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  14.11.2008 00h.01  
 

Vencido o medo, idoso aproveita o micro

 

DANIELA ARRAIS da Folha de S.Paulo

  "Tenho medo de explodir o computador". "Será que não vai dar curto-circuito se eu mexer nele?". "E se eu apagar os documentos que alguém fez antes de mim?". É com frases assim que vários idosos chegam ao primeiro dia de aula do Oldnet, projeto de inclusão digital da ONG Aprendiz, em São Paulo.

Quem conta é a coordenadora Izabel Marques, acrescentando que, vencido o terror inicial --que vai do simples receio ao pavor absoluto--, eles mostram um interesse enorme em aprender. "A motivação deles é se atualizar. Eles dizem que se sentem excluídos, analfabetos, sem saber o que acontece."

Alunos a partir de 60 anos recebem apoio de instrutores com idades entre 14 e 18 anos. O projeto, que existe há nove anos, propõe o intercâmbio entre as gerações. "Os adolescentes ensinam aos mais velhos, o que ajuda a quebrar estereótipos, pois eles vêem que os idosos podem aprender, mesmo com um pouco de dificuldade, em outro ritmo", diz.

O curso, que é gratuito e tem duração de um ano (saiba mais em www.oldnet.com.br), não segue um programa específico, mas sim o tempo e a necessidade de cada aluno. "Em comum, os alunos têm a vontade de se comunicar com parentes que moram em outros Estados, outros países", afirma Izabel.

Experiência - Falar com a família que mora longe foi um dos motivos que levaram a bibliotecária aposentada Gildê de Castro Dourado, 62, a procurar um curso sobre internet. Três, quatro anos depois de começar a freqüentar a Oldnet, Gildê é usuária constante do Skype. "Antes eu me sentia fora do contexto da sociedade, ponto fora. Agora, me sinto ponto com", diverte-se.

Além de usar o computador no curso, Gildê também aproveita para se conectar de casa, onde compra passagens aéreas, declara imposto de renda, conhece novas cidades. "A internet me facilita tudo. Se quero ver um endereço, vou lá. Se vejo algum assunto, vou pesquisar e ler mais. É uma coisa que alegrou a minha vida", conta.

Bê-á-bá - Ao contrário da Oldnet, que não tem um programa fechado, o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial; www.senac.br) oferece dois cursos: um para familiarizar os idosos com o computador e outro para introduzi-los à rede.

"Os alunos têm um tempo particular de familiarização com o equipamento. A maior dificuldade deles é lidar com o mouse. A gente percebe que esse movimento é difícil. Eles olham para a tela, olham para a mão, tentam entender. Já a digitação, apesar de lenta, não é uma dificuldade", afirma Maurício Schorsch, coordenador do curso "Internet 7.0".

Benefícios - Usar a internet ajuda os idosos não só no aspecto de integração social, mas também estimula o cérebro.

O Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) desenvolve um trabalho com idosos que têm problemas de memória, estimulando o raciocínio por meio do uso do micro. "Conseguimos saber como está a memória a partir do que eles conseguem aprender", afirma Luiz Roberto Ramos, que dirige a equipe, em atividade desde 2003 --por lá, já passaram cerca de 300 alunos.

O centro trabalha na construção de um site de interação para idosos, que irá avaliar a capacidade cognitiva deles, ao mesmo tempo em que irá prescrever exercícios que envolvam computador. www.folhaonline.com.br


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