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por
Juliana Cruz -
juliana.cruz@usp.br
Os poluentes emitidos por
veículos na cidade de São Paulo aumentam as chances de
crianças e adolescentes até 18 anos serem internados por
doenças respiratórias. Estudos da Faculdade de Saúde Pública
(FSP) da USP indicam que há uma relação direta entre o
aumento das possibilidades de jovens desenvolverem essas
doenças e a localização de sua residência em locais de
grande circulação de veículos. Isso acontece porque nessas
áreas são maiores as concentrações de óxido de carbono (CO),
óxidos de nitrogênio (NOx) e materiais particulados (PM).
A pesquisa da bióloga
Giovana Iara Ferreira Moser de Toledo teve a orientação da
professora Adelaide Cássia Nardocci, do Departamento de
Saúde Ambiental da FSP. O estudo divide as concentrações de
poluentes em quatro níveis, denominados quartiis. O primeiro
é o menos poluído — até 25% de concentração de poluentes — e
o quarto é o mais poluído — mais de 75% de concentração de
poluentes. Verificou-se que nas áreas mais poluídas, entre
elas a região central do centro expandido de São Paulo, o
risco de jovens serem internados por doenças respiratórias é
maior.
Além disso, as chances de
internação são diferentes para os períodos de inverno e
verão. No quartil mais poluído, as chances chegam a 78% no
inverno, ante 45% no verão. A diferença entre as estações
também é verificada nas áreas menos poluídas. Nestas, no
inverno, a chance de internação é de 56%, enquanto no verão
é de 21%. Segundo Giovana, nos dois períodos a poluição é
maior onde o tráfego de veículos é mais acentuado, porém, no
inverno, as internações são mais frequentes em função das
características de temperatura e regime de chuvas, que
dificultam a dispersão de poluentes.
A pesquisa também verificou
a maior probabilidade de internação de acordo com piores
condições socioeconômicas dos jovens. De acordo com Giovana,
uma explicação para isso pode ser o fato de pessoas mais
carentes procurarem hospitais quando já estão em fase mais
avançada da doença. Pessoas com melhores condições
financeiras, entretanto, podem tratar a doença antes de seu
quadro clínico tornar-se grave e necessitar de internação.
“Nesta área de estudo, a população de menor nível
socioeconômico também está predominantemente localizada no
entorno de vias de alto tráfego e, portanto, a relação com a
poluição tem um peso grande.”
Avaliação detalhada
- O estudo de Giovana difere de outros já existentes, pois
analisou de maneira detalhada as quantidades de poluentes
emitidos por veículos em cada área da cidade. Os 2.499
setores censitários da cidade de São Paulo, demarcados pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
foram analisados e distribuídos entre os quartiis, ou seja,
houve uma avaliação em micro-escala da relação entre os
poluentes veiculares e a saúde da população.
“Estudos antigos analisavam
a poluição de maneira mais abrangente”, declara Giovana, que
completa: “Com um estudo mais detalhado você pode definir
áreas prioritárias para intervenção, levando em conta não só
a fluidez do trânsito, mas também a saúde da população do
entorno.”
USP
Mais informações: email
giovanamtoledo@usp.br
(*) Eliézer Zac é médico e atende no
4Pronval
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ezacmd@gmail.com
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