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Dr.
Paulo Gilberto de Paula Toro, chefe da Subdivisão de
Hipersônica Experimental e do Laboratório de
Aerotermodinâmica e Hipersônica Prof. Henry T. Nagamatsu,
ambos do Instituto de Estudos Avançados (IEAv/CTA), imaginou
que a UNIVAP poderia implantar um curso de Engenharia
Aeroespacial, mas o projeto não foi adiante. A declaração
abaixo foi enviada ao Ministério Público que está apurando
as denúncias sobre irregularidades na Universidade do Vale
do Paraíba - UNIVAP.
Declaração
Eu,
Paulo Gilberto de Paula Toro, residente à Av. Mal. Henrique
Teixeira Lott n° 8314. declaro que de 1987 a 1994
estive envolvido em estudos de engenharia na área de
aquecimento aerodinâmico do Veículo Lançador de Satélites (VLS),
veículo este em desenvolvimento pelo Instituto de
Aeronáutica e Espaço (IAE), subordinado ao Comando-Geral de
Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, SP.
De
1994 a 1998
- Realizei doutorado envolvendo simulação em laboratório do
vôo de veículos aeroespaciais através da atmosfera de
planetas, particularmente, planeta Terra. A tecnologia de
laboratório utilizado foi a de Túnel de Vento Hipersônico
Pulsado, ver anexo 1. Quando do retorno ao Brasil, realizei
pesquisa experimental no Laboratório de Aerotermodinâmica e
Hipersônica do Instituto de Estudos Avançados (IEAv),
instituto subordinado ao CTA. Na época, esse laboratório
possuía dois túneis hipersônicos pulsados.
Observando a área hipersônica com um todo, destaco:
Internacional (observação feita desde a época do doutorado
nos Estados Unidos da América). Existe interesse na área
hipersônica voltada para veículos de re-entrada atmosférica
(por ex.: Space Shuttle) e em aviões hipersônicos utilizando
sistema de propulsão aspirada com combustão supersônica (por
ex.: veículo X-43 A, em desenvolvimento pela NASA); Brasil.
Potencial da pesquisa na área hipersônica com os
dispositivos laboratoriais do IEAv/CTA;
Recursos Humanos.
Falta de recursos humanos para compor com e mesmo repor os
pesquisadores em instituições da área aeroespacial;
Universidade.
Falta de estrutura acadêmica na área Aeroespacial e os
graduados em Engenharia (Mecânica e/ou Aeronáutica) sem
formação adequada para ingressar, diretamente; na área de
pesquisa aeroespacial. Com esta visão, e sabendo do
interesse da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP),
localizada em São José dos Campos, de implantar curso
universitário em Engenharia Aeroespacial, procurei o DI.
Élcio Nogueira, que desenvolveu trabalho de pesquisa na área
espacial no IAE, no inicio da década de 90. No ano de 1999,
o DI. Élcio Nogueira era Diretor da Faculdade de Engenharia,
Arquitetura e Urbanismo (FEAU) da UNIVAP. Conversei
longamente, sobre a viabilidade de ser implantado um
laboratório voltado para os alunos desta nova modalidade de
engenharia.
A
Administração Superior da UNIVAP, na figura do Magnífico
Reitor Prof. Dr. Baptista Gargione Filho, após intervenção
direta da Direção da FEAU, aprovou a construção e
operacionalidade de um Túnel de Vento Hipersônico Pulsado,
anexo 2. Foi dedicado para este projeto o valor inicial de
R$ 150.000,00. Sendo cerca de R$ 90.000,00 para o projeto e
fabricação do túnel hipersônico e cerca de R$ 60.000,00 para
a instrumentação necessária para a operacionalidade do
mesmo. Além disso, a Instituição investiu recursos na
construção de um prédio, anexo à FEAU, para a instalação
deste túnel hipersônico, anexo 3.
Em
Abril de 2001,
ainda sob a supervisão do Professor Dr. Élcio Nogueira, o
túnel estava na instalação fornecida pela administração da
UNIVAP. Um Engenheiro Mecânico (Antonio Garcia Ramos) foi
contratado, pela UNIVAP, para realizar a montagem, aquisição
da instrumentação e finalmente a operacionalidade do túnel
hipersônico. Com o término do projeto, foram documentadas as
características principais do túnel hipersônico da UNIVAP e
apresentado um artigo no 23rd International Symposium on
Shock Waves, em Julho de 2001, no Texas, EUA, anexo 4. Fruto
desta apresentação, dois cientistas de duas instituições
renomadas (NASA e o Rensselaer Polytechnic Institute, no
qual realizei meu doutorado) mostraram interesse em
desenvolver contatos com a UNIVAP, visando pesquisa futura,
anexo 5.
De
2001 a 2003,
vários componentes, tais como: compressores, bombas de
vácuo, válvulas de controle, tubos para sistema de
alimentação de gases nos diversos segmentos do túnel,
manômetros para monitorar os diversos segmentos e outros
itens foram especificados, porém com pouco resultado final.
Contatos -
Realizei contato com a Direção da FEAU, Prof. MSc Francisco
Pinto Barbosa, e da UNIVAP, Prof. Dr. Baptista Gargione
Filho, para que o túnel hipersônico da UNIVAP fosse
operacional, visando não só como ferramenta acadêmica, junto
aos alunos dos cursos universitários da área aeroespacial da
UNIVAP, como também observando a viabilidade de convênios
com instituições internacionais, como a NASA, força Aérea
Americana como universidades de vários países. Infelizmente
não obtive resposta verbal ou escrita sobre os reais
interesses da UNIVAP quanto a implantação de um laboratório
na área aeroespacial, utilizando o já construído, porém não
operacionalizado Túnel de Vento Hipersônico Pulsado.
Projeto para Fapesp
- Sempre observando o interesse, nacional e internacional na
área hipersônica, encaminhei projeto à FAPESP, da construção
de um novo Túnel de Vento Hipersônico Pulsado a ser
implantado no IEAv/CTA, e ser aplicado no desenvolvimento de
pesquisa com tecnologia de combustão supersônica, ver anexo
6. A FAPESP aprovou o projeto, que está em desenvolvimento
desde Março de 2005.
Convêm
salientar que, as áreas de hipervelocidade (a qual a
hipersônica se enquadra) e propulsão aspirada (a qual a
tecnologia de combustão está relacionada) são consideradas
estratégicas conforme mostra o documento dos Ministérios da
Defesa e da Ciência e Tecnologia (de Concepção Estratégica -
Ciência, Tecnologia e Inovação de Interesse da Defesa
Nacional, Brasília 2003). Neste sentido, é de se lamentar a
falta de interesse da administração da UNIVAP em colocar a
estrutura do Túnel Hipersônico, que foi construído com
recursos próprios, em operação.
Recursos externos
- Houve uma tentativa de obtenção de recursos externos, no
ano de 2006, através da FINEP, um Projeto coordenado pelo
Professor Dr. Élcio Nogueira, que não foi aprovado, por se
tratar principalmente de um Projeto com múltiplos objetivos,
com propostas de aquisição de máquinas e equipamentos para
diversos laboratórios da UNIVAP.
Em que
pese o esforço realizado pelo coordenador, dificilmente tal
Projeto seria aprovado, vez que não se encontrava totalmente
dentro das áreas consideradas estratégicas pelos Ministérios
da Defesa e da Ciência e Tecnologia, nas áreas de
hipervelocidade e propulsão aspirada.
São
José dos Campos, 21 de Maio de 2007
Paulo
Gilberto de Paula Toro -
toro@ieav.cta.br
(**)
www.aeroespacial.org.br
Fica assegurado o direito
de resposta ao reitor Baptista Gargione Filho ou a qualquer
membro da atual gestão da Univap.
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(*) Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br
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