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  19.12.2010 10h.20  
 

Gargione debocha do MP

 
por Roberto Wagner de Almeida  
 

Pressionado por importantes setores da sociedade, o Ministério Público, na pessoa da promotora Ana Cristina Chami, determinou em agosto deste ano que os estatutos da FVE– Fundação Valeparaibana de Ensino, mantenedora da Univap, fossem modificados, para limitar a dois mandatos a permanência no cargo de reitor.

Isso porque Baptista Gargione está há mais de 20 anos à frente da reitoria, seguidamente acusado de irregularidades administrativas e truculência contra opositores.

Na ocasião, durante audiência pública convocada pela Curadoria de Fundações, Gargione declarou que já pensava em sair, porém iria cumprir até o fim o seu atual mandato, que expira em abril de 2012, e iria conduzir ele próprio as alterações nos estatutos da FVE.

Na semana passada, Gargione comandou assembléia em que os estatutos foram alterados. Mas não como se esperava. Uma das propostas era para que se aumentasse no Conselho Deliberativo a participação de representantes da sociedade civil, que eram apenas dez do total de 85 membros.

Gargione, ditatorial e cínico, fez o que ninguém poderia imaginar: extinguiu o Conselho Deliberativo, pôs fim a qualquer interferência da sociedade civil em seu feudo.

Não haverá mais representantes da Prefeitura, da Câmara Municipal, de associações de profissionais liberais, do Inpe, do ITA, de clubes de serviço, nada, ninguém! Em vez de aumentar a representação, ele a reduziu a zero.

Essa audácia inimaginável corresponde a uma bofetada no prefeito, um pontapé no presidente da Câmara e um desafio, se não for um deboche, à representante do Ministério Público.

É como se Gargione dissesse: “Vocês queriam uma modificação dos estatutos? Pois eu os modifiquei, expulsando todos vocês da estrutura da FVE e da Univap. Não existe mais a possibilidade de vocês votarem para a escolha do presidente da mantenedora nem do reitor da universidade. Aqui mando eu!”

Ninguém se iluda. Ele está procurando um jeito de permanecer no cargo em abril de 2012.

Se isso for impossível, elegerá um pau-mandado, que apenas cumpra ordens, ajoelhado aos seus pés. É uma afronta sem precedentes.

E é também uma vergonha, quando se sabe que ele manipula os membros da assembleia, escolhendo-os a dedo.

São votantes amestrados, que morrem de medo dele e aprovam qualquer absurdo que ele proponha,sem coragem para a menor contestação.

Isso não pode ser tolerado. Gargione ultrapassou todos os limites.

O Ministério Público em primeiro lugar, por ser de sua competência a Curadoria de Fundações, mas também a Prefeitura, a Câmara e todas as forças vivas da sociedade civil de São José dos Campos têm

que dar um basta – imediato e definitivo – ao atrevimento desse tirano, que agora atingiu o limiar da insanidade.

Que todos se manifestem em cartas e ofícios endereçados à promotora.

É hora, mais do que nunca, de a população gritar em uníssono, com toda a força da indignação: Fora, Gargione!

Roberto Wagner de Almeida escreve aos domingos no jornal OVALE - - roberto.wagner@ovale.com.br

NR - Depois de tantos anos de desmandos, autoritarismo e graves denuncias a gestão Baptista Gargione na FVE/Univap segue em frente fazendo o que bem entende. Ou seja, o Baptista parece não se importar com nada nem ninguém. Dizem que ele estruturou uma rede de apoio político forte. Falam até em juizes e promotores dando aulas na Univap e recebendo altos salários, será que o Sérgio Bacha e Luiz Baiano, assalariados da Univap, poderiam nos informar se isso é verdade? Por razões obvias, o diretor da faculdade de direito, Aquino, certamente não se pronunciará. A verdade é uma só: esse assunto FVE/Univap tem que ser levado às instâncias superiores através de um pronunciamento na Câmara Federal que ampare os direitos da cidade de São José dos Campos.


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