Em1979
veio à tona a crise financeira que corroia a
FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino). De
tal ordem era o grau de insolvência da FVE,
que para muitos gestores da fundação a única
saída era dispor de parte de seu patrimônio
imobiliário para enfrentar aquele estado
“pré-falimentar”.
De fato, predominava a opinião de que se deveria vender parte do patrimônio imobiliário para solver as enormes dívidas consolidadas, sobretudo porque, à época, a inflação fazia crescer geometricamente os débitos, inclusive os privilegiados trabalhistas.
Foi nesse clima que se reuniu o Conselho Deliberativo Da Fundação Valeparaibana de Ensino. Incumbia-lhe, naquela oportunidade, eleger o novo Presidente do Conselho da FVE, que deveria liderar o esforço de recuperação daquela grave crise.
Na ocasião, eu era presidente da OAB e, nessa condição, tinha assento no conselho da FVE. Também o professor Baptista Gargione era membro do mesmo conselho, representando o ITA, assim como compunham o colegiado outras entidades da sociedade civil.
Haviam pretendentes a assumir a presidência do conselho, apesar da desafiadora tarefa.
O professor Baptista Gargione, também membro do corpo docente na FVE, esposava a tese de que não era necessário dispor de patrimônio imobiliário para enfrentar a vultosa dívida. E apresentava a sua equação aos demais membros do Conselho Deliberativo.
Diante de tão criativa solução que apresentava, votamos, a maioria dos membros do conselho, em Baptista Gargione.
Assumindo o cargo, o que se pode dizer, sucintamente, é que o professor Gargione, sem dispor de patrimônio, como pregara, geriu com muita competência os interesses da FVE.
Na sequência dessa proveitosa gestão, conseguiu do município a doação de generosa gleba de terras na Urbanova, onde se instalou a Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
Criou vários institutos e fez construir um invejável patrimônio físico para a Univap.
Entretanto,com o passar do tempo o educador sofreu uma metamorfose, transformando-se em obstinado patrimonialista, por assim dizer um agressivo empresário.
Engenhou um autoritário estatuto para a fundação, instrumento que não homenageia sua memória. Antes, registra para a posteridade a negação do espírito democrático que deve presidir uma universidade.
Uma das conseqüências dessa equivocada ambição foi a notória brusca queda da qualidade de ensino.
O que nos intriga é que durante tantos anos a Curadoria de Fundações tenha se omitido, assistindo de braços cruzados a vigência de um “estatuto” que subverte o espírito da verdadeira universidade e desfigura o tão importante instituto de fundações.
Digna de registro, por outro lado, é a apatia do corpo discente, dos estudantes. Nunca fizeram um movimento consequente, uma greve, qualquer contestação ou resistência a tamanho autoritarismo.
Agora, o poder incontrastável do professor Gargione leva-o ao delírio de transformar o histórico prédio da Faculdade de Direito do Vale do Paraíba em “shopping”, instale-se o que quer que seja ali.
A comunidade de São José dos Campos não pode permitir esse verdadeiro ultraje à historia de nossa cidade.
Ao professor Gargione, homem de grandes méritos, não há como negar, o que se pede é que não apequene mais a estatura daquele criativo conselheiro que então assumiu a presidência do Conselho da FVE.
Fernando Delgado é Advogado em São José dos Campos - OVALE
NR - O advogado Fernando Delgado é mais um que exige transparência nas gestões da Fundação Valeparaibana de Ensino e da Univap.
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