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  26.02.2010 00h.10  
  Mamografia

Flábia Faria (*)

  A confusão reinou no ano passado depois que a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos modificou suas recomendações sobre o exame de mamografia, sugerindo que a maioria das mulheres inicie exames de rotina aos 50 anos, em vez de 40, e reduza a frequência para cada dois anos, em vez de uma vez por ano.

Algumas mulheres ficaram aliviadas; outras ficaram com raiva e temem que as seguradoras reduzam sua cobertura para esses exames.

Agora, um artigo nos "Anais de Medicina Interna", o jornal que primeiro publicou as novas diretrizes no último mês de novembro, sugere o surgimento de uma divisão entre médicos e pacientes --os médicos mais inclinados a aceitar as novas recomendações e os pacientes querendo manter os exames anuais e mais cedo.

O texto foi baseado em respostas de pacientes, médicos e outros trabalhadores da área de saúde ao pedido do jornal por comentários online sobre as novas diretrizes. A maioria dos 345 médicos que responderam disse que parariam de solicitar mamografias de rotina a mulheres na casa dos 40 anos, e a maioria dos médicos também afirmou que recomendariam que mulheres entre 50 e 74 anos realizassem mamografias apenas a cada dois anos.

Por outro lado, a maioria dos 241 pacientes que responderam disse não acreditar em deixar de lado a mamografia de rotina na casa dos 40 --mesmo se o médico recomendasse essa mudança. A maioria dos pacientes provavelmente não passará a fazer exames a cada dois anos.

"Foi uma surpresa --os pacientes que responderam nossa pesquisa pareciam decididos a continuar a fazer o que já faziam", afirmou Christine Laine, editora dos Anais de Medicina Interna. "Isso me faz pensar que haverá discussões bastante interessantes entre fornecedores de serviços de saúde e mulheres sobre o tema dos exames para detecção do câncer de mama, mas acho que isso está bem no centro do que as recomendações diziam que deveria acontecer --então, isso é bom".

Lori J. Heim, clínica geral de um hospital de Laurinburg, Carolina do Norte, e presidente da American Academy of Family Physicians, disse que já estava tendo essas discussões. Ela citou uma mulher na casa dos 40 anos que tinha feito vários exames de mamografia, cada um deles levando à detecção de um elemento suspeito, uma biópsia, uma espera estressante e, no final, um resultado tranquilizador.

Assim, quando chegou a hora de agendar sua mamografia anual, a mulher consultou vários médicos para pedir aconselhamento.

Heim contou ter dito à paciente: "Você já passou por várias biópsias perfeitamente normais. Com o seu tecido mamário, é difícil que uma mamografia detecte as diferenças entre o que é e o que não é normal. De quantas biópsias mais você precisa?"

"Conversamos sobre as potenciais complicações", continuou Heim. "Isso realmente fez com que ela parasse para pensar" (a paciente decidiu fazer mamografia a cada 3 anos até completar 50 anos).

Até agora, não há indicação de que qualquer seguradora vá reduzir a cobertura dos exames de mamografia, disse Susan Pisano, porta-voz da America's Health Insurance Plans, a associação nacional que representa as seguradoras de saúde. "Meu entendimento é que quando um médico solicita uma mamografia, há cobertura", disse ela.

Tanto ela quanto Laine observaram que as novas diretrizes deixam espaço para decisões individuais. E elas não mudam as recomendações para mamografias precoces e anuais para mulheres com riscos específicos de desenvolver câncer.

"Agora que a poeira baixou, há uma compreensão maior sobre o que a força-tarefa dizia", afirmou Laine. "Não era 'Não faça nunca uma mamografia se você tem 40 anos'. A mensagem é que em faixas etárias mais jovens o equilíbrio entre os riscos e os benefícios não está clara". FOLHA ONLINE

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(*) Flábia Faria é psicóloga - flabiafaria@hotmail.com


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