar um pouco de dignidade a este sofrido povo haitiano.

O Haiti que já estava, entre os países mais pobres do mundo, fica ainda mais pobre, e vulnerável, pois seus sistemas econômicos não estão funcionando.

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(*) Guillermo Bolaños é médico em Santa Isabel, SP - <guillermobolanos@gmail.com> BLOGUILLERMO" TEM DOIS ENDEREÇOS, LÁ VOCÊ PODE REVER ALGUMAS DAS MATÉRIAS AQUI PUBLICADAS  http://guillermo.bloggeiro.com/index.htm - http://guillermo.criarumblog.com/index.htm


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