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  28.12.2007 10h.30  
  Fisioterapeuta quer diploma
“Não consigo pegar o diploma de mestrado, sempre que ligo para a UNIVAP eles alegam que não está pronto, que não foi confeccionado, já faz um ano, até já paguei o diploma que custou R$ 140,00 em janeiro.”

Acassio Costa (*)

 

No último dia 22, conversamos com o fisioterapeuta Lucaz Gonçalves Meleiro Lopes, 29, filho de um funcionário aposentado da General Motors e de uma cabeleireira que moram em Jacareí, onde Lucaz estudou até o colegial. Em 2000, formou-se em Fisioterapia pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), trabalhou na UNIVAP, saiu magoado e tem várias queixas da Instituição.

Lucaz Gonçalves Meleiro Lopes - Foto: Ricardo Faria

 

Depois de formado o que fez?                          Lucaz G. Meleiro Lopes - Entrei num aprimoramento, a Fisioterapia em UTI, na Escola Paulista de Medicina, no Hospital São Paulo, na Capital. Em seguida, comecei a trabalhar com atendimento domiciliar, o Home Care, pela Vale Internações Domiciliares, de São José dos Campos.

O que é Home Care?                                                                    – É um atendimento personalizado à domicílio, os pacientes são retirados dos hospitais e levados para suas casas onde são atendidos. Trabalho com  isso em São José dos Campos.

Porque foi trabalhar na UNIVAP?                                                   - Eu conheci a Professora Regiane Albertini que trabalhava lá,- quando ela cobriu umas férias minhas na Home Care gostou do meu serviço e me convidou para dar aulas de Supervisão de Estágio, na UNIVAP.

Foi contratado por quem?                                                            – Pelo Professor Rodrigo Álvaro Brandão Lopes Martins, o coordenador do curso de Fisioterapia. Comecei em agosto de 2001, com a referência 4, R$ 1.200,00 de salário, no ano seguinte dava aulas e atendia o Home Care, mas, em 2002 começaram as pressões...

Que tipo de pressões?                                                                  – Comecei a escutar que os professores teriam que fazer mestrado na UNIVAP, caso contrário seriam demitidos. Eram comentários em cima de comentários: “É preciso fazer mestrado, senão vêm as cartinhas de demissão...” Aí fui me sentindo pressionado, entrei para fazer mestrado, em 2002, até me deram uma bolsa de estudos.

Como assim?                                                                              – Eu recebia o salário e mais a bolsa para estudar que considerava como complemento salarial, totalizando em torno de R$ 1.800,00.

Como foi o esquema do mestrado?                                                  – A princípio o Professor Rodrigo me ajudou muito, me chamou e disse que poderia ser o meu orientador. Comecei a cumprir os meus créditos e  em 2003 já tinha cumprido a maioria e feito a prova de Pro Eficiência,  todavia, quando menos esperava fui demitido.

Lucaz Gonçalves Meleiro Lopes - Foto Ricardo FariaE como foi a sua demissão?                                   – No final de 2003, saiu uma lista de demissão com vários professores da UNIVAP, que receberam uma carta de demissão, como não havia recebido, me senti tranqüilo. Porém, no dia 11 de dezembro, com os professores demitidos já cumprindo aviso prévio, durante a realização de uma banca de trabalho de graduação da aluna Melina, onde eu era orientador, a Raquel, secretária da Educação Física, me avisou que havia um telefonema para mim do departamento pessoal.

Atendi e o Maurício informou que eu estava sendo demitido naquele momento; que precisava passar por lá para assinar os documentos. Para mim foi um baque assustador; justamente no meio do meu mestrado; no meio do trabalho de graduação da aluna. Foi um momento muito triste, várias pessoas não agüentaram e choraram, um constrangimento geral.

Tudo, certamente, por ordem do próprio reitor?                             – Com certeza, acho que o motivo principal foi a minha amizade com o Professor Rodrigo que já vinha sendo perseguido. Fui mandado embora e alem disso cortaram a minha bolsa de estudo e fui obrigado a trancar a matrícula em 2004.

E daí, o que aconteceu com você?                                                 – Arrumei um emprego na Santa Casa de São José dos Campos, surgindo depois uma oportunidade de ir para o exterior que não pude aceitar, pois, precisava do curso de mestrado que estava praticamente concluído, mas não tinha o diploma. Em 2006 procurei a UNIVAP para reabrir a minha matrícula no mestrado e a coordenadora do curso, a Professora Cristina, não quis reabrir a minha matrícula, alegando que poderia voltar a fazer o mestrado desde que mudasse de orientador, já que o meu não era mais bem vindo na UNIVAP.

Nesse caso o Professor Rodrigo?                                                   – Isso mesmo, fui conversar e, para não me prejudicar, ele achou melhor mudar de orientador, mesmo com o trabalho feito. Conversei com a Cristina e ela não me deixou reabrir a matrícula, exigindo uma nova abertura com um novo número,- acredito que foi para eliminar o vínculo com a bolsa de estudos que eu tinha. Tive que pagar a matrícula de R$ 680,00 e ainda por cima me obrigou a fazer a disciplina dela, Ciências Biológicas, durante seis meses, para depois defender o mestrado.

E como foi a defesa de mestrado?                                                 – Eu estava me programando, marcando a defesa para janeiro, entretanto, no dia 15 de dezembro, fui comunicado que teria que defender a tese até o dia 22 daquele mês, impreterivelmente. Foi uma correria danada para conseguir os professores e constituir a banca. Fui até o Professor Rodrigo e consegui montar uma banca externa, uma interna e o orientador. Dessa maneira conturbada, defendi tese e consegui o mestrado.

E pegou o diploma de mestrado?                                                  –  Não! Sempre que ligo para a UNIVAP eles alegam que não está pronto; que não foi confeccionado. Já faz um ano, até já paguei o diploma que custou R$ 140,00, em janeiro.

De quem seria a responsabilidade, do próprio reitor?                      – Aí não sei,- certamente que sim. Presumo que o diploma seria assinado pela coordenadora do curso, no caso a Cristina, pelo reitor Baptista Gargione e pelo Marcos Tadeu que é o diretor do IPD. Hoje, dia 22 de dezembro, está completando um ano que defendi tese e nada do diploma.

O que você acha da Universidade?                                                – Quando da implantação de um curso eles investem, mas logo em seguida demitem os professores titulares graduados e colocam recém formados. A UNIVAP tem um potencial muito grande, inclusive para ser uma das melhores do Brasil, graças ao espaço físico e equipamentos. Infelizmente não investe no mais importante que é o material humano, principalmente nos professores,pois está mal dirigida.

E sobre o clima de terror?                                                             – É complicado, há muita pressão, terrorismo mesmo, ninguém suporta. Qualquer professor da UNIVAP se sente ameaçado no final do ano, isso eu presenciei.

No fim, você se acha prejudicado pela UNIVAP?                             – Com certeza, estou consultando um advogado e vamos ver que providências poderão ser tomadas.

Fale com o professor Lucaz : lucazmeleiro@bol.com.br

NR- Tentamos por diversas vezes contato com o reitor da UNIVAP, Batista Gargione Filho, para que se posicionasse em relação as denúncias a ele dirigidas. Apesar da insistência, o reitor não nos atendeu.

A Faculdade de Direito de São José dos Campos

Antigamente, estudar advocacia era muito difícil, exigia sacrifícios e muitos gastos, o pessoal de São José dos Campos e do Vale do Paraíba tinha que se deslocar à São Paulo ou ao Rio de Janeiro. Foi pensando nisso que alguns abnegados, liderados por Jamil Matar de Oliveira, entre eles o professor Domingos de Macedo Custódio, Ulisses Bueno de Miranda e Eduardo de Campos Maia Neto decidiram enfrentar uma dura empreitada: trazer para São José dos Campos uma Faculdade de Direito, e conseguiram, no início dos anos 50, através de uma autorização provisória conseguida por Jamil Matar de Oliveira junto à Alzira Vargas, filha do então presidente da república, Getúlio Dornelles Vargas.

A duras penas, os idealistas foram construindo um prédio na praça Almirante Barroso, hoje Cândido Dias Castejon, onde a faculdade começou a funcionar tendo entre os alunos o próprio Jamil Matar de Oliveira.

Daí para frente, outros cursos foram aprovados e começaram a funcionar no que se chamou Instituto Valeparaibano de Ensino. Mais tarde, nasceu a Fundação Valeparaibana de Ensino, presidida no começo por Jamil Matar de Oliveira, depois Clemente Gomes, José de Carvalho Florense, Clélio Marcondes e Baptista Gargione Filho, que permanece presidente e reitor, apesar das contundentes denúncias de vários professores doutores já encaminhadas ao Ministério Público e a Justiça.

A Universidade do Vale do Paraíba, UNIVAP, é mantida pela Fundação Valeparaibana de Ensino, inicialmente uma Entidade Pública sem finalidade lucrativa, segundo os Estatutos, administrada por um “Conselho Diretor composto por sete membros que, entre si, escolherão o presidente, dois vice presidentes e um secretário.” Rezava o artigo sétimo: “Os diretores nada receberão a título de remuneração por seu trabalho.”

Oficialização

A Escritura de Instituição, Dotação de Fundos e Organização, foi assinada no dia 24 de agosto de 1963, no Cartório de Títulos e Documentos de São José dos Campos, por Hélio de Melo Almada, João Del Nero, Hélio de Miranda Guimarães, Eduardo de Campos Maia Neto, José Cretela Júnior, Arnaldo Ferreira, Alberto Gentil de Almeida Pedroso Filho, Antonio Delorenzo Neto e Jamil Matar de Oliveira que aceitaram o encargo de diretores. Na mesma ocasião, foram aprovados os estatutos da Entidade, sendo testemunhas os senhores Xenofonte Strabão de Castro e Francisco José de Castro Pimentel.

Jamil Matar de Oliveira

Mantivemos contato com o advogado Jamil Matar de Oliveira que reside na Capital para uma entrevista que revelará detalhes históricos da UNIVAP.

Mais reclamações:

“Sou estudante da Univap. Curso engenharia e o professor Élcio Nogueira foi meu professor no segundo semestre de 2006. Não só ele, como outros professores de muita competência em sua profissão, nos relataram casos realizados pela reitoria de causar revolta. O professor Élcio está mais do que correto em denunciá-los, pois é um profissional excepcional e honesto. Infelizmente, a direção da Univap demitiu nessa ocasião verdadeiros mestres, fazendo com que caísse o nível de ensino, e perdêssemos professores com muito conhecimento e didática.” Danielle Lourenço, São José dos Campos,  25.12.07  - www.valeparaibano.com.br

Saiba mais: Gargione de novo - Darwin Bassi denuncia Garione - Univap para inglês ver - Pro reitor aciona Univap - Doutora é demitida da UNIVAP - Mec Avalia Univap - Perseguição na UNIVAP

(*) Acassio Costa é advogado - acassio@vejosaojose.com.br


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