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Há
quinze dias, o radialista João Carlos Alckmin (foto) recebeu
um telefonema anônimo denunciando a existência de milhares
de fichas do Deops, do tempo da ditadura militar de 1964,
no Palácio da Polícia de Santos, SP.
Segundo
João Alckmim, “Trata-se do
prédio do Deinter 6, cujo diretor é o delegado Waldomiro
Bueno Filho que nos anos 70 trabalhou no DOI-Codi e foi um
dos acusados da morte do jornalista
Wladimir Herzog, em 25 de outubro
de 1975. As fichas estão no segundo andar, numa sala
ao lado da dele”
- “Fiz um comunicado ao
conselheiro da Ordem dos Advogados, Dr. Arley Rodrigues, que
o encaminhou à Comissão dos Direitos Humanos. Também
comuniquei os fatos ao jornalista Mario Cesar Carvalho, da
Folha de São Paulo. Ele foi à Santos, localizou a sala,
encontrou as fichas de Mário Covas, Fernando Henrique
Cardoso, Chico Buarque de Holanda,
Carlos
Marighella,
sindicalistas, artistas, jornalistas e até de políticos da
antiga Aliança Renovadora Nacional – Arena – que davam
sustentação ao governo militar. A matéria deve ser publicada
nesta sexta feira.”
Será
que o delegado Bueno Filho e o próprio Secretário Estadual
de Segurança Pública de São Paulo desconheciam os fatos?
– É bastante improvável, nesse caso são incompetentes “olhos
de vidro”. Não é possível que o Secretário de Segurança e o
Diretor do Deinter 6 ignorassem a existência dos arquivos,
numa sala lotada de fichas de baixo em cima, ao lado da sala
do diretor. Pelo que sei, a ordem para liberar os arquivos
partiu diretamente do governador José Serra.
Qual
será o destino dessas fichas?
– Elas fazem parte
do Arquivo Nacional, da nossa História, devem ser
encaminhadas à Universidade de São Paulo."
O
radialista promete comentar o assunto em seu programa
ShowTime, nesse sábado, das 10 às 12 horas - pela
Rádio Piratininga 750 AM
Abominável - Na
opinião do advogado Acassio de Oliveira Costa, "Encontrar
milhares de fichas do Deops, do tempo da ditadura militar de 64, no
Palácio da Polícia de Santos é inacreditável, abominável; -
Os envolvidos precisam ser denunciados à Justiça e punidos.
A ditadura militar de 1964
promoveu a castração política da população brasileira. A
educação decaiu, a distância entre os pobres e os ricos se
elevou.
Durante este período negro
de nossa história, os militares mandaram no país pela força
das armas! Enriqueceram às custas do povo, o golpe de 64 era
esperado por eles desde que voltaram da Itália.
O governo americano ajudou
a derrubar a nossa democracia já nos anos Kennedy. O bate
panelas orquestrado pela Liga das Senhoras Católicas ajudou
a difundir a mentira de que o Brasil seria entregue aos
comunistas, algo ainda propalado pela ridícula TFP. A nossa
democracia desfez-se com um sopro e refez-se a muito brado.
É preciso mantê-la a qualquer custo."
Waldomiro Bueno Filho
investigador
remanescente da guarda civil - hoje Diretor do Deinter-6,
sempre afirmou jamais ter colocado os pés no aparelho da
repressão, embora fosse lotado no DOPS e tenha trabalhado
com Fleury.
FLIT PARALISANTE
História
da resistência – Entre 1924 e 1983, período
que abrange duas ditaduras, o Departamento Estadual de Ordem
Política e Social do Estado de São Paulo (Deops) vigiou e
reprimiu movimentos políticos e sociais. Os arquivos do
órgão, cujos prontuários reúnem 184 mil fichas policiais,
podem agora ser acessados no novo site do Projeto Integrado
Arquivo Público do Estado e Universidade de São Paulo (Proin),
lançado no sábado (24/1/2009).
Além do lançamento do site,
no sábado também ocorreu a reinauguração do Memorial da
Resistência de São Paulo, localizado no antigo prédio do
Deops, no Largo General Osório, onde hoje funciona a Estação
Pinacoteca.
De acordo com a
coordenadora do Proin, Maria Luiza Tucci Carneiro,
professora do Departamento de História da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade
de São Paulo (USP), o site facilitará as atividades de
pesquisa nos arquivos, que têm importância histórica
incalculável.
ECO DEBATE
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