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  22.02.2008 00h.10  
  Engenharia Aeroespacial               “Dominar as tecnologias espaciais e aeronáuticas não é uma opção ou questão de escolha para as nações modernas, é uma necessidade vital para atingir seus objetivos econômicos, industriais, científicos e de segurança nacional.” (**)

Acassio Costa (*)

 

Dr. Paulo Gilberto de Paula Toro, chefe da Subdivisão de Hipersônica Experimental e do Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica Prof. Henry T. Nagamatsu, ambos do Instituto de Estudos Avançados (IEAv/CTA), imaginou que a UNIVAP poderia implantar um curso de Engenharia Aeroespacial, mas o projeto não foi adiante. A declaração abaixo foi enviada ao Ministério Público que está apurando as denúncias sobre irregularidades na Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP.   

Declaração

Eu, Paulo Gilberto de Paula Toro, residente à Av. Mal. Henrique Teixeira Lott n° 8314. declaro que de 1987 a 1994 estive envolvido em estudos de engenharia na área de aquecimento aerodinâmico do Veículo Lançador de Satélites (VLS), veículo este em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), subordinado ao Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, SP.

De 1994 a 1998 - Realizei doutorado envolvendo simulação em laboratório do vôo de veículos aeroespaciais através da atmosfera de planetas, particularmente, planeta Terra. A tecnologia de laboratório utilizado foi a de Túnel de Vento Hipersônico Pulsado, ver anexo 1. Quando do retorno ao Brasil, realizei pesquisa experimental no Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), instituto subordinado ao CTA. Na época, esse laboratório possuía dois túneis hipersônicos pulsados.

Observando a área hipersônica com um todo, destaco:

Internacional (observação feita desde a época do doutorado nos Estados Unidos da América). Existe interesse na área hipersônica voltada para veículos de re-entrada atmosférica (por ex.: Space Shuttle) e em aviões hipersônicos utilizando sistema de propulsão aspirada com combustão supersônica (por ex.: veículo X-43 A, em desenvolvimento pela NASA); Brasil. Potencial da pesquisa na área hipersônica com os dispositivos laboratoriais do IEAv/CTA;

Recursos Humanos. Falta de recursos humanos para compor com e mesmo repor os pesquisadores em instituições da área aeroespacial;

Universidade. Falta de estrutura acadêmica na área Aeroespacial e os graduados em Engenharia (Mecânica e/ou Aeronáutica) sem formação adequada para ingressar, diretamente; na área de pesquisa aeroespacial. Com esta visão, e sabendo do interesse da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), localizada em São José dos Campos, de implantar curso universitário em Engenharia Aeroespacial, procurei o DI. Élcio Nogueira, que desenvolveu trabalho de pesquisa na área espacial no IAE, no inicio da década de 90. No ano de 1999, o DI. Élcio Nogueira era Diretor da Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo (FEAU) da UNIVAP. Conversei longamente, sobre a viabilidade de ser implantado um laboratório voltado para os alunos desta nova modalidade de engenharia.

A Administração Superior da UNIVAP, na figura do Magnífico Reitor Prof. Dr. Baptista Gargione Filho, após intervenção direta da Direção da FEAU, aprovou a construção e operacionalidade de um Túnel de Vento Hipersônico Pulsado, anexo 2. Foi dedicado para este projeto o valor inicial de R$ 150.000,00. Sendo cerca de R$ 90.000,00 para o projeto e fabricação do túnel hipersônico e cerca de R$ 60.000,00 para a instrumentação necessária para a operacionalidade do mesmo. Além disso, a Instituição investiu recursos na construção de um prédio, anexo à FEAU, para a instalação deste túnel hipersônico, anexo 3.

Em Abril de 2001, ainda sob a supervisão do Professor Dr. Élcio Nogueira, o túnel estava na instalação fornecida pela administração da UNIVAP. Um Engenheiro Mecânico (Antonio Garcia Ramos) foi contratado, pela UNIVAP, para realizar a montagem, aquisição da instrumentação e finalmente a operacionalidade do túnel hipersônico. Com o término do projeto, foram documentadas as características principais do túnel hipersônico da UNIVAP e apresentado um artigo no 23rd International Symposium on Shock Waves, em Julho de 2001, no Texas, EUA, anexo 4. Fruto desta apresentação, dois cientistas de duas instituições renomadas (NASA e o Rensselaer Polytechnic Institute, no qual realizei meu doutorado) mostraram interesse em desenvolver contatos com a UNIVAP, visando pesquisa futura, anexo 5.

De 2001 a 2003, vários componentes, tais como: compressores, bombas de vácuo, válvulas de controle, tubos para sistema de alimentação de gases nos diversos segmentos do túnel, manômetros para monitorar os diversos segmentos e outros itens foram especificados, porém com pouco resultado final.

Contatos - Realizei contato com a Direção da FEAU, Prof. MSc Francisco Pinto Barbosa, e da UNIVAP, Prof. Dr. Baptista Gargione Filho, para que o túnel hipersônico da UNIVAP fosse operacional, visando não só como ferramenta acadêmica, junto aos alunos dos cursos universitários da área aeroespacial da UNIVAP, como também observando a viabilidade de convênios com instituições internacionais, como a NASA, força Aérea Americana como universidades de vários países. Infelizmente não obtive resposta verbal ou escrita sobre os reais interesses da UNIVAP quanto a implantação de um laboratório na área aeroespacial, utilizando o já construído, porém não operacionalizado Túnel de Vento Hipersônico Pulsado.

Projeto para Fapesp - Sempre observando o interesse, nacional e internacional na área hipersônica, encaminhei projeto à FAPESP, da construção de um novo Túnel de Vento Hipersônico Pulsado a ser implantado no IEAv/CTA, e ser aplicado no desenvolvimento de pesquisa com tecnologia de combustão supersônica, ver anexo 6. A FAPESP aprovou o projeto, que está em desenvolvimento desde Março de 2005.

Convêm salientar que, as áreas de hipervelocidade (a qual a hipersônica se enquadra) e propulsão aspirada (a qual a tecnologia de combustão está relacionada) são consideradas estratégicas conforme mostra o documento dos Ministérios da Defesa e da Ciência e Tecnologia (de Concepção Estratégica - Ciência, Tecnologia e Inovação de Interesse da Defesa Nacional, Brasília 2003). Neste sentido, é de se lamentar a falta de interesse da administração da UNIVAP em colocar a estrutura do Túnel Hipersônico, que foi construído com recursos próprios, em operação.

Recursos externos - Houve uma tentativa de obtenção de recursos externos, no ano de 2006, através da FINEP, um Projeto coordenado pelo Professor Dr. Élcio Nogueira, que não foi aprovado, por se tratar principalmente de um Projeto com múltiplos objetivos, com propostas de aquisição de máquinas e equipamentos para diversos laboratórios da UNIVAP.

Em que pese o esforço realizado pelo coordenador, dificilmente tal Projeto seria aprovado, vez que não se encontrava totalmente dentro das áreas consideradas estratégicas pelos Ministérios da Defesa e da Ciência e Tecnologia, nas áreas de hipervelocidade e propulsão aspirada.

São José dos Campos, 21 de Maio de 2007

Paulo Gilberto de Paula Toro - toro@ieav.cta.br

(**) www.aeroespacial.org.br

Fica assegurado o direito de resposta ao reitor Baptista Gargione Filho ou a qualquer membro da atual gestão da Univap.

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(*) Acassio Costa é advogado - acassio@vejosaojose.com.br
 


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