|
Alckmin
e seu parceiro Flavio
Ashcar tomaram
conhecimento da censura ao chegarem à rádio Metropolitana
AM, 1.290, de São José dos Campos,
na manhã de 21 de setembro, Dia do Radialista. – Eles
não puderam fazer mais um Show Time, o programa de
maior audiência da emissora, em face de um e-mail enviado
pela Rede Eldorado, do Grupo Estado de São Paulo, no dia 18
de setembro.
Na tarde do
mesmo dia, falamos com a autora do e-mail, Regiane Batista
dos Santos, gerente da rede Eldorado. Ela afirmou ter
recebido ligações telefônicas e e-mails questionando o
programa Show Time inserido na programação da Rede,
através da emissora de São José dos Campos; – E que, entre
outras, João Alckmin teria dito no ar que a “saúde de São
José dos Campos é uma merda.”
Censura
– Regiane
lembrou a existência de regras, procedimentos de linguagem e
conteúdo no contrato de afiliação da Eldorado com a
Metropolitana AM.
Regiane foi taxativa no e-mail
-
“Através
desses questionamentos, fizemos uma rádio escuta e
realmente, não há compatibilidade de programação entre a
Eldorado e o programa mencionado.”
E vai
adiante: “Na cláusula
9.2 c do contrato assinado pela Rádio Metropolitana, tal
procedimento é passível de Rescisão Contratual. Solicitamos
portanto, que alguma medida seja tomada no prazo máximo de
15 dias, na hipótese de não ocorrer a correção, enviaremos a
Carta de Rescisão. Atenciosamente, Regiane Santos – Gerente
de Rede –
regianesantos@grupoestado.com.br
”
Pimenta nos olhos dos outros
é refresco:
“Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney
Gravações em áudio
proibidas revelaram ligações do presidente do Senado com os
atos secretos da Casa.
por Felipe Recondo, de O
Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O
desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O
Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar
reportagens que contenham informações da Operação Faktor,
mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs
o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário
Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP) - que está no centro de uma crise política no
Congresso...”
Mais
Pau
que dá em Chico, dá em Francisco –
O ditado vale para os Mesquitas do Estadão e para Regiane
Batista dos Santos que desprezou o radialista mais combativo
e respeitado de São José dos Campos e do Vale do Paraíba.
Dono da maior audiência na emissora, Alckmin ficou conhecido
justamente pelo combate ferrenho à corrupção na máquina
pública, especialmente na polícia, na política e no
Judiciário.
Na tarde do dia 23,
falamos com João Carlos Barbosa Alckmin. Apesar de muito
ressentido, fez questão de nos receber:
Há
quanto tempo você está na rádio Metropolitana, ou rádio
Eldorado? – Perto de
dois anos. Sinceramente não sei se é Metropolitana ou
Eldorado. Para meu estarrecimento, parece não ser uma coisa
e nem outra.
Você
estava no horário das 10 horas ao meio dia?
– Estava nesse
horário, não estou mais. Fazíamos um programa independente,
o único com audiência na rádio.
Como
funciona a rádio? – Eu
não conheço os meandros da rádio Metropolitana ou da
Eldorado, em São José dos Campos. Nunca me preocupei com
isso.
O que
realmente aconteceu no último dia 21?
– Quando cheguei com o Flávio Ashcar para fazer o programa
nos disseram que havíamos sido censurados pela rede Eldorado
do grupo Estado, a quem a emissora havia se afiliado, e que
o nosso programa não se inseria na metodologia da Eldorado.
Que
espécie de contrato você tinha?
– Um contrato verbal com o Lano Brito.
Quem é
Lano Brito? – Ele se
diz responsável pela emissora e é quem explora a freqüência.
Quero deixar claro que os microfones e os pedestais são
meus, a mesa é minha, a internet é paga por mim, o telefone
12 - 3308.1290 é meu. Da rádio eu usava somente o espaço
físico.
Como é
feito o programa Show Time?
– É uma revista eletrônica onde discutimos os problemas da
cidade, da Região, do país e tocamos música de qualidade e
isso parece não ter sido aprovado pela rede Eldorado.
O
programa também vai ao ar pela Rádio Piratininga?
– Vai, aos sábados das 10 ao meio dia, pela 750 AM, onde
continuamos normalmente, acessados pelo
site - Flávio Ashcar,
eu, Carlos Brickmann, Percival de Souza, James Akel, Rui
Nogueira e outros.
O que
sabe desse contrato entre a Eldorado e a Metropolitana?
– O contrato foi feito pela Metropolitana que não é do Lano
Brito e sim do Silvio Sanzoni, ou seja, do espólio do Jair
Mariano Sanzoni.
Você
conhece o Silvio Sanzoni?
– Conheço. Quer saber... - estou dando graças a deus por ter
saído. Me falaram que a rádio não tem CNPJ, que os
funcionários não são registrados em nome da rádio
Metropolitana ou da Eldorado. O estúdio não poderia estar
onde está, e sim no Edifício Saint James, na avenida João
Guilhermino. A torre está numa área de preservação
ambiental. Flávio e eu temos uma reputação a zelar, não
podemos compactuar com tudo isso. Além, agora, da censura do
Grupo Estado.
Terrível, não? – O que
me causa estranheza é a dona Regiane, a responsável pelos
afiliados, não ter tomado nenhuma cautela quando da
assinatura do contrato. Pelo que sei, assinado entre a Rádio
Eldorado e a Rádio Metropolitana usando o CNPJ da Tropikal
Produções. Tudo absolutamente irregular. Atente bem, esse é
o Grupo O Estado de São Paulo que se diz preocupado com a
credibilidade e independência.
Você
chegou a falar com o Silvio Sanzoni?
– Ele me disse que
está tomando as medidas cabíveis para retomar a rádio, que
já foi até fechada pela Anatel. Trocando em miúdos, trata-se
de uma rádio irregular e a Anatel sabe disso.
Como é
ser um jornalista tão combativo?
– Me custa caro, já fui até baleado e quase fiquei
tetraplégico.
Como
vê os veículos de comunicação em São José dos Campos?
– Todos eles estão atrelados ao poder público, recebem
verbas da prefeitura. Essa é a realidade. Sem contar o
monopólio da comunicação radiofônica; - Várias rádios da
cidade pertencem ao mesmo dono. A Nativa, a Band Vale, a
Band AM e a Stereo Vale são dirigidas pelo Grupo
Bandeirantes e isso é proibido pelo Ministério das
Comunicações.
Dizem
que cada uma delas tem um político por trás, é verdade?
– Não tenho conhecimento disso, mas sei é que todas se
identificam como do Grupo Bandeirantes, é o que vale.
Então,
se depender da mídia, estamos ferrados?
– Através dela não vem nada de importante. A única emissora
independente é a Rádio Piratininga. O radialista Antonio
Leite, da Planeta FM, se diz independente, mas só depois que
cortaram as tetas em que ele mamava. A rádio dele era chapa
branca até que brigou com o prefeito Eduardo Cury que não
apareceu mais na emissora e até processou o Leite.
Podemos falar um pouco de você e a cidade de Mogi das
Cruzes? – Sou
paulistano, as minhas ligações com Mogi vem do meu avô que
lá era fazendeiro, meu pai foi juiz de direito por muitos
anos na cidade.
Como
era sua vida em Mogi?
– Não cheguei a ter programa radiofônico na cidade. As vezes
digo que fui sócio do jornal Diário de Mogi onde fui
esculhambado durante muito tempo em matérias assinadas pelo
Nivaldo Marangoni e Laércio Ribeiro. A alegação era de que
eu afrontava a sociedade local por usar roupas finas e
carros importados. Pura inveja, preconceito. Minha família
mora em Mogi, lá eu respondi trinta e cinco processos pelos
mais variados motivos, o Nivaldo e o Laércio sempre deram
ênfase a isso: “João Carlos Rodrigues de Alckmin Barbosa foi
indiciado” Diziam eles, mas não publicavam o arquivamento do
inquérito.
O
Nivaldo Marangoni é o mesmo que passou pela TV Vanguarda?
– Exatamente!
Está
sabendo que ele virou assessor do vereador joseense, João
Tampão (PR)? –
Desconheço e me espanta.
Você
não tomou providência em relação ao Nivaldo?
– Não, porque o meu intuito, na época, era quebrar a cara
dele, mas não consegui encontrá-lo. Hoje, mais maduro,
talvez ele esteja mais equilibrado. Os anos passaram, o
Laércio Ribeiro continua em Mogi das Cruzes, mas veja como
são aos coisas, manchete de jornal é a mulher dele, a
delegada de polícia, Vera Dantracolli, acusada de mandar
“ensapar pessoas” para fazer flagrantes.
E o
dono do jornal Diário de Mogi, quem é?
– Toti Tirreno Dazambagio, que nunca vi na vida e não tenho
interesse em conhecer.
Voltando ao seu programa Show Time no agora
“território eldorado”
– Sofri censura do
Grupo Estado de São Paulo, comprovada pela cópia do e-mail
da d. Regiane.
Você
chegou a falar com ela?
– Sim, ela alegou que não foi bem isso, que eu tinha
entendido mal, que desconhecia os problemas da rádio
Metropolitana. Eu disse a ela: - No mínimo a sra. não tomou
a necessária cautela na ânsia de afiliar. Não procurou saber
com quem estava firmando uma parceria, uma rádio com
problemas sérios, fatos que descobri somente agora. Imaginei
que o Lano Brito, depois de ter os transmissores lacrados,
tivesse se regularizado junto a Anatel. Segundo o Ministério
das Comunicações, a emissora continua com restrições.
Alem
de bater duro contra a corrupção, dizem que um dos motivos
para o seu afastamento da rádio foi a sua esposa, a advogada
Tânia Nogueira, patrocinar ações populares contra o prefeito
de São José dos Campos, confere?
– Vai alem disso, a Tânia advoga para o Antonio Leite
processado pelo prefeito. Certa feita, eu estava no ar e o
prefeito começou a falar com o Lano Brito, não se dispor
sequer a me cumprimentar. Eu disse no ar que ele era mal
educado, grosseiro, que não me confundisse, que advogada era
a minha mulher e não eu, que deveria ter respeito. Ele nada
respondeu.
Então
sua esposa é advogada de adversários do prefeito?
- Não conheço o conteúdo das ações, não me envolvo com o
trabalho de minha esposa. Sei que é advogada das vereadoras
petistas Ângela Guadagnin e Amélia Naomi e também do
vereador Cristiano Pinto Ferreira, da bancada do prefeito. A
Tânia é uma profissional sem filiação partidária.
O que
os radialistas da cidade falam sobre a censura que sofreu?
– Eles não falam
absolutamente nada. O Leite se solidarizou. Apoio total só
do Seme de Neme Jorge, dono da Rádio Piatininga que me
disse: “Comigo não tem pressão, você continua na nossa rádio
e ponto final.”
O que
podemos esperar de você no Show Time desse sábado,
dia 26? – Darei todas
as explicações. Colocarei no ar, com detalhes, como fui
censurado pelo Grupo O Estado de São Paulo.
Com a saída de João Alckmin,
começaram algumas reformas nas instalações do “território
eldorado”. Estão trocando o piso, o forro etc. Quem
primeiro apareceu foi o Luiz Paulo Costa que ganha salários
milionários na prefeitura de São José e é ligado ao Grupo
Estado. Depois foi o Alfredo Freitas, ex secretário de
transportes e atual presidente da Urbam. Pelo andar da
carroça, não é difícil imaginar porque João Alckmin foi
afastado.
É muito triste ver os
“companheiros de luta” submeterem-se a esse lamentável papel
em nome da permanência no poder, recebendo dinheiro público,
rasgando os princípios da ética, associando-se aos corruptos
que antes diziam repudiar. Ganham, mas não levam, a não ser
as pragas da maioria dos miseráveis dependentes de seus
projetos demagógicos.
Até o fechamento da
edição, tentamos falar com as pessoas citadas e não tivemos
sucesso. Umas fazendo cursos, outras viajando.
Fale com João Alckmin:
showtime.radio@hotmail.com
Regiane Santos:
regianesantos@grupoestado.com.br
João das Mercês Tampão de
Almeida / Nivaldo Marangoni
-
tampao@camarasjc.sp.gov.br
- Telefone: (12) 3925-6529 – Câmara Municipal de São José
dos Campos, 1º Pavimento Sala 21
Carlos
Brickmann:
carlos@brickmann.com.br
Grampo ilegal e imoral -
Radialista grampeado -
Observatório da Imprensa
(*)
Ricardo Faria –
ricardo@vejosaojose.com.br |