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No último
dia 22, conversamos com o fisioterapeuta Lucaz Gonçalves
Meleiro Lopes, 29, filho de um funcionário aposentado da
General Motors e de uma cabeleireira que moram em Jacareí,
onde Lucaz estudou até o colegial. Em 2000, formou-se em
Fisioterapia pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), trabalhou na UNIVAP, saiu magoado e tem várias queixas da
Instituição.

Depois
de formado o que fez?
Lucaz G. Meleiro Lopes - Entrei num aprimoramento, a
Fisioterapia em UTI, na Escola Paulista de Medicina, no
Hospital São Paulo, na Capital. Em seguida, comecei a
trabalhar com atendimento domiciliar, o Home Care,
pela Vale Internações Domiciliares, de São José dos Campos.
O que
é Home Care?
– É um atendimento personalizado à domicílio, os pacientes
são retirados dos hospitais e levados para suas casas onde
são atendidos. Trabalho com isso em São José dos
Campos.
Porque
foi trabalhar na UNIVAP?
- Eu conheci a Professora Regiane Albertini que trabalhava
lá,- quando ela cobriu umas férias minhas na Home Care
gostou do meu serviço e me convidou para dar aulas de
Supervisão de Estágio, na UNIVAP.
Foi
contratado por quem?
– Pelo Professor
Rodrigo Álvaro Brandão Lopes Martins,
o coordenador do curso de
Fisioterapia. Comecei em agosto de 2001, com a referência 4,
R$ 1.200,00 de salário, no ano seguinte dava aulas e atendia
o Home Care, mas, em 2002 começaram as pressões...
Que
tipo de pressões?
– Comecei a escutar que os professores teriam que fazer
mestrado na UNIVAP, caso contrário seriam demitidos. Eram
comentários em cima de comentários: “É preciso fazer
mestrado, senão vêm as cartinhas de demissão...” Aí fui
me sentindo pressionado, entrei para fazer mestrado, em
2002, até me deram uma bolsa de estudos.
Como
assim?
– Eu recebia o salário e mais a bolsa para estudar que
considerava como complemento salarial, totalizando em torno
de R$ 1.800,00.
Como
foi o esquema do mestrado?
– A princípio o Professor Rodrigo me ajudou muito, me chamou
e disse que poderia ser o meu orientador. Comecei a cumprir
os meus créditos e em 2003 já tinha cumprido a maioria e
feito a prova de Pro Eficiência, todavia, quando menos esperava fui
demitido.
E
como foi a sua demissão?
– No final de 2003, saiu uma lista de demissão com vários
professores da UNIVAP, que receberam uma carta de demissão,
como não havia recebido, me senti tranqüilo. Porém, no dia
11 de dezembro, com os professores demitidos já cumprindo
aviso prévio, durante a realização de uma banca de trabalho
de graduação da aluna Melina, onde eu era orientador, a
Raquel, secretária da Educação Física, me avisou que havia
um telefonema para mim do departamento pessoal.
Atendi e
o Maurício informou que eu estava sendo demitido naquele
momento; que precisava passar por lá para assinar os
documentos. Para mim foi um baque assustador; justamente no
meio do meu mestrado; no meio do trabalho de graduação da
aluna. Foi um momento muito triste, várias pessoas não
agüentaram e choraram, um constrangimento geral.
Tudo,
certamente, por ordem do próprio reitor?
– Com certeza, acho que o motivo principal foi a minha
amizade com o Professor Rodrigo que já vinha sendo
perseguido. Fui mandado embora e alem disso cortaram a minha
bolsa de estudo e fui obrigado a trancar a matrícula em
2004.
E daí,
o que aconteceu com você?
– Arrumei um emprego na Santa Casa de São José dos Campos,
surgindo depois uma oportunidade de ir para o exterior que não
pude aceitar, pois, precisava do curso de mestrado que estava
praticamente concluído, mas não tinha o diploma. Em 2006
procurei a UNIVAP para reabrir a minha matrícula no mestrado
e a coordenadora do curso, a Professora Cristina, não quis
reabrir a minha matrícula, alegando que poderia voltar a
fazer o mestrado desde que mudasse de orientador, já que o meu
não era mais bem vindo na UNIVAP.
Nesse
caso o Professor Rodrigo?
– Isso mesmo, fui conversar e, para não me prejudicar, ele
achou melhor mudar de orientador, mesmo com o trabalho
feito. Conversei com a Cristina e ela não me deixou reabrir
a matrícula, exigindo uma nova abertura com um novo número,-
acredito que foi para eliminar o vínculo com a bolsa de
estudos que eu tinha. Tive que pagar a matrícula de R$
680,00 e ainda por cima me obrigou a fazer a disciplina
dela, Ciências Biológicas, durante seis meses, para depois
defender o mestrado.
E como
foi a defesa de mestrado?
– Eu estava me programando, marcando a defesa para janeiro,
entretanto, no dia 15 de dezembro, fui comunicado que teria
que defender a tese até o dia 22 daquele mês,
impreterivelmente. Foi uma correria danada para conseguir os
professores e constituir a banca. Fui até o Professor
Rodrigo e consegui montar uma banca externa, uma interna e o
orientador. Dessa maneira conturbada, defendi tese e
consegui o mestrado.
E
pegou o diploma de mestrado?
– Não! Sempre que ligo
para a UNIVAP eles alegam que não está pronto; que não foi
confeccionado. Já faz um ano, até já paguei o diploma que
custou R$ 140,00, em janeiro.
De
quem seria a responsabilidade, do próprio reitor?
– Aí não sei,- certamente que sim. Presumo que o diploma
seria
assinado pela coordenadora do curso, no caso a Cristina,
pelo reitor Baptista Gargione e pelo Marcos Tadeu que é o
diretor do IPD. Hoje, dia 22 de dezembro, está completando
um ano que defendi tese e nada do diploma.
O que
você acha da Universidade?
– Quando da implantação de um curso eles investem, mas logo
em seguida demitem os professores titulares graduados e
colocam recém formados. A UNIVAP tem um potencial muito
grande, inclusive para ser uma das melhores do Brasil, graças
ao espaço físico e equipamentos. Infelizmente não investe no
mais importante que é o material humano, principalmente nos
professores,pois está mal dirigida.
E
sobre o clima de terror?
– É complicado, há muita pressão, terrorismo mesmo, ninguém
suporta. Qualquer professor da UNIVAP se sente ameaçado no
final do ano, isso eu presenciei.
No
fim, você se acha prejudicado pela UNIVAP?
– Com certeza, estou consultando um advogado e vamos ver que
providências poderão ser tomadas.
Fale
com o professor Lucaz :
lucazmeleiro@bol.com.br
NR-
Tentamos por diversas vezes contato com o reitor da UNIVAP,
Batista Gargione Filho, para que se posicionasse em relação as
denúncias a ele dirigidas. Apesar da insistência, o reitor
não nos atendeu.
A
Faculdade de Direito de São José dos Campos
Antigamente, estudar advocacia era muito difícil, exigia
sacrifícios e muitos gastos, o pessoal de São José dos
Campos e do Vale do Paraíba tinha que se deslocar à São
Paulo ou ao Rio de Janeiro. Foi pensando nisso que alguns
abnegados, liderados por Jamil Matar de Oliveira, entre eles
o professor Domingos de Macedo Custódio, Ulisses Bueno de
Miranda e Eduardo de Campos Maia Neto decidiram enfrentar
uma dura empreitada: trazer para São José dos Campos uma
Faculdade de Direito, e conseguiram, no início dos anos 50,
através de uma autorização provisória conseguida por Jamil
Matar de Oliveira junto à Alzira Vargas, filha do então
presidente da república, Getúlio Dornelles Vargas.
A duras
penas, os idealistas foram construindo um prédio na praça
Almirante Barroso, hoje Cândido Dias Castejon, onde a
faculdade começou a funcionar tendo entre os alunos o
próprio Jamil Matar de Oliveira.
Daí para
frente, outros cursos foram aprovados e começaram a
funcionar no que se chamou Instituto Valeparaibano de
Ensino. Mais tarde, nasceu a Fundação Valeparaibana de
Ensino, presidida no começo por Jamil Matar de Oliveira,
depois Clemente Gomes, José de Carvalho Florense,
Clélio Marcondes e Baptista Gargione Filho, que permanece
presidente e reitor, apesar das contundentes denúncias de
vários professores doutores já encaminhadas ao Ministério
Público e a Justiça.
A
Universidade do Vale do Paraíba, UNIVAP, é mantida pela
Fundação Valeparaibana de Ensino, inicialmente uma Entidade
Pública sem finalidade lucrativa, segundo os Estatutos,
administrada por um “Conselho Diretor composto por sete
membros que, entre si, escolherão o presidente, dois vice
presidentes e um secretário.” Rezava o artigo sétimo: “Os
diretores nada receberão a título de remuneração por seu
trabalho.”
Oficialização
A
Escritura de Instituição, Dotação de Fundos e Organização,
foi assinada no dia 24 de agosto de 1963, no Cartório de
Títulos e Documentos de São José dos Campos, por Hélio de
Melo Almada, João Del Nero, Hélio de Miranda Guimarães,
Eduardo de Campos Maia Neto, José Cretela Júnior, Arnaldo
Ferreira, Alberto Gentil de Almeida Pedroso Filho, Antonio
Delorenzo Neto e Jamil Matar de Oliveira que aceitaram o
encargo de diretores. Na mesma ocasião, foram aprovados os
estatutos da Entidade, sendo testemunhas os
senhores Xenofonte Strabão de Castro e Francisco José de
Castro Pimentel.
Jamil
Matar de Oliveira
Mantivemos contato com o advogado Jamil Matar de Oliveira
que reside na Capital para uma entrevista que revelará
detalhes históricos da UNIVAP.
Mais
reclamações:
“Sou
estudante da Univap. Curso engenharia e o professor Élcio
Nogueira foi meu professor no segundo semestre de 2006. Não
só ele, como outros professores de muita competência em sua
profissão, nos relataram casos realizados pela reitoria de
causar revolta. O professor Élcio está mais do que correto
em denunciá-los, pois é um profissional excepcional e
honesto.
Infelizmente, a direção da Univap demitiu nessa ocasião
verdadeiros mestres, fazendo com que caísse o nível de
ensino, e perdêssemos professores com muito
conhecimento e didática.”
Danielle Lourenço, São José
dos Campos, 25.12.07 -
www.valeparaibano.com.br
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(*) Acassio Costa é advogado
-
acassio@vejosaojose.com.br |