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As
declarações do Professor Marcos Tadeu Tavares Pacheco caíram
como uma bomba sobre a atual gestão da FVE/Univap. O
renomado cientista chefiou o IP&D desde sua criação até
janeiro último, esteve por mais de trinta anos ao lado de
Baptista Gargione Filho, presidente da Fundação Valepraibana
de Ensino e reitor da Universidade do Vale do Paraíba –
Univap. “O foco do Instituto sempre foi as ciências
biomédicas e planejamento urbano, nunca projetar e implantar
sistema de guiagem magnética em ônibus.” Afirmou Marcos
Tadeu.
Quem
assinou e onde os atestados de notório saber e notória
especialização da FVE para projetar e implantar 15 ônibus
com guiagem magnética entre a Estação Dom Pedro II e a
Estação Sacomã, no Expresso Tiradentes, na Capital paulista?
O presidente/reitor? O professor Teixeira Junior? Esse
último diz que o projeto era algo inédito contradizendo a
“notória especialização” alega também ter feito parcerias
com o ITA, USP e Unicamp, confirmando a terceirização dos
serviços, considerada inconstitucional dado o tipo de
contrato.
O mais
pior de tudo -
Como diria o caipira, é o pagamento antecipado por parte da
SPTRans à FVE sem a entrega do contratado. - Segundo o
jornal O Estado de São Paulo, da quinta feira, 08 de julho
de 2004, “A Fundação Valeparaibana de Ensino recebeu R$ 19,2
milhões para o “desenvolvimento, projeto, implantação e
certificação de tecnologia do sistema de guiagem magnética,
do sistema inteligente de gestão dos terminais e paradas do
sistema de monitoramento automático da frota de 15 veículos
no trecho de via compreendido entre a estação de
transferência do parque Dom Pedro II – Terminal Sacomã do
VLP” – Ou seja: á Fundação foi dada a tarefa de cuidar do
funcionamento do Fura Fila, projeto iniciado no governo
Celso Pitta que Marta Suplicy decidiu paralisar de vez,
alegando falta de recursos (sic).”
Onde
estão os milhões recebidos pelo Baptista Gargione?
Ao
tomar conhecimento das notícias envolvendo o mirabolante
contrato com a SPTRans, a Associação Nacional dos Amigos da
Educação entendeu por bem apresentar os fatos novos ao
Conselho Superior do Ministério Público para que sejam
tomadas as medidas cabíveis.
EGREGIO CONSELHO SUPERIOR DO MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO
DE SÃO PAULO
EXMO. SR. CONSELHEIRO SECRETÁRIO DR. LUÍS DANIEL PEREIRA
CINTRA
A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS AMIGOS DA
EDUCAÇÃO, ANAE, CNPJ nº 10.477.755/0001-35, com sede
à rua das Goiabeiras, 120, Jardim Uirá, na cidade de São
José dos Campos, SP, CEP 12.227-560, nas pessoas de seus
representantes legais, abaixo assinados, vem respeitosamente
a presença de V.Exª, com base no artigo 5º XXXIV da
Constituição Federal, Lei 7347/85 – CE nº 484, Resolução nº
015/2007/MP e Ato Normativo nº 484 CPJ, Art. 104 expor e
requerer:
Em 21
de janeiro de
2009,
a Associação Nacional dos Amigos da Educação – ANAE -
recebeu o ofício nº 39/2009 – 7ª PJ – Referência: PPIC onde
a douta Promotora da 7ª Promotoria de Justiça de São José
dos Campos, Dra. Ana Cristina Ioratti Chami, determina o
arquivamento do PPIC nº 200/08 sob a alegação: “Trata-se de
procedimento preparatório com base na representação
constante de fls 04/09 com vistas à averiguação de supostas
irregularidades na condução do “Projeto de Guiagem
Magnética” (fls 12) fruto de parceria entre a Univap, o
SPTrans e o COMPSIS.
Solicitadas informações, houve notícias de diverso
procedimento com igual objeto perante a 16ª Promotoria de
Justiça de São José dos Campos (autos 128/08), cujo
arquivamento teria sido homologado pelo Egrégio Conselho
Superior do Ministério Público (fls 125/127)... – Assim pelo
exposto, esta Promotoria de Justiça, verificando não haver
providências a serem tomadas, determina o Arquivamento do
presente expediente, efetuando-se a intimação dos
representantes e a remessa dos autos ao Egrégio Conselho
Superior do Ministério Público para a necessária homologação
nos termos do artigo 9º e parágrafos da lei 734/85.”
Dos
fatos
- Em 17 de setembro de 2008, a Dra. Cristiane Cardoso Roque,
da 16ª Promotoria de Justiça de São José dos Campos, após
análise do procedimento investigatório nº 128/08: “DESVIO DE
VERBA PÚBLICA – PROJETOS: “ÔNIBUS MAGNÉTICO E FIBRA ÓTICA”
encaminhada pela Terceira Promotoria de Justiça dessa
Comarca em face de GARGIONE, LANDULFO, CARLINHOS DE ALMEIDA,
GILMAR TATO E AMÉLIA NAOMI, noticiando em tese desvio de
verba pública destinadas ao desenvolvimento do projeto de
“ônibus magnético” e “projeto de fibra ótica” desenvolvidos
pela UNIVAP.- achou por bem promover o arquivamento do
presente procedimento, sob a capenga alegação de que não
existiriam nos autos provas suficientes que pudessem
fundamentar a propositura de Ação Civil Pública, por
Improbidade Administrativa, enviando os autos ao egrégio
Conselho Superior do Ministério Público, para análise
daquela decisão, o que, em 06 de janeiro, de 2009, em
reunião, após os trâmites, foi submetido a julgamento que
proporcionou a homologação do arquivamento requerido.
É
público que o Inquérito Civil não é processo administrativo,
mas, sim, mero procedimento; Nele não se criam direitos e
nem se impõem sanções; Nele não se limitam, nem se
restringem, nem se cassam direitos. Em suma, no Inquérito
Civil não se decidem interesses; Não se aplicam penalidades,
serve ele apenas para colher elementos ou informações com o
fim de formar-se a convicção do órgão do Ministério Público
para eventual propositura ou não das ações. No entanto, há
casos de enormes proporções, atingindo a opinião pública com
repercussão nacional.
No
procedimento investigatório a respeito do desvio de verbas
públicas relativo ao projeto para o desenvolvimento dos
Veículos Leves sobre Pneus com Guiagem Magnética, denominado
“ônibus magnético”, a custos milionários, para a São Paulo
Transportes – SPTrans – objetivando a otimização operacional
de corredores de ônibus, limitou-se a digna promotora
pública em aceitar, apenas, as alegações apresentadas pelo
presidente da Fundação Valeparaibana de Ensino e reitor da
Universidade do Vale do PARAÍBA – UNIVAP, Baptista Gargione
Filho, conforme o contido nos autos.
Na
verdade, faltou a digna representante do MP maior cuidado na
apuração dos fatos, uma vez que o referido projeto não foi
colocado em prática, já que os tais ônibus com “guiagem
magnética” não existem, como qualquer cidadão pode
verificar no Expresso Tiradentes, antigo Fura-Fila, na
capital paulista.
Acresce mais que a mídia nacional vem noticiando os fatos
com ênfase desde julho de 2004 (documento 05 - anexo),
mostrando que já naquela época a Fundação Valeparaibana de
Ensino recebera R$ 19,2 milhões para o “desenvolvimento,
projeto, implantação e certificação do sistema de guiagem
magnética, do sistema inteligente de gestão de terminais e
paradas do sistema de monitoramento automático da frota de
15 veículos no trecho de via compreendido entre a estação de
transferência do Parque Dom Pedro II-Terminal Sacomã do VLP”
– Ou seja: à Fundação foi dada a tarefa de cuidar do
funcionamento do Fura-Fila, projeto iniciado no governo
Celso Pitta que Marta Suplicy decidiu paralisar, alegando
falta de recursos (sic)” Fonte: Jornal O Estado de São
Paulo, edição de 08 de julho de 2004.
O
Estado de São Paulo
– Esse jornal, na edição de 24 de abril de 2009, chamou de
capa: “SP pagou e não recebeu ônibus do Fura-Fila” – a
reportagem, de Diego Zanchetta, ocupou as páginas 1 e 3 do
Caderno Cidades relatando detalhes do imbróglio; - De
como a São Paulo Transportes – SPTrans – pagou à Fundação
Valeparaibna de Ensino R$19,2 milhões entre 2003 e 2004 e
que, após seis anos da assinatura do contrato, nenhum
veículo foi entregue.
O
jornal ValeParaibano
- Na terça feira 28 de abril (página 6- primeiro caderno
/documento 07 - anexo) afirma que: Univap terceirizou
desenvolvimento de ônibus – Instituição firmou parcerias com
empresas em projeto para o antigo “Fura-Fila” na capital;
Gestão Kassab quer restituição de verba.” Abaixo um
histórico dos fatos noticiados:
Do
contrato:
O contrato firmado, em julho de 2003, entre a contratante
São Paulo Transportes – SPTrans e a contratada Fundação
Valepraibana de Ensino – FVE- ocorreu sem licitação pública
sob a alegação que a Fundação seria uma instituição com “notório
saber”e “notória especialização” para o
desenvolvimento, projeto, implantação e certificação do
sistema de “guiagem magnética”, do sistema inteligente de
gestão de terminais e paradas do sistema de monitoramento
automático da frota de 15 veículos no trecho de via
compreendido entre a estação de transferência do Parque Dom
Pedro II-Terminal Sacomã do VLP, do então Fura Fila, hoje
denominado Expresso Tiradentes.
Coordenação do projeto
– Inicialmente o projeto dos veículos leves sobre pneus com
“guiagem magnética” - incubado no Instituto de
Pesquisas e Desenvolvimento (IP&D) da FVE/Univap - tinha
como responsável o Professor Landulfo Silveira que afirma
desconhecer o assunto. Luiz Antonio Gargione, filho do
presidente da FVE e reitor da Univap, assinala em seu
currículo Lattes (CNPQ) ser ele o coordenador do mirabolante
projeto. Eis, que, ultimamente, o professor Antonio Teixeira
Junior é apontado como coordenador. Quem seria o verdadeiro
responsável pelo fantástico projeto?
Terceirização
– O
contrato foi feito sem licitação porque os trabalhos nele
previstos, exigiam “notório saber”, “notória
especialização”, e também porque seria realizado por uma
fundação sem finalidade lucrativa que assumiria os serviços,
conforme determina a legislação
em
vigor. Entretanto,
declarações do vice reitor e coordenador do projeto,
professor Antonio Teixeira Junior, vice-reitor da Univap
revelam o contrário: “Sozinha a FVE/Univap não faria esse
projeto. Era um desafio e não tínhamos o pessoal todo, por
isso, formamos parcerias com empresas e instituições como o
ITA, a USP e a UNICAMP”, afirmou o vice-reitor, comprovando
a terceirização.
Recebimento antecipado
– A Fundação Valeparaibana de Ensino recebeu da SPTrans a
quantia de R$ 19,2 milhões para desenvolver e implantar o
sistema inteligente de “guiagem magnética” nos 15
veículos que deveriam circular entre o Terminal Dom Pedro II
e o Terminal Sacomã, do hoje Expresso Tiradentes. Mas,
passados seis anos, nenhum veículo inteligente com
“guiagem magnética” projetado pela Fundação
Valeparaibana de Ensino encontra-se em circulação no
Expresso Tiradentes.
Rescisão contratual
– A não entrega dos veículos inteligentes com “guiagem
magnética” por parte da FVE motivou, em junho do ano
passado, o pedido de rescisão contratual pelo Secretário
Municipal de Transportes da Capital paulista, Dr. Alexandre
de Moraes.
Notório saber e notória especialização
– O Diretor do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento da
FVE/Univap, até janeiro de 2009, Professor Doutor Marcos
Tadeu Tavares Pacheco é categórico: “O IP&D nunca teve
competência para desenvolver um projeto de ônibus
inteligentes com “guiagem magnética” como se
pretendeu incubar, porque o foco das pesquisas do Instituto
é outro, a especialidade dele são as áreas de biomédicas e
planejamento urbano.” - Resta saber quem forneceu os
atestados de notório saber e notória especialização e onde
estão eles.
Perplexidade
– Causa espanto que a FVE, presidida por Baptista Gargione
Filho, tenha recebido da SPTrans a fabulosa quantia de R$
19,2 milhões, em 2003, para executar o projeto dos ônibus
com “guiagem magnética”, sem que nenhuma autoridade tenha
tomado as providências cabíveis.
Ressarcimento -
Com efeito, o Secretário Municipal de Transportes da Capital
de São Paulo afirmou que estuda medidas judiciais visando a
devolução das milionárias quantias pagas à FVE, de São José
dos Campos, devidamente corrigidas por descumprimento
contratual.
Frota
fantasma
– A referida “Frota Fantasma” foi manchete na mídia nacional
atingindo os meios políticos.
Absurdo
– Os fatos envolvendo o “contrato” entre a SPTrans e a
Fundação Valeparaibana de Ensino são inconcebíveis e não
podem passar desapercebidos pelas autoridades,
principalmente pelo Poder Judiciário, cabendo ao Ministério
Público, fiscalizador da lei, tomar as devidas providências
no sentido de responsabilizar criminalmente os envolvidos.
Mesmo porque, nos últimos quatro anos, apesar de um parecer
do Tribunal de Contas Municipal ter apontado ilegalidade na
contratação da Fundação Valeparaibana de Ensino por “notória
especialidade”, o Governo não se pronunciou sobre o assunto.
Diante
do exposto, a Associação Nacional dos Amigos da Educação,
tendo em vista os novos fatos, requer o desarquivamento do
PT, Nº 117.599/08, Nº de Origem 128/08, Comarca de origem:
São José dos Campos, para prosseguimento do referido
inquérito nos termos da Lei. Requer ainda, tendo em vista os
fatos conexos que devem ser apurados, o não arquivamento IC
260/2006 requerido pela 7ª Promotoria de Justiça de São José
dos Campos e junta documentos comprobatórios aos fatos
citados, numerados de
1 a 11
Por se
de Justiça
P/
Deferimento
São
José dos Campos, 1º de Junho de 2009
4Entenda
mais esse escândalo envolvendo a gestão Baptista Gargione
Filho na FVE/Univap
4Mais
denúncias contra a Univap
(*) Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br
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