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  20.12.2008 11h.00  
  Editorial critica Univap                                                O principal jornal de São José dos Campos criticou severamente a Fundação Valeparaibana de Ensino e a Universidade do Vale do Paraíba.
 

As entidades são dirigidas por Baptista Gargione Filho que é, ao mesmo tempo, presidente da Fundação e reitor da Univap.

O Valeparaibano repercutiu a voz da população e cobrou uma atitude dos conselheiros da FVE. Todavia, se for mais fundo, certamente encontrará pessoas dispostas a revelar vários segredos trancados a sete chaves nessa enorme caixa preta em que se transformou a gestão da FVE/Univap.

Uma delas é o Professor Doutor Marcos Tadeu Tavares Pacheco, ele conhece muito bem Baptista Gargione Filho de quem foi fiel escudeiro desde os tempos do ITA.

Extrema confiança - Fátima Manfredini faz parte do chamado núcleo duro que rodeia o reitor, entre eles Samuel Ximenez Costa, a Dra. Maria Cristina Pupio e Aílton Teixeira.

Antonio de Souza Teixeira Junior - Já foi vice reitor, vice presidente da FVE, presidente da Finep, prefeito da USP e até Ministro interino da Educação. Foi ele que assinou o documento de homologação da Univap, em 1 de abril de 1994. A partir daí foi contratado por Gargione com altíssimos salários. Com mais de 90  anos, Teixeira Junior permanece no esquema Gargione para angariar projetos milionários como o de "Guiagem Magnética" que envolveu a SPTrans/Compis-Univap. O valor aproximado seria de R$ 20 milhões e a Universidade teria levado uma grana alta somente para incubar o projeto do qual ninguém quer falar nada e até já foi denunciado à Policia Federal.

O pai da criança - Segundo o advogado Dr. Clélio Marcondes, o ex-prefeito Joaquim Vicente F. Bevilacqua foi quem modelou e transformou Gargione em reitor da Univap. Outros políticos joseenses como Ângela Guadagnim, José Jorley do Amaral, Carlinhos de Almeida, Amélia Naomi, Macedo Bastos, Dié Alvarenga e Wagner Balieiro são apontados como conhecedores da maneira de atuar do reitor. Qualquer vereador pode falar sobre a distribuição das "bolsas de estudo" da Univap. Se isso vier a público e for comprovado, muita gente vai pra detrás das grades.

Controle da mídia - Todo mundo sabe como as rádios, tvs e jornais de São José dos Campos se comportam diante da FVE/Univap. Os veículos recebem altas verbas publicitárias para não contar a verdade. É o famoso jabá. Mais gozado é que São José tem até Sindicato de Jornalistas que não se manifesta. Por que será?

Conselheiros - Tudo isso acontecendo e os conselheiros da Fundação Valeparaibana de Ensino dando milho aos pombos? Certamente que não, vários deles tem esposas, maridos, parentes e amigos no esquema Gargione. O mais intrigante é que alguns conselheiros representam o INPE, o ITA, A Associação Comercial e Industrial, A Associação dos Engenheiros, o Lions e o Rotary Clubes, a Prefeitura, a Câmara Municipal e outras entidades ditas respeitáveis. Milho aos pombos? É preciso averiguar.

Tem que saber - O prefeito Eduardo Pedrosa Cury tem obrigação de saber quem é de fato o Professor Baptista Gargione Filho, já que prefeitura de São José dos Campos destina R$ milhões à Univap pela administração das creches do Alto da Ponte (Zona Norte) e do Campo dos Alemães (Zona Sul), atividade que era exercida pela ONG Mamulengos que se envolveu com a Justiça e até hoje não se sabe onde foi parar.

Intervenção Judicial - Segundo o conhecido jurista Hélio Bicudo, “É preciso uma intervenção judicial na Univap e na sua Mantenedora a Fundação Valeparaibana de Ensino. Não se pode apurar devidamente os fatos se o atual reitor da Universidade e presidente da Fundação estiver à frente das gestões.”

Ministério Público - Algumas denúncias envolvendo a atual gestão da FVE/Univap são de extrema gravidade e o Ministério Público deve se manifestar brevemente sobre elas, através do Inquérito Civil: IC 260/06.

Aqui o editorial do jornal Valeparaibano de hoje:

Editorial

"Crise na Univap

Se a Univap fosse uma instituição particular, sem o status de fundação e o título de filantropia, a demissão de professores poderia ser apenas um assunto entre a direção e os alunos. Quem se sentisse prejudicado poderia recorrer ao Procon ou, quem sabe, providenciar a transferência para uma instituição mais preocupada em valorizar o corpo docente. Mas a Univap não tem exatamente este caráter. Pelo contrário, é um estabelecimento de ensino que gosta de se apresentar como uma instituição preocupada em servir à comunidade e bancar projetos que contribuam para o desenvolvimento da cidade.

A reeleição de Baptista Gargioni Filho para o cargo de reitor da Univap demonstrou que o professor continua com forte respaldo político dentro da Fundação ValeParaibana de Ensino, mantenedora da instituição, e junto a boa parte do corpo docente. Mantido no cargo que ocupa há mais de 20 anos, Gargioni poderia ter respondido aos questionamentos sobre sua gestão com um estímulo à produção científica e à melhoria da qualidade do ensino na universidade. Em vez disso, parece ter optado por afastar da Univap todas as vozes discordantes, mesmo aquelas que tinham papel central no desenvolvimento de atividades de pesquisa na instituição.

Já passou da hora de as instituições de ensino superior da região repensarem sua atuação, sob pena de terem seu espaço tomado por empreendimentos com uma visão de ensino mais ousada ou pela natural ampliação da rede pública. Em Taubaté, por exemplo, a direção da Unitau parece estar ciente destes desafios e tem procurado mudar procedimentos polêmicos envolvendo o corpo discente, como a concessão de bolsas de estudo, e valorizar o professorado.

Na Univap, a reitoria sinaliza caminho inverso, ignorando solenemente os apelos de professores e estudantes por uma administração mais transparente e tratando a pesquisa científica desenvolvida na instituição como um penduricalho dispensável. É um quadro desolador e os integrantes do conselho da Fundação ValeParaibana de Ensino não podem se omitir. Caso contrário, colocarão em risco, em definitivo, a credibilidade desta instituição de ensino.

Demissões ameaçam pesquisas na Univap

Impasse na universidade de São José põe em xeque andamento dos principais trabalhos na área de biomedicina

São José dos Campos

Pesquisas importantes conduzidas pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) no campo da biomedicina devem ficar comprometidas com a demissão de cinco docentes que trabalhavam nessa área.

Os profissionais demitidos pelo professor Baptista Gargioni Filho, reitor da Univap, trabalhavam no IP&D (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento), carro-chefe da área de pesquisas e publicações científicas da universidade.

As demissões atingiram os professores doutores Marcos Tadeu Tavares Pacheco, Francisco Nóbrega, Antonio Guilhermo Balbin Villaverde, Márcio Magini e Maira Magini, todos da área de engenharia biomédica da instituição.

Entre os trabalhos científicos em andamento no IP&D no campo da biomedicina estão pesquisas de aplicação do laser em cirurgias e na cura de moléstias de pele, desenvolvimento de novos equipamentos para diagnóstico de câncer, como de próstata, de instrumentação óptica na biomedicina, entre outras.

O professor Balbin Villaverde, que trabalhava em pesquisas no campo da óptica aplicada à biomedicina, afirmou ontem que ainda não sabe o que irá acontecer com os seus trabalhos. "Ainda não sei o qual será o futuro das pesquisas", disse.

Entretanto, o especialista frisou que os trabalhos devem ser prejudicados, caso não tenham continuidade. Balbin Villaverde declarou que, a exemplo do professor Márcio Magini, foi desligado sem justa causa. "Não me informaram o motivo da minha demissão. Entrei na Univap em 1997 e trabalhei até anteontem", disse o professor, que coordenava o doutorado na área de engenharia biomédica.

NOVOS CAMINHOS - De acordo com o professor Marcos Tadeu, o grupo de docentes desligado deve procurar novos caminhos para dar continuidade aos trabalhos que iniciaram na Univap.

"Já estamos mantendo contato com outras instituições para levar as pesquisas que estavam sendo realizadas na universidade", disse o docente.

Marcos Tadeu, formado pelo ITA e com doutorado na Inglaterra, ingressou na Univap em 1992. Em 1995, criou o IP&D, que se transformou a referência da instituição na área de pesquisas em engenharia biomédica.

"Diversos trabalhos importantes foram prejudicados, como de desenvolvimento de próteses e órteses com materiais que evitam rejeição do organismo humano, de aplicação de laser em odontologia, entre outros", afirmou o especialista.

Segundo ele, a perda maior não é só para a universidade, mas para São José dos Campos. "O pessoal demitido tem reconhecimento internacional e mantinha contato com instituições e publicações de diversos países", afirmou.

Para Marcos Tadeu, os docentes não devem ter dificuldades para encontrar apoio em outras instituições de ensino e pesquisa. "Tenho conhecimento de que já há movimentação nesse sentido, porém, a questão é tratada em sigilo", disse o mestre.

PREOCUPAÇÃO - Para o grupo de demitidos, cabe à sociedade de São José se movimentar em torno da questão, não em favor dos docentes, mas em prol da própria Univap. "A Univap é uma instituição da cidade e não de um grupo de pessoas. A comunidade precisa reagir", disse Marcos Tadeu.

Estudantes de engenharia biomédica, o primeiro do gênero no país, dizem que estão preocupados com o futuro do curso, após as demissões. "Não sabemos se o curso terá continuidade e se tiver, com que qualidade", declarou um aluno que preferiu não se identificar.

As demissões foram feitas a partir do sábado da semana passada. Os demitidos foram comunicados por carta enviada pela área de Recursos Humanos da Universidade.

O grupo alega que o motivo seria político. Segundo os docentes, a direção da Univap não 'admite críticas e questionamentos e quem se atreve a emitir opinião contrária, acaba sendo desligado da instituição'." www.valeparaibano.com.br

 


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