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É um dos
mais respeitados cientistas brasileiros, ele e outros
docentes foram demitidos da Universidade do Vale do Paraíba
no mês passado por justa causa. O reitor Baptista Gargione
Filho teria ficado indignado com um abaixo assinado que
Nóbrega, outros professores e alunos encaminharam ao
Ministério Público
No último
dia 30 estivemos com o indignado Professor Nóbrega:
“Atravessei a época de chumbo da ditadura, meu orientador
Isaias RAw foi banido da Academia, perdi uma irmã na
resistência ao arbítrio, mas, ainda assim, nunca senti a
opressão e o desmando que o reitor Gargione conseguiu impor
na Universidade do Vale do Paraíba, em pleno século 21,
nessa importante São José dos Campos.
O reitor me demitiu, no dia seguinte, fechou o IPD e me
proibiu de
entrar no campus. Ele se apossou ilegalmente, em primeiro
lugar, de cerca de 40 anos de minha vida acadêmica, pois o
meu
escritório está atulhado de documentos científicos que não
pude retirar. Quando solicitei permissão para adentrar o
Instituto com essa finalidade, escoltado, o prefeito do
Campus, o Mineiro, disse que não "conseguia contato com a
Dra. Maria Cristina " e todos sabemos que a Maria Cristina é
o reitor.” Afirmou Nóbrega.
Professor
Nóbrega, como realmente aconteceram os fatos?
– Tudo começou um pouco antes, quando o Gargione destituiu o
professor Marcos Tadeu da direção do IPD e lá colocou a Dra.
Sandra Costa. Depois, demitiu dois professores do programa
de engenharia biomédica, o Márcio Magini e o Balbim sem
explicações. Tudo por decreto. Isso criou um clima de
antipatia na Universidade.
O reitor
pode agir assim?
– Na eleição do coordenador do Programa de Engenharia
Biomédica e Biomedicina os mais votados foram o Marcos Tadeu
e o professor Munin, mesmo assim, não foram escolhidos,
contrariando a regra da CAPES, Coordenação de
Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior que credencia
os cursos de mestrado e doutorado. É uma questão acadêmica
que não permite interferência do reitor. Mas, na Univap, o
Gargione criou essa de lista tríplice, coisa da cabeça dele,
para poder escolher as pessoas.
E o
pessoal da Univap aceita isso?
- Foi a gota d´água, motivou 37 professores e alunos a
assinar um abaixo assinado de apoio as denúncias feitas ao
Ministério Público. A partir daí vieram as demissões e a
interdição dos laboratórios.
O que
acha das denúncias?
- Se existem investigações, que sejam feitas com
profundidade. Caso haja comprovação, o MP vai criar
condições para sanear e refundar a Univap e sua mantenedora
a Fundação Valeparaibana de Ensino, é o que o povo de São
José e do Vale merece.
Que tipo
de instituição é a Univap?
– Ela é publica de origem, não pode ser privatizada como
está acontecendo, dominada por interesses particulares.
O senhor
foi demitido por justa causa?
– Foi mais uma tentativa de intimidação, o reitor escolheu
três, eu, o Marcos Tadeu e a Dra Magini para amedrontar os
demais. A alegação foi a de que estaríamos denegrindo a
Fundação. Uma acusação absolutamente ridícula, pois estamos
tão somente preocupados com a Instituição e queremos que ela
seja melhor. As críticas são dirigidas à gestão Gargione que
está prejudicando a Entidade.
E o
fechamento do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento? – No dia seguinte as demissões, 19 de dezembro, ele
decretou um recesso que não poderia atingir o IPD, porque lá
são realizadas as pesquisas e tem que ter porteiro 24 horas.
Quais as
pesquisas desenvolvidas lá?
– Temos mais de 40 laboratórios funcionando, um monte de
projetos científicos, muitos com recursos da Fapesp ou do
CNPq. Existem programas com alunos fazendo teses,
colaborações com universidades como a Unesp, Unicamp, com o
ITA, com o INPE. Aquilo está sempre ativo. Nas férias os
alunos de graduação costumam intensificar os trabalhos
passando mais tempo no laboratório.
E como o
reitor manda fechar tudo?
– É o estilo dele, mostrar o máximo de autoritarismo. Ele
deve ter ficado assustado com o fato de um grupo de dentro
da Universidade ter assinado um manifesto apoiando o MP.
Acho que ele imaginou que dando uma pancada dura
amedrontaria os demais.
Algo
ditatorial?
– Nós não estamos numa ditadura, lá dentro parece um castelo
medieval. O reitor se imagina um senhor feudal e quer baixar
todas as regras, quer fazer daquilo um país independente.
Essa é a idéia que tenho do Gargione. Ele não aceita que a
Univap tenha que participar e respeitar a LDB, quer fazer a
lei dele, uma anomalia muito estranha.
O que
pode acontecer?
– Com tudo trancado, o reitor põe em risco o equipamento. O
guarda que circula em volta não tem as chaves. Se acontecer
alguma emergência, ele tem que sair correndo e telefonar
para o prefeito do campus, o Ronaldo, conhecido como
Mineiro. Se ele estiver com o celular desligado ou tiver
algum problema, ninguém falará com ele, o único que pode
abrir o IPD. Essa é a situação insustentável foi criada pelo
Gargione. É gravíssimo.
Quem é
esse Ronaldo?
– Me parece que era um trabalhador rural que veio de Minas
Gerais, se fez amigo do Gargione e se deu bem, virou homem
de confiança, fez curso de engenharia e hoje tem o diploma.
De um simples auxiliar virou o prefeito do Campus Urbanova,
falam que está muito bem de vida.
O que
dizem entidades como a Capes, a Fapesp, o Finep, o IPQ e as
outras? – Bem... Elas foram avisadas, inclusive sobre o
Gargione ter tomado essas atitudes justamente no final do
ano, na época das festas de Natal e Ano Novo. Vamos aguardar
alguns dias e manter um novo contato. Vamos ver o que vai
acontecer.
Pessoalmente como vê sua demissão por justa causa e tudo
mais? – Já vi o reitor fazer coisas tão absurdas e tão contra o
que considero correto que não me surpreendo. Acho que ele
está se sentindo ameaçado e achou que não devia mais me
tolerar. É isso.
O outro lado -
Tentamos um contato com a direção da Univap. Fomos
informados que o reitor somente falará após o pronunciamento
do Ministério Público.
Saiba mais
(*)
Ricardo Faria –
ricardo@vejosaojose.com.br
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