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  30.07.2010  00h.01  
  Fortalecer o sistema imunológico contra a gripe

Gabriela Mori (*)

 

por IARA BIDERMAN

 

Se não é a umidade baixa, é a temperatura que cai. Nesta época, o que aumenta é o número de vírus em circulação e de internações por doenças respiratórias.

 

Em São Paulo, nos últimos dois anos, essas internações aumentaram, em média, 50% entre maio e agosto, mostra levantamento da Secretária de Estado da Saúde.

 

Quem quer fugir da estatística procura se proteger com medidas que vão de se entupir de vitamina C a limpar constantemente as mãos com gel antisséptico.

 

"Não há comprovação que superdoses de vitamina C evitem a contaminação. Já lavar as mãos é indicado. Mas água e sabão são tão eficazes quanto o gel", diz Ricardo Tardelli, coordenador estadual de Saúde.

 

EFICÁCIA IMUNOLÓGICA - "Não existe isso de criar um supersistema imune. Mas algumas medidas podem favorecer sua eficiência", afirma o imunologista Luiz Vicente Rizzo, do hospital Albert Einstein.

 

Dormir, por exemplo. "Quando dormimos, liberamos substâncias que ativam o sistema de defesas do corpo, como a melatonina", diz Rizzo. Fundamental para a imunidade, a melatonina só é liberada em quantidade na ausência de luz. Assim como precisa de escuridão, o sistema imunológico precisa de luz e sol.

 

Um estudo recente da Unidade de Pesquisa em Imunidade e Prevenção de Doenças, dos EUA, mostrou que pessoas que tomam pouco sol e têm concentração menor de vitamina D estão mais sujeitas a infecções.

Além da vitamina D, os nutrientes da vez são o zinco e a vitamina E.

 

Um estudo feito com 600 idosos de Boston conclui que o consumo diário de 200 UI (unidades internacionais) de vitamina E diminui em 20% o risco de gripes e pneumonia.


No mesmo estudo, publicado no "American Journal of Clinical Nutrition", os pesquisadores constataram que as pessoas com bons níveis de zinco no sangue apresentavam 50% menos chance de ter pneumonia.

 

ESTRESSE - Para Esdras Guerreiro Vasconcellos, diretor do Instituto Paulista de Stress, Psicossomática e Psiconeuroendocrinoimunologia, as reações hormonais desencadeadas pelo estresse são uma das principais causas da chamada "baixa de imunidade".

 

Medidas antiestresse têm mostrado uma ação específica no sistema imunológico.

 

A massagem é uma delas Pesquisas feitas com pessoas em condições de baixa imunidade -adolescentes com Aids, mulheres com câncer de mama e bebês prematuros- mostram que, após sessões de massagem, a quantidade de células de defesa no sangue aumenta.

 

REMÉDIOS - Medicamentos são importantes para controlar infecções por bactérias e diminuir sintomas de viroses. Quando bem indicados. Caso contrário, trabalham contra o sistema imunológico.

 

"Usar antibiótico sem indicação altera o equilíbrio da flora intestinal, facilitando o aparecimento de fungos e infecções", diz Tardelli.

Remédios sintomáticos para gripe também podem atrapalhar. "Eles melhoram sintomas como excesso de coriza. Mas também secam o muco respiratório, o que pode, em tese, interferir nos mecanismos naturais de defesa", pondera Tardelli.

 

A mesma tese se aplica aos antitérmicos. Como o aumento de temperatura corporal é uma forma de o corpo se defender, o ideal é não "abortar" a febre assim que a temperatura começar a subir. "É melhor não usar o remédio se a febre estiver abaixo de 38º", recomenda Tardelli. FOLHA ONLINE

 

(*) Gabriela Esteves Pereira Mori é fisioterapeuta  - gabizinhamori@yahoo.com.br


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