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26.05.2006 00h.12
Expansão da Revap
“Eu
não sei o que é pior, maldita hora que tomei a pílula da
verdade, maldita hora em que me tornei um “diferente”.
Férrez

Ricardo Faria
(*)
O
jornal ValeParaibano de 24.05.06 publicou que “O presidente
da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, assinou em
Nova York, nos Estados Unidos, o contrato de financiamento
das obras de modernização da Revap (Refinaria Henrique Lage),
no valor de até US$ 900 milhões, com um conglomerado de
bancos japoneses liderado pelo Japan Bank for International
Cooperation. A contrapartida ao financiamento foi a
contratação da japonesa Toyo Engineering Corporation para
assumir as obras com as brasileiras OAS e Setal. O contrato
com as empresas também foi assinado e prevê 80% de
nacionalização no fornecimento de bens e serviços.”
Conforme o mesmo jornal, “A regional de Taubaté da Cetesb
(Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) liberou o
número da licença que será concedida à Revap para as obras
de expansão da refinaria. A Petrobrás informou que:
“investirá US$ 800 milhões no projeto de modernização da
Revap, que deve gerar um aumento de 15% na arrecadação de
ICMS. A modernização visa a redução do teor de enxofre da
gasolina e do diesel em até 40 vezes até 2009. No caso da
gasolina dos atuais 1.000 ppm para 50 ppm, e do diesel, de
2.000 ppm para 50 ppm. O programa de modernização também
visa a conversão de 80% da atual produção de óleo
combustível da refinaria em produtos mais nobres como
gasolina, gás de cozinha, diesel, nafta e querosene de
aviação, entre outros.”
Projeto terá compensação ambiental
“A
liberação da licença de instalação para as obras de
modernização da Revap, em São José dos Campos, também deverá
dar início à mobilização para a criação de um parque
ecológico no Banhado. O projeto do parque terá uma verba de
R$ 8,8 milhões a ser repassada pela Secretaria de Estado do
Meio Ambiente. Os recursos serão pagos pela Petrobras ao
Estado a título de compensação ambiental para as obras de
modernização que serão executadas ao longo dos próximos
quatro anos. A secretaria também aprovou um investimento de
R$ 1,1 milhão no Horto Florestal (Reserva Ecológica Augusto
Ruschi), localizado no bairro do Costinha, na zona norte. O
projeto de criação do parque virou polêmica depois que o
Estado condicionou a liberação dos recursos à remoção das
386 famílias que moram na favela do Jardim Nova Esperança
(Favela do Banhado).
Em
resumo:
O
projeto de modernização terá Investimentos US$ 800 milhões,
com início previsto para 2006 e término em 2009. Empregos
temporários: 10 mil. Objetivos: Reduzir as taxas de enxofre
da gasolina e diesel e converter 80% da produção de óleo
diesel em gasolina, gás de cozinha, diesel e gasolina de
aviação, entre outros”
www.valeparaibano.com.br
Nessas
alturas
Com o
xaveco acima martelado diariamente nas cabeças das pessoas
pelas rádios, televisões e até pelos jornalecos de bairro, o
cidadão imaginará que está tudo certo no projeto de expansão
da Revap, em São José dos Campos. Na tentativa de
convencimento da população, a máquina pública instalou uma
espécie de rolo compressor na mídia local com o dinheiro do
contribuinte (falam em mais de trezentos mil reais mensais
só da prefeitura). E nenhum radialista ou jornalista se
posiciona contra, mesmo conhecendo os males que a poluidora
Petrobrás tem causado à saúde da população, em particular
aos moradores do entorno da refinaria.
São
José dos Campos só tem cara e fama de cidade grande e rica.
No fundo, não passa de um lugarejo interiorano comandado
pela especulação imobiliária com os “comunicadores” morrendo
de medo de perder os empreguinhos nas duas ou três rádios
com audiência e um único jornal que se diz regional.
Boa parte
dos vereadores não consegue escrever meia dúzia de linhas
sem um monte de erros. Escuta-los, então, é uma calamidade
do tipo: “nóis sabe mais nóis num fala dos pobrema”. A
maioria povo, sem cultura e educação, é presa fácil dos
abutres da política a serviço de meia dúzia de “empresários”
pés de chinelo que, por sua vez, atendem aos interesses que
não são os da cidade, batendo na mesma tecla do "mais
dinheiro e mais empregos" para os miseráveis joseenses. É
desnecessário dizer que as “cabeças pensantes” da indústria
tecnológica e do ensino calam-se em defesa da própria
pequenez.
Nenhuma
voz se alevanta. Nem mesmo para questionar um melhor estudo
da situação antes que a expansão da Revap se concretize. Só
se fala em dinheiro, empregos, progresso... Um repeteco
safado do canto da sereia, do final dos anos sessenta,
orquestrado pelo ex-prefeito Sérgio Sobral transformado em
surto psicótico progressista que poluiu o nosso ar, a nossa
água arrebentando a nossa qualidade de vida. Ou alguém pode
desmentir que a nossa poluição chega à Guaratinguetá, sobe à
Campos do Jordão e invade a Capital do Estado? O “progresso”
dos anos setenta apenas serviu para aumentar os ganhos dos
políticos, “empresários” e “comunicadores” alguns deles
velhos conhecidos que continuam por aqui.
Hoje,
uma pergunta puramente ética não quer calar: quem será
responsabilizado em caso de mais um acidente na Revap, agora
em maiores proporções e um monte de vítimas, já que a
refinaria está circundada por perto de cem mil pessoas? O
prefeito Eduardo Cury, a Secretária Municipal de Saúde,
Marina de Fátima Oliveira, a Dra. Rosana Gravínea que
responde pela Saúde Estadual ou o veterinário Marco Antonio,
da Vigilância Sanitária? Quem sabe algum vereador da Câmara
Municipal, o presidente da OAB, da Associação Comercial, do
Sindicato dos Têxteis, da Associação dos Engenheiros, do
Lions Clube, do Rotary, alguém do INPE ou do CTA?
No
emaranhado das associações de bairro e classistas,
sindicatos patronais e de trabalhadores, algumas ongs
projetistas que se afirmam educativas como a ValeVerde e
Bola de Meia recebem patrocínio das poluidores Petrobrás e
da Cognis Brasil Ltda. Fica difícil acreditar que tais
entidades possam transmitir a verdade sobre a poluição nas
escolas joseenses. Ou será que esclarecem de onde vem boa
parte do seu dinheiro? O quanto? Somente os diretores sabem.
Denúncia
Em
face da gravidade do momento, e extremamente preocupados com
a poluição e a piora da qualidade de vida no município de
São José dos Campos, resolvemos denunciar alguns fatos que
envolvem a expansão da Revap ao senhor João de Toledo
Cabral, presidente do Grupo Consciência Ecológica, à
Promotoria Estadual do Meio Ambiente, ao Procurador da
República, Dr. Ângelo Costa, à Ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva, ao jornalista Helio Fernandes e ao jornalista
Pedro Porfírio, do jornal Tribuna da Imprensa, do Rio de
Janeiro;
Como concordar com essa expansão industrial se:
1-
São José dos Campos nem mesmo tem um Plano Diretor que
acolha o projeto de expansão da Revap, na Zona Leste do
município, hoje com mais de 100 mil habitantes;
2-
Após inúmeras tentativas, continuam sendo negados os exames
pneumo-toxicológicos dos moradores do entorno da refinaria
por parte da saúde municipal, estadual e federal;
3- O
requerimento número 3.263, do vereador Tonhão Dutra (PT),
solicitando a realização dos citados exames pela Petrobrás,
pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria de Saúde
Municipal, pela Secretaria Estadual da Saúde com ciência ao
Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária, ao Ministério Público
Estadual e ao Ministério Público Federal foi rejeitado no
último dia 23 de maio, pela maioria dos vereadores da Câmara
Municipal da bancada da situação. Uma demonstração clara que
também o chefe do executivo não tem interesse na realização
dos exames. Uma moradora do bairro Vista Verde, Benedita
Dias Chaves, que adoeceu em razão da poluição da Revap
também foi citada no requerimento do vereador e também
outras autoridades, inclusive o presidente da república,
Luiz Inácio Lula da Silva;
4-
Inúmeros moradores das redondezas da Revap, inclusive da
Vila Industrial, Tesouro, Vila Estér etc apresentam
problemas respiratórios e qualquer levantamento no Pronto de
Socorro da Vila Industrial comprovará o fato.
5- O
engenheiro e geógrafo, Ricardo Corbani Ferraz, diretor
técnico da Sociedade Ecológica Santa Branca (SESB) pediu, em
18 de novembro de 2004, a abertura de inquérito de ação
civil pública com fundamentos no Princípio de Precaução da
Lei dos Crimes Ambientais dianate da refinaria Henrique Laje
de do projeto de modernização da Revap: “Quando uma
atividade representa ameaças de danos ao meio ambiente ou a
saúde humana, mediadas de precaução devem ser tomadas, mesmo
se algumas relações de causa e efeito não forem plenamente
estabelecidas cientificamente.”
6-
Ricardo Ferraz alerta que há duas décadas a refinaria
Henrique Laje vem poluindo o ar com várias ocorrências de
contaminação das águas e solo por acidentes com danos ao
meio ambiente, deixando a população circunvizinha vulnerável
aos riscos eminentes e perigos de acidentes graves com
efeito dominó podendo ser desastrosas e irreversíveis nos
bairros próximos no município de São José dos Campos e na
região do Vale do Paraíba. Cita ainda a grande explosão
ocorrida na Revap, em 23 de outubro de 2003, que tremeu
casas e desnorteou os moradores próximos. E o que é pior,
revelou que não havia plano de evacuação na Revap e na
Defesa Civil Municipal, ficando as pessoas sem saber o que
fazer.
7-
Ferraz diz que a Revap é um dos grandes projetos do período
da ditadura brasileira de 1964/89, e que a sua localização,
na época em que foi instalada, sofreu severas críticas em
razão dos impactos ambientais e que, hoje, diante de um
Eia-Rima transdiciplinar, não seria aprovada já que a
vocação do Vale do Paraíba não é para esse tipo de
indústria. O aumento da poluição cria ilhas de calor que
ultrapassam as limitações físicas regionais
8- O
geógrafo vai mais além e fala sobre a falta de planejamento
estratégico e tático-ecológico-econômico e participativo, “
O Vale tem limitações físicas devendo por isso ser
respeitado. Os excessos de mitigações não resolveram o
problema, é preciso um reordenamento das indústrias
poluidoras pra regiões mais adequadas e outros suportes
ambientais.”
9-
O princípio da precaução deve orientar o cidadão para que
tome decisões concernentes às atividades que comportam dano
grave à saúde ou a segurança das gerações atuais e futuras
para o meio ambiente. O princípio impõe-se, especialmente,
aos poderes públicos, que devem fazer prevalecer os
imperativos de saúde e segurança. – Ou seja, o espaço da
precaução é ultrapassar a prevenção, pois a espera de uma
possível comprovação pode levar a danos com efeitos
irreversíveis. Isso se deve ao elevado rigor científico
empregado para a demonstração de causa e efeito.
10- As 11 xaminés da
Revap aumentarão para 22, no lugar de uma teremos 2 tochas
de 110 metros de altura e mais 5 chaminés de 70 metros
emitindo poluentes. Os bairros vizinhos terão que ter
rígidos planos de evacuação para amenizar possíveis
acidentes.
11-
Além do mais, o petróleo é algo finito e estará sem do
substituído nos próximos 25 anos devido ao aquecimento
global e os grandes impactos ambientais causados á atmosfera
do planeta Terra.
12- Isso considerado,
como permitir uma aventura milionária envolvendo U$ 800
milhões. Isso mesmo, oitocentos milhões de dólares para
expandir a Revap acreditando que a unidade não irá aumentar
a sua produção. Será que os manipuladores da opinião pública
acreditam que podem enganar a todos o tempo inteiro? É
preciso a interferência imediata do Ministério Público
Estadual e Federal. Principalmente levando-se em
consideração a terrível situação em que nos encontramos, com
o país afundado nesse imenso mar de lama coalhado de
sanguessugas.
As perguntas abaixo já foram
enviadas para várias pessoas e continuam sem as respostas.
Se o leitor achar que pode respondê-las, agrademos
O
município de São José dos Campos é o mais poluído do Vale do
Paraíba?
Como o ar
do município é coletado para análises e qual é o tipo de
equipamento utilizado?
Como
funciona o Núcleo de Gestão da Qualidade do Ar, em São José
dos Campos?
Segundo a
Cetesb, o ar e a água de São José dos Campos estão
comprometidos, o que tem a dizer?
Como está
a concentração de ozônio no ar de São José dos Campos?
O que é e
como se forma uma ilha de calor?
Após a
sua formação, é verdade que numa ilha de calor aumenta a
quantidade de raios e tempestades?
Que tipo
de danos podem sofrer os habitantes de um local considerado
ilha de calor?
O
lançamento de enxofre(S) e outros produtos na atmosfera pela
Petrobrás ocasionam chuva ácida?
Quais as
conseqüências disso à saúde da população?
As chuvas
ácidas podem comprometer (oxidar) os equipamentos
eletrônicos do CTA, Embraer e do próprio INPE?
Como
resolver a situação?
(*)
Ricardo Faria –
ricardo@vejosaojose.com.br
Mais:
Acidente na Revap
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