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A confusão reinou no ano
passado depois que a Força-Tarefa de Serviços Preventivos
dos Estados Unidos modificou suas recomendações sobre o
exame de mamografia, sugerindo que a maioria das mulheres
inicie exames de rotina aos 50 anos, em vez de 40, e reduza
a frequência para cada dois anos, em vez de uma vez por ano.
Algumas mulheres ficaram
aliviadas; outras ficaram com raiva e temem que as
seguradoras reduzam sua cobertura para esses exames.
Agora, um artigo nos "Anais
de Medicina Interna", o jornal que primeiro publicou as
novas diretrizes no último mês de novembro, sugere o
surgimento de uma divisão entre médicos e pacientes --os
médicos mais inclinados a aceitar as novas recomendações e
os pacientes querendo manter os exames anuais e mais cedo.
O texto foi baseado em
respostas de pacientes, médicos e outros trabalhadores da
área de saúde ao pedido do jornal por comentários online
sobre as novas diretrizes. A maioria dos 345 médicos que
responderam disse que parariam de solicitar mamografias de
rotina a mulheres na casa dos 40 anos, e a maioria dos
médicos também afirmou que recomendariam que mulheres entre
50 e 74 anos realizassem mamografias apenas a cada dois
anos.
Por outro lado, a maioria
dos 241 pacientes que responderam disse não acreditar em
deixar de lado a mamografia de rotina na casa dos 40 --mesmo
se o médico recomendasse essa mudança. A maioria dos
pacientes provavelmente não passará a fazer exames a cada
dois anos.
"Foi uma surpresa --os
pacientes que responderam nossa pesquisa pareciam decididos
a continuar a fazer o que já faziam", afirmou Christine
Laine, editora dos Anais de Medicina Interna. "Isso me faz
pensar que haverá discussões bastante interessantes entre
fornecedores de serviços de saúde e mulheres sobre o tema
dos exames para detecção do câncer de mama, mas acho que
isso está bem no centro do que as recomendações diziam que
deveria acontecer --então, isso é bom".
Lori J. Heim, clínica geral
de um hospital de Laurinburg, Carolina do Norte, e
presidente da American Academy of Family Physicians, disse
que já estava tendo essas discussões. Ela citou uma mulher
na casa dos 40 anos que tinha feito vários exames de
mamografia, cada um deles levando à detecção de um elemento
suspeito, uma biópsia, uma espera estressante e, no final,
um resultado tranquilizador.
Assim, quando chegou a hora
de agendar sua mamografia anual, a mulher consultou vários
médicos para pedir aconselhamento.
Heim contou ter dito à
paciente: "Você já passou por várias biópsias perfeitamente
normais. Com o seu tecido mamário, é difícil que uma
mamografia detecte as diferenças entre o que é e o que não é
normal. De quantas biópsias mais você precisa?"
"Conversamos sobre as
potenciais complicações", continuou Heim. "Isso realmente
fez com que ela parasse para pensar" (a paciente decidiu
fazer mamografia a cada 3 anos até completar 50 anos).
Até agora, não há indicação
de que qualquer seguradora vá reduzir a cobertura dos exames
de mamografia, disse Susan Pisano, porta-voz da America's
Health Insurance Plans, a associação nacional que representa
as seguradoras de saúde. "Meu entendimento é que quando um
médico solicita uma mamografia, há cobertura", disse ela.
Tanto ela quanto Laine
observaram que as novas diretrizes deixam espaço para
decisões individuais. E elas não mudam as recomendações para
mamografias precoces e anuais para mulheres com riscos
específicos de desenvolver câncer.
"Agora que a poeira baixou,
há uma compreensão maior sobre o que a força-tarefa dizia",
afirmou Laine. "Não era 'Não faça nunca uma mamografia se
você tem 40 anos'. A mensagem é que em faixas etárias mais
jovens o equilíbrio entre os riscos e os benefícios não está
clara".
FOLHA ONLINE
4Mulheres
resistem a ressonância para avaliar mama
(*)
Flábia Faria
é psicóloga
- flabiafaria@hotmail.com |