Médicos querem que droga
contra colesterol seja receitada para pessoas sem
alterações nos níveis do sangue - Efe
WASHINGTON - Estudo
divulgado durante reunião da Associação Americana de
Cardiologia colocou em discussão a possibilidade de
expansão do uso das estatinas, drogas utilizadas contra
colesterol alto, também para pessoas sem alterações nos
níveis de gordura do sangue, mas que têm um outro tipo de
problema, índices de CRP altos. CRP é a sigla em inglês
para a proteína C-Reativa, substância indicadora de
processos inflamatórios que estariam, segundo estudos, por
trás de 50% dos enfartes e derrames, doenças que mais
matam nos Estados Unidos - e no Brasil.
No estudo, publicado em
The New England Journal of Medicine, participaram 18.000
pacientes de 26 países, todos com bons níveis de
colesterol. Os pacientes tinham em média níveis do
colesterol LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade),
conhecido como "mau colesterol", de 108, e do colesterol
HDL (Lipoproteínas de Alta Densidade), de 49. No entanto,
tinham níveis elevados da proteína a proteína reativa CRP,
cujos níveis elevados aumentam o risco de um ataque
cardíaco.
Segundo o estudo,
dirigido pelo doutor Paul Ridker do Brigham and Women's
Hospital em Boston (Massachusetts), nenhum dos pacientes
tinha tomado estatinas anteriormente, e à metade foram
dados estes fármacos e à outra metade um placebo.
Passado um tempo, os
pesquisadores verificaram que 44% dos pacientes que tinham
consumido um fármaco para combater o colesterol tinham
diminuído o risco de ataque cardíaco e derrame cerebral,
frente aos que só tinham tomado o placebo. Nestes
pacientes, o nível de "mau" colesterol foi reduzido em 50%
e os da proteína CRP em 37%.
Os cientistas dizem que
somente agora se prescrevem estatinas às pessoas com
níveis de colesterol alto, mas às pessoas saudáveis não
podem ser comprovados os níveis de CRP já que não está
muito claro a partir de que idade e com que freqüência
deve ser analisado.
Mas eles destacam que sua
descoberta revela que este é um fator de risco nas doenças
coronárias, o que abre novas vias de pesquisa.